quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Cyborgs - os anti-heróis da Atlântida

Nascido numa noite enublada e imprevisível de 23 de Maio de 1989 no Centro de Saúde da Estação Manuelina, Pedro Jamelino Tezcatlipoca Mariamint Dardo foi logo carimbado como milionésimo “cyborg de família classe média” do sexo masculino no Bilhete de Identidade do Cyborg Oficial da mãe do Pedro.
É que, segundo a nossa amada Constituição Nacional – 58º parágrafo, alínea a) – que um recém-nascido de qualquer casal cyborg tem ser inscrito no censo pelos agentes do departamento de Direitos Civis Atlantes e levado ao burocrata do comandante deste para depois o baptizarem. Segundo o disco-rígido do lado direito do cérebro do Pedro, o cabo e secretário do desconhecido.
«Ja, ja, ja! Fräulein, diga-me lá o nome dessa larva asquerosa no seu colo, e depressa, porque isto, sinceramente, para mim é uma completa humilhação! Francamente, aonde é que eu fui encalhar? Como cabo dum imbecil africano qualquer analfabeto e acéfalo, espetado num fim do mundo, e tudo por causa daqueles malditos checos e ingratos!» Resmungou o oficial não-comissionado num sotaque alemão.
«Pedro em honra de Enoque, o Rosa Azul; Jamelino que significa o “Bom Aventurado” em Atlante; Tezcatlipoca do lado do tio; Mariamint do meu; e Dardo da alcunha do...»
«Sim, do Tenente Dardo, o herói dos Cyborgs e grande amigo de James Dark Sword, já ouvi falar desse traste igualmente, minha querida senhora!» Respondeu severamente o homem, num tom frio. «Então, meu anjinho? Vai levá-lo para o Projecto Pó-de-arroz na Fronteira?»
A verdade é que o Projecto Pó-de-arroz, um suposto programa pedagógico, dirigido aos recéns-nascidos cyborgs nos Anos 80 cujos eram levados pela SPV até a um “jardim de infância” onde só o Demo sabe o que eles faziam aos pobrezinhos!
Campo de concentração, lavagem de cérebro e cãmaras de gás para crianças, é o termo mais correcto e sincero que se podia dizer do genocídio de cinco mil criancinhas mortas lá. Isto tudo controlado com o General B a vigiar tudo sabe-se lá em que sítio.
Cinicamente chamado de Pó-de-arroz por causa da brancura do desinfectante usado para asfixiar dolorosamente os coitadinhos e por causa da canção portuguesa que os assassinos da SPV usavam para acalmá-los.
Felizmente, o meu querido Pedro escapou às garras dos bruxos mais maquiavélicos e cruéis que alguma vez pisaram a Atlântida. Alguns agentes até se especializaram em animação infantil e dar doces às crianças. Com um ambiente e músicas da roda à mistura, as crianças cyborg pareciam muito felizes nas visitas da família, mas a terrível realidade é que eles estavam sob o feitiço do “Flautista da Fronteira”, um famoso bruxo e assassino profissional que detestava crianças e era o comandante do Projecto Pó-de-arroz. Nunca se viu a descobrir qual era o verdadeiro nome do tal Flautista, mas se ele mau e foi suspeito de crimes contra a humanidade e de usar Magia Negra Antiga e Proíbida, foi!
Pouco se sabe sobre os antepassados do Pedro, muito menos como é que ele nasceu, nunca conheceu o pai. Quanto à mãe, apenas se sabe que ela gostava muito dele e deu o segundo nome do exterminador do terrível Assassino do Amor, pois tinha o pressentimento que ele seria também um herói. Desapareceu pura e simplesmente, duma forma tão misteriosa como sinistra! Tinha o meu namorado três anos, e estava ele a dormir descansado com a mãe, quando, subitamente, uma sombra de escuridão, cobriu por completo todo o minúsculo quarto...! O Pedro não gosta de falar destas coisas, a única coisa que se lembra daquele dia foi de ter ouvido o pedido de socorro da sua mãe e uns olhos azuis brilhantes de lobo a olharem fixamente para ele com um certo ar cínico e maléfico.
«Se era um sacana dum bruxo mandado pela SPV ou se era o Papão, nunca hei-de saber...!» Disse-me ele com um grande receio na voz.
Aos seis anos, adoptado pelo tio, ele ingressou na famosa e distinta Academia dos Feiticeiros Portugueses, em Coimbra, graças à benção duma fada.
Conhecida por ter um severo educador e só entrarem as crianças mais bem comportadas e filhas de pais ricos, Pedro viu-se num ninho de bruxos ibéricos e de aprendizes de deuses. O facto é que o educador-chefe de quem os pais tinham tanto medo era um bruxo cujos grandes poderes e maldade eram apenas cobertos pela sua enorme paixão pela música e grande carinho que tinha pelas crianças.
O Pedro lembra-se de tratá-lo por Tio Bruno, e que ele só castigava ou dava palmadas aos meninos maus.
Um pouco social e alegre por experimentar novas brincadeiras, o meu namorado disse que aquele foram os melhores anos da vida dele. O Tio sabia tocar vários instrumentos, dos quais o violino, o saxofone, o órgão do enorme átrio do infantário, o piano eram os predilectos para animar os pequenitos e contar-lhes histórias.
Enfim, desde os seis até aos dez anos, ele divertiu-se imenso, mas disse que já tinha visto alguns dos seus colegas apanharem com uma sova que eles jamais esquecerem do tal amável Tio Bruno. Assassino do Amor ou gentil Anjinho-da-guarda, eram as alcunhas que mais se ouviam nos corredores por entre os meninos.
O facto do tal senhor ser tão perfeito e a sua dupla personalidade de “homem frio e sombrio” e “tio agradável que dava doces aos meninos bons” foi o personagem que mais intrigou o Pedro, mas depois, aos onze, deixou a escola para vir ajudar o verdadeiro Tio Tezcatlipoca na pastelaria/café/restaurante. Além disso, como era uma escola interna, o rapaz tinha de viver e dormir em Coimbra.
Foi um grande desgosto para ele deixar a escola e ainda sente muita falta daqueles passeios e temperatura amena de Coimbra, com o seu Portugal dos Pequenitos, a linda igreja e as fantásticas ruínas de Conínbriga onde ele costumava brincar com os seus colegas...Enfim, a meninice dele ficou marcada por aquela cidade e por aquele personagem estranho que, nas tardes de folga aos sábados estava habituado a tocar violino, tão taciturno, tão triste e desiludido...!
O Pedro nunca percebeu porque é o Tio Bruno ficava tão infeliz naquelas tardes....!
Aos doze até aos catorze, a idade das aventuras, ele tornou-se num autêntico pestinha e começou a fazer caretas aos bruxos e aos agentes da SPV. Aquilo era rebeldia que nem te digo! Ainda bem que não o conheci quando tinha essa idade tão infantil, senão ainda dava em doida.
O facto é que ele, por ter de voltar à suja e húmida Atlântida, sentiu-se frustado e reprimido, e por sua vez, isso deu em grandes sarilhos! O tio, demasiado brando, deixava-o andar por aí a fazer bigodes e caras de maus aos oficiais da SPV adormecidos; a escrever grafittes cómicos contra os Bruxos na parede da esquadra local; a roubar comida; e a destruir tudo o que era sítio.
Ele sentia-se bem assim, era a sua forma de se afirmar, mas em breve, tudo isso acabaria...Um dia, apareceu um bruxo importante na cidade, aos quinze anos, que, ao se atravessarem duas crianças demónio no caminho, ia bater-lhes com um chicote quando Pedro os defendeu, dizendo que o bruxo não tinha o direito de bater em duas crianças de apenas três e quatro anos. Infelizmente, o caso deu mal e o meu namorado, humilhado pelos rufias do tal arrogante Príncipe Lenek, que lhe deram uma coça que lee jamais esqueceria. A partir daí, todos os dias, o Pedro chega a casa com algum dente partido ou as joelheiras com alguma ferida. Mas nada disso impede aquele palerma de se meter em sarilhos numa qualquer rixa entre jovens cyborgs e aspirantes a agentes da SPV.
Se não fosse eu aparecer na vida dele aos dezasseis, sabe-se lá em que prisão o meteriam...Conhecedor de artes marciais como o judo, a esgrima e o, ele até se safa nas ruas, mas quem manda são os Bruxos, não os Cyborgs. Imagina se ele tivesse que enfrentar os verdadeiros Bruxos! Aqueles que já atingiram a maioridade dos Cem Anos.
Ou seja, que já têm mais de cem anos e que podem ser mesmo perigosos.
Ouvi falar pelos antigos duma profecia horrível, duma guerra interminável que porá mulher contra homem; pai contra filhos; irmão mais novo contra mais velho; que trará a desgraça, a crueldade e a maldade até um ponto que a Atlântida seja destruída.
Segundo Samiel, apenas dois ficarão e esses decidirão o destino do nosso destino....Será que a profecia estará a cumprir. É que a guerra está a tornar-se devastadora para ambos os lados. Cada dia, morrem mais inocentes, para acalmar a ira e teimosia dos Senhores da Guerra. Quando é que isto irá acabar...?
Ele não conheceu o Rei dos Bruxos ou o meu Padrasto, ou o Duque von Tifon. O Pedro não sabe a lenda do Assassino do Amor, e é disso que eu tenho medo: que ele se envolva demais e se magoe a sério.
Se ele se meter em sarilhos por causa de mim, vai ter de enfrentar mais do que uns meros pauzinhos de borracha ou pedras.
Bom, foi numa dessas lutas de gangues difíceis – não, ele lidou com os Bruxos mais novos. – que eu conheci o Pedro e a Sara. Quando o próprio Capitão-Mor foi prender o Pedro e eu por acaso estava ali a comprar umas cervejas para o Tio Seth. Era o meu terceiro dia na Atlântida e com unhas de ferro, consegui convencer o grande e excelentíssimo convencido capitão a largar o osso. Foi mais o próprio Dark Sword que me ajudou. O grande e querido Conde James Dark Sword, o único homem honesto em toda a Atlântida e chefe da Resistência. Foi uma honra ver esse génio, esse gato de olhos verdes-esmeralda...Ai, ai...As mulheres caem aos pés daquele meio-cyborg (do pai), meio bruxo (da mãe) – nas revistas, dizem que ele deverá ter uns cento e sete anos, mas que é sempre tão misterioso e frio.
Porque é que será que, eu e as outras mulheres ficam caídinhas por ele...?
Será do sorriso encantador; dos olhos azuis profundos e lindos; dos músculos por debaixo daquela capa ou daquela eloquência charmosa inglesa...?
A primeira a reparar naquele 007 atlante foi a Serpente de Fogo, precisamente uma inimiga dele! Acredita, aqueles dois têm uma química juntos. Todas as revistas cor-de-rosa dizem que, se não fossem, politicamente, advsersários, casariam o mais depressa possível. Toda a gente o sabe, excepto o meu primo...!? Sinceramente, eu preferia que ela se casasse com o Dark Sword do que com o Sr. Duque Couto von Tifon, um bruxo de alta estirpe e, meu primo. Para que assim, não tivesse que chatear-me e fazer das crianças – para não falar dos demónios, as fantasmas, a minha família – de escravos de Sua Majestade. Coração contra dever: já vi este quadro em algum lado....Além disso, todos os Cyborgs sabem que o seu líder politíco está completamente apaixonado pela sua pior inimiga. Ai...Ai...O Cupido tem andado tão ocupado, não achas?
O resto tu já conheces: tornámo-nos inseparáveis, o trio dos invencíveis!
Bom, o que resta saber é se a vida na Atlântida nos tornará a sorrir....


As aventuras do Pedro Dardo, a Jessica e da Sara continuam em....
www.nomedehistorias.blogspot.com

Ou veja a história em que a Jessica conhece pela primeira vez o Pedro Dardo e James Dark Sword.

http://nomedehistorias.blogspot.com/2007/03/o-pedro-my-love.html

2 comentários:

Anónimo disse...

A visão das crianças sendo coletadas para doutrinação me fez lembrar um filme do Kurt Russel, onde crianças eram treinadas para serem soldados desde a mais tenra infância.

Suas descrições estão cada vez mais vívidas.

Sorte sua e dele que ele tenha livrado-se da sina que o aguardava em mãos tão nefastas.

Anónimo disse...

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