quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Há sempre algo para dizer

De volta com este pequeno excerto dos tempos do Assassino do Amor!


À meia-noite, há sempre algo a dizer...

Uma flor caiu nos cabelos da jovem princesa, ao olhar para a água cristalina do lago que as fontes termais perto do Castelo Negro formavam. Ela não ligou muito para aquilo, mas os olhos estavam abertos, e o nariz captou umas mãos de homem a massajarem-lhe os ombros. Eram umas garras esqueléticas, mas gentis.

Ela nem pôde acreditar: o Assassino do Amor, o implacável senhor daquele palácio sinistro, olhava para ela com um olhar doce, enquanto descalçava as botas e desapertava o robe oriental.

Os olhos negros dela brilharam ao luar, enquanto ele entrava na água quente e a deitar espuma, como se fossem nuvens fofas de algodão. Estas nuvens cobriam o peito macio e de chocolate da princesa arco-íris, cujos cabelos negros apanhados num gancho de jade em forma de borboleta eram tão negros como a noite. Os cabelos ruivos dele resplandeciam como labaredas de fogo, ansiosas por consumir o mais precioso dos frutos concebidos pela Natureza!

A jovem virou a cabeça quando os dedos dele a tentaram acariciar. Aquelas duas esmeraldas forçaram-na a olhar para ele.

- Vossa Alteza está muito melancólica esta noite. - A voz metálica e aguda ressoou no silêncio nocturno. - Porque é que me evita?

A jovem tremeu quando ele encostou a cabeça ao ombro nu dela. Agora, depois do rapto, depois de saber que tipo de homem é que aquele bruxo era, a princesa mais nova do Rei Neptuno estava aterrorizada. Aquele homem, tão forte, mas tão perigoso, estava tão perto dela, como a flor estava da água a ferver. O nariz dela apanhava o desejo que ele respirava por ela, tão intenso, como as pétalas da camélia.

Inevitável aquele sorriso malicioso, enquanto lhe esfregava as costas femininas com as pétalas das camélias, ele suspirou, indiferente ao terror dela.

- Jamais devia ter-vos deixado com aquelas fadas malcriadas. - Ele encostou ao de leve, o nariz curvo de falcão perto das ancas suaves como seda, aquelas ancas frágeis e belas, que o faziam ansiar por mais. - Elas não compreendem que eu vos amo, muito!

Anjali Sarvahdinada engoliu em seco, ao ver que aquelas garras não a iam libertar.

- Por favor... - A voz dela murmurou, enfraquecida pelo feitiço hipnótico que o Assassino do Amor lhe pusera, horas antes. - Não me faça mal, Mestre Samiel!

- Eu? Fazer mal a ti, minha flor? - Repentinamente, as garras dele apertaram a cintura dela contra o corpo forte dele. - Eu só quero um pouco da tua energia, aquela Lua dos Sonhos que está escondida...

Os dedos anormalmente magros passearam num sítio onde Sarvahdinada não queria que estivessem! Arregalou os olhos, indignada, quando os dedos do feiticeiro tocaram, abruptamente, no íntimo dela.

Ele sorriu com um ar malévolo nos olhos rasgados e verdes, concluiu com um riso de hiena, perverso:

- Aqui, no teu templo sagrado!

- Tire...esses dedos demoníacos de mim!

A jovem princesa tentou espernear, mas o seu corpo não se mexia! Estava mesmo enfeitiçada por aquele homem maluco!

O que o Mestre Samiel não esperava era uma jovem fada dos seus dezanove anos, de lança em punho, preparada para defender a Princesa Arco-íris, dois anos mais nova que a Kinnari, a metade fada, metade cisne!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um verdadeiro Feiticeiro Branco


Biblioteca da Família Von Tifon - os artigos que eles não querem que sejam revelados!



Nem sempre houve esta pressa, este passo ordenado e automatizado tão costume dos Bellantes e dos povos mais do oriente. Em Мэрлоноград (Merlonogrado) – ou Cidade ao Pé do Mar, como dizem os Russos do baronato, vizinho do Ducado da Cidade Perdida – tudo era feito com uma lentidão pacata e humilde.


Custodio Villanueva, é o nome de um dos bruxos mais corruptos e mais obscuros do baronato de Merlonogrado. Merlonogrado, uma família católica de Russos e Espanhóis que nunca se deu bem com o conceito de feitiçaria que nós, os vizinhos Japoneses e Alemães praticamos, torceram o nariz quando os guardas da fronteira marinha anunciaram que um homem alto, de porte elegante e enigmático, tinha aportado com apenas um barquinho a remos, daquelas gôndolas que se vêem nos filmes.


Mesmo assim, há dois anos atrás, em 1978, eles não se importaram de acolher Custodio Villanueva, cujo nome completo era Custodio Dário Villanueva. Villanueva tinha um bigode pintado a pincel preto, com um fluente sotaque catalão.


Um dia, apareceu no palácio dos nobres a dizer que era médico, e que sabia tratar de feridas nas pernas e nas costas. Levava um estojo escuro e uma capa velha para lhe ajudar a aguentar mais o frio de Outono.


Lembrai-vos Vossas Excelências, que havia uma praga de cogumelos venenosos, e a Baronesa Maria Eufémia andava com um reumático nas costas. Custodio Villanueva curou a pobre e velha senhora numa questão de dois dias. Também curou um escravo e uma jovem bisneta do antigo e já falecido Diego Yaranuez.


Após essas pequenas consultas, não quis saber de renumerações ou recompensas para nada. Que, não, que não, que a única preciosidade que tinha era o orgulho em ter ajudado mais pessoas e a tirá-las do sofrimento.


Um dos trinetos do lado da família Russa então propôs-lhe que o ajudassem a subir na carreira como bruxo.


E foi assim que ele se mudou do baronato para o ducado. Custódio Villanueva, com os seus estranhos olhos azuis, os seus modos quase devotos pela morte tardia da Duquesa Abir, e a pena por não ter ouvido da doença da “honrada senhora” mais cedo.


Ficámos habituados a ele, a ele e às suas maneiras delicadas, a sua sinceridade disfarçada em pedantismo, ao fumar aqueles cigarros (quando começou a trabalhar para a nossa família, o dinheiro veio tão depressa quanto o milho em Agosto!) de hortelã – pimenta.


Outro mês passou, e outro, e outro, e quando era Inverno, apanhei sozinho o velho feiticeiro espanhol a rezar pela alma da Duquesa. Estava a chorar. Perguntei-o porquê.


Ele ficou calado durante uns minutos, apenas a olhar reverentemente para o quadro da minha mãe.


Acabou por confessar que ficara apaixonado pela senhora do quadro, e que era uma pena que ela já tinha morrido, porque se fosse viva, ele lhe daria todo o amor que ela precisava.


- A minha mãe não merece o amor de ninguém. – Comentei, quase sem querer. Que é que os meus leitores querem? Que esta minha memória, este meu espírito fique calado? Não conseguia.


- Sois uma mulher muito ingénua, mas também muito esperta, Menina Charlotte. Pode ser que a vossa mãe guardasse no fundo a mesma mulher bondosa e com coração que está reflectida nessas lindas faces de chocolate. – Disse o homem sabiamente. Limpou as minhas e as lágrimas dele, carinhosamente, como se tratasse do meu pai. – Mas é tempo de restabelecer tudo, Vossa Graça. Não vos importuno mais, e mais uma vez, desculpai-me pela minha compaixão.


Fez uma vénia muito formal – até demasiado para um espanhol – e deixou-me, a pensar, ali. Não foi despedido, tal como provavelmente pensara. Agora é muito mais do que um amigo, é como se fosse da família.


Ficou connosco como amigo e como confidente de Karl Honestoffmann, que adorava o seu gosto pelo velho e pelo rústico, e pelo órgão, que Villanueva dizia-se ser uma vez padre, mas que desistira da profissão por causa do herbanário. Com o tempo, adquiriu o carinho das crianças, o respeito dos adultos e o amor dos fantasmas Japonesas, incluindo a Senhora Murakami em pessoa. «Quem me dera que o meu filho fosse assim!»


As cortesias que fazia, a opinião conhecida e quase eloquente, fazia-o ser apreciado pelos feiticeiros Japoneses que muitas vezes, coitados, vinham pedir esmola na época do comunismo.


A roupa, diga-se de passagem, durava-lhe muito. Por vezes, escovava com a mesma mesura que lavava a roupa, o pelo do gato de família, Spiegel. Nessa altura, até o nosso gato persa era um atleta, a caçar ratos e baratas.


Lembro-me que Irene o chamava de “o Avô emprestado” por ter uma barbicha prateada que lhe ficava muito bem na pele queimada do sol.


Wilhelm Couto e Hans, por sua vez, gostavam muito dele por causa das piadas que o velho espanhol sabia. «Come-se do que há, peixe fresco é o melhor que tem cá.» Dava para as pessoas rirem-se do jantar simples e tipicamente Bellante: uma vez era arroz, outras vezes tortilhas com carne esmigalhada de porco com pimenta, cebola, molho de maionese, e papa de espinafres, tomate, cenoura e batatas, outras vezes, era peixe.


Havia depois o Usagi – o meu namorado dessa altura – que ajudava-me a coser as roupas. Eu contava os poucos lucros que tínhamos a vender para a União Soviética. Nessa altura, a Katharina morava na Inglaterra.


Aqueles eram bons tempos. Sentava-se sempre com a gente o Tio Maximilian e o Tio Martin, juntamente com os primos Ernst e o Rutger. Todos nós, ajoelhados no velho e empoeirado salão de jantar, com umas almofadas rotas e apenas a mesa de mogno cujas pernas tinham sido cortadas. Dava um estilo mais oriental ao palácio. Nessa altura, era mais uma Menina von Tifon do que “As Senhoras e os Senhores von Tifon”. Ao pequeno-almoço, comia-se pão com salsichas (coisa que Usagi e o Mestre Custódio nunca comiam), e um leitinho, outra coisa que os nossos rapazes Ernst e Rutger adoravam era molhar o pão no leite com cevada, coisa que eu achava intragável, mas enfim. Eram manias alemãs, tal como era mania Japonesa servir-se o peixe cru porque às vezes não tínhamos dinheiro para pagar o gás. Ainda bem que a Avó me tinha ensinado antes de morrer a fazer comida Japonesa para o jantar, senão, morríamos à fome.


Ninguém na “Capital” – como falava o Usagi falava de Tóquio – queria saber de nós. Nem na Alemanha, nem no Japão. Era como se não existíssemos.


No entanto, nós ajudávamos os humanos, e eles sentiam-se bem connosco. Eram tempos muito diferentes. O palácio nunca estava limpo, não havia criadas a correr de um lado para o outro, e tinha de ser eu a tratar de tudo: da roupa (a não ser da de Usagi ou da do Mestre Custódio, que não me queriam dar mais trabalhos), das paredes, do pó, da cozinha, da burocracia para que a nossa empresa sobrevivesse no mundo comunista…podem imaginar como é que eu me sentia depois de um dia de trabalho.


A velha casa Von Tifon era sinónimo de tradição, era sinónimo das antigas canções do Norte, que eu costumava cantar, por distracção.


O destino prega-nos cada partida. O baronato e o ducado gostam muito dele. E assim, quando caiu o muro de Berlim, e a família Merlonorgrado foi condenada à morte por traição e por comunismo, Villanueva foi um dos primeiros bruxos a ser considerado como o possível novo senhor de Merlonogrado, ele recusou prontamente.


Disse que tinha saudades de Espanha. E partiu sem deixar rasto. Lembro-me, dois anos passados, neste Dia da magia Negra, que ele punha sempre os Deuses acima de tudo. Bruxo? Bruxo coisíssima nenhuma! Aquele era um feiticeiro branco.


Este é uma crónica antiga que encontrei sobre um feiticeiro branco que a Tia Charlotte (a irmã da minha mãe Katharina) conheceu nos Anos 80. É engraçado como nessa altura, o reverendo "Mestre Custódio" era quase como uma figura paternal para a família von Tifon, arruinada pela mentira da ideologia comunista.


Recordam-se talvez daquele bruxo do "Fumo Sinistro" e do "Um bom exemplo de um bruxo quase ao nível do Assassino do Amor"? O Custódio Dário Villanueva era esse tal feiticeiro! Nessa altura era muito simpático, todo ele simples, todo ele cumpridor das regras dos Deuses...


E o que é que aconteceu nos Anos 90? Ninguém sabe. Talvez tenha feito fortuna na Espanha como médico da medicina alternativa, não sei.


O que eu sei é que a bondade de Villanueva trazia água no bico....

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Falar de um bruxo e da sua aventura

Lembram-se de http://http://tifon-ogritodaverdade.blogspot.com/2008/04/novo-blog-ou-no.html , de http://tifon-ogritodaverdade.blogspot.com/2008/11/o-rapaz-dos-olhos-de-ametista.html, ou de http://tifon-ogritodaverdade.blogspot.com/2008/06/captulo-1-primeira-parte-de-trs.html? Ou até mesmo de http://tifon-ogritodaverdade.blogspot.com/2008/04/lua-dos-meus-sonhos.html ? Ou de http://tifon-ogritodaverdade.blogspot.com/2008/09/lua-dos-meus-sonhos-situao-poltica.html ?

Faz tudo parte do mesmo livro, que agora se chama "O Sopro do Feiticeiro". A história conta o dilema de um jovem bruxo talentoso de vinte e quatro anos (Georg-Maria Schwarzjaguar, mais conhecido como Flautista pelos seus inimigos) no início dos Anos 30 de matar ou não, uma jovem rapariga que é filha do maior inimigo dos seus patrões. Tenho de confessar, a história foi escrita em 2007/2008, mas eu fiz uns retoques que a deixaram quase perfeita.

A Atlântiga, agora Bellanária, é um cenário perfeito, mas a história começa com um prefácio (escrito num rasgo de inspiração, num dia destes) em que o vilão principal da história é introduzido, na Itália de 1921 - obviamente não vou dizer o nome dele. As origens do Flautista são contadas pela sua própria voz...deixando o espaço para depois irmos até à princesa desta história: Annelina Sara Lornam von Tifon.

Ai, eu e a minha imaginação em criar um romance entre um homem de vinte e quatro anos e uma jovenzinha de quinze exagerou! Que bruxo mais velho para a pobre da Sara...Algumas vezes pergunto-me se ela merece ter tão pouca sorte com os homens. Não, não merece. Afinal de contas, ela é a personagem mais inocente que eu já alguma vez criei. Em Inglês, há uma expressão para descrever um homem desprezível, másculo, e impiedoso - bad-ass (http://www.urbandictionary.com/define.php?term=bad%20ass) . É jargão, eu sei, mas é precisamente isso o que o Flautista é.

Bem...mais não direi sobre a história, só vos digo: é uma das histórias que contém mais aventuras e desafios para as personagens principais. Não gosto de personagens totalmente bonzinhas ou cheias de virtudes. De modo a que temos uma princesa herdeira viúva facilmente depressiva e que esconde as suas fragilidades através de austeridades e excessos na vida nocturna - Swerdinada Eudóxia II Di Neptunvs - e um feiticeiro branco adulto Irmãozinho com um humor cínico e um pragmatismo assassino na batalha. Fumador constante, Irmãozinho esconde um lado paternal e um amor pela honestidade.

As personagens secundárias são mais ou menos bem feitas - gosto muito da maneira como criei a Katharina, mas ela ainda precisa de algumas coisas que precisam de ser melhoradas. Aliados ou inimigos, as personagens secundárias falam muito sobre a Bellanária ou a sua relação com o mundo ocidental e oriental. Outras - como Isaías - embora não muito importantes nesta história, revelam-se como grandes amigos - ou rivais, como é o caso do Conde James Dark Sword - às personagens principais.

Os deuses algumas vezes não são para aqui chamados. Acho que são mais uns "apêndices" ou "figurantes" que dão uma mãozinha à história. As personagens principais contam mais a vida entre humanos, fadas, bruxos, bruxas, feiticeiros brancos e demónios nas ilhas atlânticas da Bellanária.

Gostava de ter mais personagens no livro, mas o facto é que a centralização (bruxos, humanos, fadas e feiticeiros brancos) da narração fez-lhe bem.

Como estou na universidade e não posso postar aquelas sete páginas do prefácio que escrevi para " O Sopro do Feiticeiro", deixo-vos com esta canção tipicamente Napolitana: "Guaglione".

http://www.youtube.com/watch?v=99FxBf1uGF8

Uma música Japonesa de um dos meus animes preferidos de infância: "Tactics"

http://www.youtube.com/watch?v=WujimpD8PdU&feature=related

E uma canção Alemã, "Fieber", industrial rock da banda Oomph com Mina Hagen:

http://www.youtube.com/watch?v=jKCqrkEZBT0



O nosso Flautista de olhinhos roxos adoraria ouvir uma canção dessas. Ele compreenderia as três linguas num instante. De romântico a completamente perverso e possessivo, essa é a personalidade afectuosa de Georg-Maria Schwarzjaguar Como o Rei dos Bruxos Kasimir Malaghetyev diz:



Até um bruxo se pode apaixonar...até mais que os peixes e as flores!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sua Sagrada Alteza, a Enguiçada


Já te perguntaste se a Serpente de Fogo, aquela que aparece no diário da Jessica von Tifon, é a mesma "Serpente de Fogo" que governou a Bellanária desde a morte do pai em 1937, até 1973? Pois não são a mesma pessoa. Nem se sequer se parecem uma com a outra: enquanto que Swerdinada Eudóxia II Di Neptunvs (1913-1973) tinha os cabelos castanho-claros e encaracolados, Swerdinada Clarissa Di Neptunvs tem os cabelos negros e macios. A mãe tem os olhos cor de avelã, a filha foi abençoada com dois coquetes olhos negros que lhe dão uma expressão um tanto inocente.

Swerdinada Clarissa Di Neptunvs, nasceu em 1962, sete anos após a prisão consolidada do meu padrasto, num meio-dia sufocante e insuportável de 26 de Agosto, onze anos antes da morte da mãe. De acordo com os registos oficiais, cedidos pela Polícia de Vigilância foi um parto difícil, lá mesmo perto de Losjafhden, na Mansão Real Di Takzlntaram, na aldeia, mesmo perto das montanhas. Repentinamente, com o grito da pequena criança, os vidros das janelas daquele pobre quarto partiram-se. As criadas, baixinho, disseram nos seus sotaques interiores da montanha:

"Que os Deuses protejam a Nossa Sagrada Majestade, a princesa já é um sinal de azar!" As jovens russas, ao baterem na madeira três vezes para espantarem o mau-olhado. No dia seguinte, uma das aias estava a ajudar a lavar o bebé, quando, para surpresa dela, os peixes começaram a afastar-se da criancinha. As fadas nunca vinham cumprimenta-la ou enchê-la de bênçãos, nenhum dos Deuses veio à cerimónia tradicional de baptizado, os demónios lá vieram, um pouco contrariados. Toda a gente sabia no Norte que aquela criança era produto de um amor proibido e sancionado pelos costumes bellantes. Ora lá dizia a tradição Tienense e daqueles lados das montanhas – espalhado mais propriamente pelos imigrantes eslavos – que uma criança nascida de um casamento não consumado de uma forma tradicional seria para sempre amaldiçoada. E parecia ser verdade no caso da pequenita.

Como Swerdinada Eudóxia II Di Neptunvs (sei, os Bellantes usam muitas vezes os mesmos nomes para os Reis e Rainhas dos Humanos), nascida em 1913, teria concebido essa criança, permanece um pouco como a neve nos Alpes das Sereias: um mistério.

Há uma versão não oficial de como aconteceu. Os Anos 50, anos incertos, com a partida de Tezcatlipoca para o exílio em 1947, deram lugar e espaço para muitas lendas, especialmente no Norte, onde a Princesa Swerdinada Eudóxia II Di Neptunvs tinha duas das suas muitas residências não oficiais. Não se sabe muito bem em qual das duas foi, mas o facto é que em 1959, (cinco anos depois de Reinhard Heydrich ser preso no Castelo Negro) enquanto tomava um relaxante banho de espuma, ela foi abordada por um admirador misterioso,

As mãos do servo que estava sempre com ela na banheira, firmes e fortes, massajavam de vez em quando as costas da princesa, o que a deixou completamente encantada.

Pensava-se segura e fora de perigo das garras dos comunistas, mas o que as pessoas em Cyborg Town diziam era que ela se tinha apaixonado por um agente do KGB. Entre os vapores da água doce e as carícias leves, mas envolventes da espuma, pelo menos uma vez por semana, a princesa encontrava-se com o homem com as mãos mágicas. Sabia exactamente onde premir as mãos e os dedos nas costas frágeis da mulher influenciável.

Passaram-se sete semanas, e o homem apresentou-se na casa como Narda Nikolaevitch, um feiticeiro que sabia muito sobre cocktails, poções, loções para a pele….E feitiços de amor. Quando ele caminhava silenciosamente pelos corredores sombrios da casa, com a sua capa escura de pele a arrastar pelo chão polido de aveleira, trazia na mão enluvada púrpura uma agulha com sangue. As criadas tinham medo porque pensavam que ele lhes arrancaria os olhos. Não tinha sombra e raramente saía de casa – a não ser às três da manhã e só regressava ao sol-pôr. Como era muito escuro na casa e só havia luz de azeite – medidas tomadas pelo governo comunista – nunca ninguém conseguiu ver o seu rosto. Este também ocultava-o sobre um chapéu de feltro grande e com uma pala de veludo escuro. Nunca ninguém lhe tinha ouvido a voz, só a Senhora da casa.

Toda a criadagem tinha medo dele.

Foi um relacionamento proibido, mas um que apimentava a outrora maçadora rotina da nova Melnjar da Bellanária.

E mais não sei...apenas aquilo que as pessoas mais velhas bellantes me contaram. Algumas diziam que o tal homem era um feiticeiro que pôs uma bruxaria qualquer na princesa. De qualquer das maneiras, a criança foi "salva" das garras do homem, que se pensava ser o responsável pela súbita morte da mãe em Novembro de 1973, mas ninguém sabe.

As autoridades da Bellanária do Sul - outrora chamada por Resistência - tentaram apanhar o homem a quem todos os bellantes - fossem eles do Sul ou do Norte - passaram a chamar do "Anjo Imperfeito". Por várias vezes, tentaram matá-lo, mas sem sucesso. O homem era suficientemente esperto para desaparecer, tal e qual o nevoeiro quando a manhã se torna tardia.

Quanto à criança, ao crescer, esta tornou-se a favor dos bruxos. O império passou a ficar entregue às mãos de uma menina mimada e com um estranho poder para conseguir que os homens fizessem aquilo que ela mandava. A SPV, lentamente, passou a tomar poder sobre todas as vidas humanas. Só as Fadas escaparam das intricadas e sinuosas teias da Magia Negra se enfiava por cidades, aldeias e feudos.

Uma das primeiras acções que a nova "Guarda Imperial Bellante" tomou foi rasgar, literalmente o Tratado da Magia Universal em 1975! A segunda foi declarar que nenhuma das Fadas seria permitida em vilas com mais de dez pessoas (Janeiro de 1978). A terceira foi descriminar os Cyborgs - feiticeiros de classe inferior criados em 1956, com o avanço das tecnologias humanas - a partir de 13 de Fevereiro de 1980. A partir de aí, a liberdade na Bellanária foi diminuindo, até que os Humanos foram reduzidos a terem de se submeter às leis que os bruxos tinham imposto

Apesar das repetidas sanções que o Palácio das Reuniões fez para castigar os bruxos da Grande Ilha, ninguém deu conta. Em Dezembro de 1989, os Comunistas foram expulsos a pontapé da zona do Norte - ou melhor, a maior parte deles foram assassinados. Os registos não oficiais contam com centenas deles enviados para a Fronteira, para serem devorados pelos Demónios. Embora Swerdinada Clarissa Di Neptunvs é considerada como uma humana, é óbvio que o seu lado de bruxa se destaca mais que o seu lado humano.

Ela ficou super contente por assinar a morte de mais de mil funcionários comunistas. Alguns escaparam, mas ela queria mostrar que podia ser tão sangrentas como o antigo líder deles, Joseph Stalin. Ela queria mostrar que o Império Constitucional das Ilhas Bellantes era - e é - o mais poderoso e fantástico de todos os países à face da terra

Nunca se saberá quem - nem porquê é que ele apareceu - foi o pai de tal mulher...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O Rouxinol Von Tifon

Não sei se já vos falei do meu bisavô Christoph William von Tifon. Então perguntei uma vez à minha mãe quem era o pai do Avô Adrian. A minha mãe - que prefere debater-se entre pepinos, tomates, raspadores de cenoura, cebola e pimentos - disse num tom muito insultado e indignado que nunca tinha conhecido (ou sequer ouvido falar) o "Avô" dela.

«E agora desampara-me a loja que o Reini não gosta nada se eu me atraso com o jantar!» Respondeu ela, com aqueles dois grandes olhos azuis, como se fosse uma juíza no meio de uma sala de tribunal a dizer que a sessão estava terminada.

Mas eu, eu não desisti até encontrar uma dúzia de livros poeirentos sobre o avô, colocados mesmo no fundo de uma prateleira, abandonada ao Deus-dará, no canto mais extremo da biblioteca, um canto que parecia nunca ter visto a luz do Sol. Vocês não gostam de ir ao sítio aonde a vossa família guarda todos os tesouros, aventuras, desventuras e podres? Eu adoro! Principalmente porque, uma hora depois, eu fico toda rouca da garganta. É no que dá ser neta de um velho saco de ossos alérgico ao ar puro.

Enfim, a máquina fotográfica ainda não tinha sido inventada na altura em que o bisavô viveu, e pelo pouco que sei sobre ele, o excelentíssimo Sr. Duque Christoph von Tifon raramente deixava que um escultor ou um pintor representasse as suas belas faces. É muito estúpido, porque eu acho que o meu bisavô não deve ter sido assim tão feio como o meu avô ou o meu Padrasto. Tinha um ar juvenil no nariz pequeno, em forma de cogumelo. Os olhos, claro, pareciam ser azuis, mas eu até apostava que eram verdes. Eram aquilo a que a minha Tia Charlotte diria: “uns topázios num lago salgado de algas”. Mas a Tia Charlotte é muito mais poeta que eu, e eu jamais arruinaria as frases dela com as minhas humildes e sujas palavras, acabadas de sair da fria Inglaterra.

O meu bisavô, naquela pintura, parecia sonhador, a olhar para uma toutinegra, com uma caneta antiga na mão, pensativo, mas com um leve sorriso no rosto angélico e nórdico. Era apesar de tudo, pequeno – aposto que não media mais que um metro e setenta – para a maior parte dos bruxos. Com uma constituição de monge pedinte, as túnicas púrpura elevavam-no ao estatuto de um poeta clássico. E quem sabe, se até ele era poeta? É que, segundo o meu bisavô nas suas cartas, quase coladas ao papel do álbum de fotografias de antigos retratos e recordações, a Mãe Natureza, os Deuses, tinham conspirado para que ele não fosse um bruxo, mas sim um artista.

E então, descobri que o meu bisavô era muito mais novo que a minha bisavó quando tinha casado com ela. No princípio do livro sobre ele, dizia que ele tinha nascido em 1750, quando a poderosa Senhora Murakami nascera em 1699. O casamento foi combinado à antiga, quando o pequeno Christoph só tinha dez anitos, em 1760. Quando ele atingiu a maioridade, em 1768, o casamento foi celebrado em Tóquio, com toda a pompa e circunstância, numa floresta conhecida da família demoníaca Murakami.

A seguir, noivo e noiva foram de navio até à Cidade Perdida. A Senhora Murakami tinha então sessenta e oito anos! Fiquei completamente parva. Imaginar uma senhora tão velha a casar com um rapazinho de dezoito anos fez-me rir. Penso que a minha bisavó nutria um sentimento quase maternal pelo marido.

E acho também que isso aconteceu com o meu padrasto e com a Sara. Mas a Sara…a Sara tinha dezassete anos quando o conheceu!

Mesmo assim, acho que deve ter sido uma união muito querida e carinhosa, a da minha bisavó e a do meu bisavô. Os poemas que o meu bisavô tinha escrito sobre ela eram lindos.

Se há um pensamento que me assombra,

É este de ser uma fria catacumba,

Um vaso simples sem ornamento,

Algo vazio, e no entanto um complemento,

À minha vida e ao meu mundo!

Mergulho, cada vez mais fundo,

Sondo as páginas do teu e do meu ser,

Mas, nunca poderei descrever,

Aquilo que há de mais profundo

No meu ardente querer!

Só tu, querida, com este teu fruto,

Maduro e preciosa maçã de Primavera

Faz com que eu fique mudo,

E faça com que a minha mente,

Se torne uma poderosa quimera!

O meu bisavô era o mais humano dos Von Tifon, mas casou com o lado mais demoníaco da família: a minha bisavó. É uma história linda a dos meus bisavós, não achas? Acho que ela só dizia que se tinha casado nova porque ficaria envergonhada. Ela dizia que se tinha casado aos dezasseis anos, mas acho que a minha bisavó tinha sofrido muito na vida para se apaixonar verdadeiramente por alguém. Ainda bem que apareceu um rapaz sensível e bondoso como o meu bisavô na vida dela. Ali estavam, as datas verdadeiras do nascimento de ambos. É impressionante que o meu avô tenha nascido da união destes dois. A minha bisavó não era malvada, ela só tinha passado por muitas coisas enquanto mulher japonesa. Ela só dizia aquela mentira piedosa de ter casado cedo por não queria que pensassem coisas ainda piores do que já pensavam.

E o meu bisavô – um amigo do peito do grande escritor Erwin Di Gracxiushandrian – que lhe dedicara todo o seu amor, adorava as crianças que ela lhe tinha dado. Quando penso que o meu bisavô é o avô da Sara, acho que faz um pouco de sentido que ele se tenha casado com a Senhora Murakami. Ela tem o mesmo ar distraído e brincalhão dele.

Até aposto que o meu bisavô nunca ligou para a Magia Negra. E estava certa nos meus palpites, porque ele, ele morrera em 1890, muito cedo para um feiticeiro. Os outros feiticeiros da minha família podem dizer o que quiserem sobre ele, mas eu cá acho-o um pão adorável naqueles retratos de casamento, com aquele rosto redondinho, os olhos grandes, tímidos e alegres para o pintor, a mão pousada ao de leve no quimono da noiva, o ar muito informal com que ele está. Ele até podia ser bastante porreiro, não acham?


O Nälden disse-me que os outros bruxos naquela altura o chamavam de "o Rouxinol", meio no gozo, meio a sério. Porquê? Porque o meu bisavô, em vez de praticar tiro ao alvo - com um demónio como alvo - ou de aterrorizar as populações humanas ao raptar as crianças, ele costumava escrever modinhas debaixo de um pessegueiro na Primavera, tocava um pouco de guitarra - parece que bastante mal - e declamava em voz alta, enquanto bêbado, em voz cantada, na hora de ponta, em Cyborg Town. Enfim, o meu bisavô era aquilo a que o meu avô chamaria de "um homem fraco". É que o varão da Senhora Añuli fora educado pela mãe viúva, à maneira camponesa e africana, e nunca soubera o que era reinar no Ducado da Cidade Perdida.


A única coisa que o nosso Rouxinol sabia era cantar, caçar com a caçadeira, a lança, e a adaga. Pobre rouxinol, num mundo em que o bruxo comum sabia aguentar uma garrafa de Frambinam inteiro, ele só bebia cerveja bávara "fraquita". Ai, pobre poeta das florestas do Sul e dos sonetos com duas quadras e três estrofes de cinco versos, com os teus classicismos e a tua pelezinha de menina, não me admira que os outros feiticeiros te chamassem de "Menino da Mamã" e "Sua Excelência, o Apêndice do Biombo Japonês". Essa última alcunha foi dada pelo Rei dos Bruxos, Kasimir Malaghetyev, que andava de mal com a Senhora Murakami lá por 1845. O meu avô Adrian chamava-o de "O da minha Mãe". Nem se atrevia a chamar "o meu pai" para não se lembrar do ser maldito que lhe tinha concebido.


Coitado do bisavô. Afinal, ele devia ter mas é ido para a Europa. Aí, ele seria um nobre de verdade. Mas, com as Invasões de Napoleão e as ideias iluministas , o meu bisavô preferia que o seu filhinho fosse para o Japão do que ser educado por um pai irresponsável. Acho que o facto da minha mãe "nunca ter ouvido falar" do meu bisavô deve ter sido provocado pelo "coração de manteiga" do meu avô Adrian.


No século dezanove, quando o peso da idade lhe ensinou que o filho devia mas é tornar-se um bruxo a sério, ele passou a escrever poemas mais escuros, como este:


As folhas vermelhas de Maio caem,

Caem na minha sangrenta alma,

Formando uma rica, exótica paisagem,

Que escureceu, subtilmente, a minha personalidade calma!


São tiros que esbombardeiam,

No meu germânico coração,

São falinhas serenas e mansas,

Escritas na palma da artistica e feitiçeira mão!


Este país faz-me lembrar o puro e alemão pinho,

Que só o traz o mal no cheiro,

Mas este meu rebento desenvolve um mesquinho espinho,

Este país fará da minha semente o mais terrível feiticeiro!


Atira-se para as ilhas a complicada, continua e fatal malha,

Perde-se a vida, ganha-se na família a batalha!


O meu bisavô, mesmo assim, nunca deixou de amar a sua família - mesmo que o filho varão o odiasse de morte, mesmo que o meu avô o chamasse de "o marido da minha mãe", mesmo que, durante os treinos de espadachim, tentasse magoar a sério o próprio pai, o pai sempre o perdoava. E, agora apesar de tudo, Christoph William é considerado como um dos grandes poetas bellantes. Em 1940, no quinquagésimo aniversário da sua morte, os vários feiticeiros bellantes do "Clube da Cimitarra" (uma associação secreta que promovia a defesa bellante, associada com os Demónios, os Deuses, os Feiticeiros e os da Resistência) chamaram-no de "O Kolmanatry Nobre", por este ser muito excêntrico e gostar mais da música do que da Magia.

domingo, 29 de maio de 2011

Espelho, espelho meu: há uma bruxa neste eu?

Uma perguntinha: já alguma tiveram como comentário ou mensagem "O senhor/senhora não devia postar isto porque é controverso, politicamente incorrecto e vai contra as leis do seu país?"

Eu já. Sabem que só por causa das minhas histórias no deviantart, tive imensa gente a dizer que eu era maluca, que eu devia ser mesmo uma bruxa, e que devia mas é parar de teclar no computador, porque nunca se viu uma portuguesa burrinha a escrever sobre mundos que têm erros gramaticais na tradução, falta de imaginação e má estrutura de personagens.

Até acredito nessas palermices, mas se me disserem que os meus vilões Nazis são uma desculpa para me armar em Santa Madre de Calcutá e defendê-los, eu juro que mato alguém!

Quer dizer: uma pessoa já não pode brincar com nada? E depois, há tantos ditadores no mundo (alguns fingem serem democratas), qual é o problema de falar sobre a verdade? Ah, pois é, a verdade dói, não é minhas senhoras "justas e que sofrem pelo Holocausto". É que Israel tem um programa de armas nucleares e a Itália tem aquele problema do Berlusconi. Não vou falar da Polónia, porque esses, são os que sofrem mais.

Falam como se eu fosse uma bruxa, ignoram-me, fazem de conta que eu não existo. Entre outras palavras: estou farta do deviantart! Se alguém é escritor, ou tem de ser uma estúpida de uma loura qualquer que só saiba escrever sobre "rpg"s - vocês sabem, aquelas coisas inspiradas na época medieval ou no "Senhor dos Anéis" ou em coisas ainda mais idiotas. Eu até gosto de RPG, eu sou uma fã de anime e gostei imenso do filme.


Há artistas para tudo. Mas, pomos uma brincadeira tipo aquelas revistinhas pornográficas dos Anos 70 ou uma cena picante do Assassino do Amor, e há uma rapariga a dizer: "Ele não era sexy!" Eu também nunca disse isso!

Ora que essa. O meu nome no deviantart é Princesshamanarta, baseado num dos nomes das deusas que eu criei para a Bellanária. Portanto, as pessoas pensam que eu sou cor-de-rosa, uso sapatos de salto alto e sou um zero á esquerda a Inglês. Encontrei pessoas fantásticas no deviantart. Muitas delas ainda são minhas amigas. Outras, simplesmente ignoram os meus comentários, e não olham para o meu ID, cartão de identidade virtual a cores com uma fotografia óbvia para esclarecer que sou uma bruxinha.


Conclusão disto tudo: nos meus blogs em Português, digo que sou uma bruxa (Tifon é o nome da família de bruxos mais importante na minha história da Jessica) e toda a gente gosta de mim. Digo que sou uma santa - como sou - no deviantart, e as pessoas pensam que eu sou um diabo.

Isto não tem um toque de ironia? As pessoas no deviantart pensam que estou possuída pelas minhas próprias personagens. Falta um pouco para eu mandar estes tipos à fava e desactivara minha conta no dA.

Que pensam vocês disso? Eu sou o tipo de pessoa que seja uma bruxa seguidora de Nazis mortos ou uma fada?