segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Estátua da Vingança



Há muitos anos que eu já estou aqui, neste pedestal de pedra e de jade esculpido, perto do Poço das Três Bisavós da Senhora Murakami, perto da Praça dos Nove Gritos. Chama-se assim porque se supõe que foi aqui que a minha mãe, a Rainha Kalkashanta morreu ao dar-me à luz. Estou sempre habituada a ver os humanos a passearem por aqui, mas eles quase nunca me cumprimentam. Quando era mais nova, isso sim eram pessoas respeitadas, os homens. Tremiam, faziam vénias, com as suas mãos, beijavam a minha cauda de serpente e tudo! Agora sou apenas uma estátua de jade pintada, esquecida no meio de uma praça cujo nome raras são as pessoas que percebem o significado. A minha cara fria penetra bem dentro do seu coração, tenta adivinhar o que estarão elas a pensar sobre mim, e sobre os meus olhos amarelos de serpente. Mas ninguém quer ouvir o que uma estátua tem para dizer. A minha pele gelada de jade quase que não sente aquilo que alguns rapazes costumam fazer quando me atiram bolas de neve. Não sabem quem é que eu sou. Há coisa de poucos duzentos anos, costumavam haver pequenos rapazes que, por esta altura, colocavam oferendas em minha honra e enfeitavam o meu quimono de seda japonês e o meu roupão e túnica bellante de couro dourado com fitas brancas e azuis-claros. A representação da pessoa de quem eu era em vida, e da criatura magnifica, da inspiração que eu tinha sido para muitos dos habitantes do Norte – era algo que os fazia arrepios e ao mesmo tempo, uma sensação de protecção inigualável. Eu era a única pessoa que conseguia fazer frente ao Assassino do Amor, chinês maldito. Nós, as serpentes, somos como filhas da natureza: mesmo mortos, temos um pouco de alma para pensar, para ter olhos, para olhar para os Humanos. Os meus lábios, já gastos, outrora pintados em bétel, eram belos, e todos os homens tanto me temiam, quanto me amavam. A Senhora Murakami era uma amiga do meu peito, ela fazia sempre uma curta vénia e dava um ligeiro sorriso sempre que me via. Ela era uma filha da neve, ela sabe o quanto eu sofro. O meu cabelo, longo, negro tal como as penas dos corvos, costumava ser o mais invejado por todas as criaturas femininas. As mulheres humanas costumavam olhar-me com um lampejo de medo nos seus olhos. Afinal, que sou eu, senão a irmã gémea de Shamanarta, eu, Rusalka, a Rainha das Nagas?! A minha irmã simboliza a serenidade do Verão, eu sou o início da Primavera. Os humanos a quem os bellantes chamam de Russos puseram-me o nome de uma famosa fantasma eslava.



Quando soube deste tão insultuoso evento, fiquei com vontade de me agarrar ao rapazinho de cabelos de avelã que trocou a minha linda placa que tinha o meu antigo nome em japonês por um nome sei lá de onde veio. Que vergonha, agora já nem sei qual é o meu verdadeiro nome. Seja como for, eu não gosto lá muito do clima do Verão, muito menos o da Primavera. Prefiro o Inverno e o Outono, com as chuvas, a neve – oh, que coisa tão bonita que ela é, a cair ao pé do meu pedestal, enquanto os Homens morrem, estafados nos seus casacos pesados de pele de animais. Eu cá não me importo de os ver, eles é que nem dão pela minha presença, principalmente no Inverno. Se olhassem para os meus olhos, diriam que eu sou uma filha da neve, mas eu cá, sou mesmo uma filha de Jetwas, uma filha e uma irmã, escrava e rainha! Numa das minhas mãos, eu seguro um bastão de ouro – ou pelo menos, costumava ser feito de ouro, agora acho que é mais de bronze ou de ferro ou de outra coisa que substitua estes metais.



Quando eu era nova, costumava cantar nos grandes cabarets de Cyborg Town, quando os meses da Magia Negra chegavam. Quando eu era nova…Enfim, era tudo diferente. Os Invernos duravam mais tempo, os Verões eram mais curtos, e o meu corpo esticava-se sobre rapazinhos indefesos.


O meu corpo alto de mulher era atraente, todavia, ai de alguém que se esquecesse que a parte inferior era de uma serpente. Os meus quatro braços envolviam falsamente, com um ar tentador, aos jovens feiticeiros.



Antigamente, eles tinham medo de mim. Agora, ninguém olha para os meus lindos olhos amarelos, que conseguiam fazer com que uma mulher humana soltasse um grito de terror!



Em cada uma das faces, eu tenho uma bola vermelha pintada, para condizer com os meus lábios da cor do sangue. Com o umbigo e as ancas à mostra, eu desafio Jutierkajam, o grande deus águia demoníaco das tempestades e do mar revolto.



Não que eu me importe muito com isso nos dias que correm. Com os Russos a chegarem que nem baratas à nossa ilha, eu não tenho tido visto nada senão homenzinhos convencidos que julgam saber tudo sobre a vida. Já para não falar nos Nazis, que quiseram deitar-me abaixo, os idiotas!



Se eu pudesse, dava-lhes um enorme puxão de orelhas! Ah, mas eu não vou permitir que me tirem do meu querido pedestal, me dispam das minhas queridas roupas envelhecidas pelo tempo e que me partem em bocadinhos, como fizeram a outras figuras divinas. Afinal de contas, sou uma bellante, e vocês sabem muito bem o que é que se diz sobre as mulheres bellantes: “Quem quiser fazer troça de uma mulher das ilhas, é melhor que corra a milhas depois de a ter traído!”



Contudo, hoje estava tudo muito calmo. Um Kolmanatry de origem judaica parecia estar a tocar uma bela sinfonia, perto dos campos dos Von Tifon. Gosto imenso dos Kolmanatries. Eles não são como a maior parte dos humanos, eles conhecem a Mãe Natureza. Eu ouvia atentamente a sua melodia, e, pouco a pouco, senti-me como nos velhos tempos em que estava viva.



Aquele jovem rapaz humano decerto tinha um talento especial com o violino! Nunca tinha visto ninguém a tocar tão bem um instrumento, a expressar os seus sentimentos poéticos aos elementos, às cerejeiras em flor…E eu vi-o com os meus próprios olhos. Reconheci que era logo um judeu por causa do seu nariz grande e curvo, e da sua cara pálida…Tal como a neve!



Era belo, tão belo quanto o próprio Assassino do Amor, o meu eterno inimigo! Subitamente, um velho instinto impiedoso de matar invadiu a minha eterna alma! Aquele homem tinha uns olhos esquisitos, uns olhos semelhantes ao do antigo feiticeiro chinês que eu tinha enfrentado há milénios atrás.



Ele tinha matado várias mulheres da minha espécie, e eu tinha congelado de morte e de medo muitos dos homens dele.



Tínhamos, sem sombra de dúvida sido inimigos um do outro em vidas passadas. Ele, o Diabo dos Infernos, eu, a Mulher Serpente do Inverno e do frio do norte. Senti uma vontade de o estrangular com as minhas garras eu própria! Porém, eu não podia fazer nada, estava pregada àquele maldito pedestal.


Era a maldição que Samiel tinha arranjado para me manter quieta. Já que eu era da classe dos demónios, ele tinha que me manter presa em algum sítio. Escolheu, portanto, aprisionar-me numa estátua de jade pintada.


Mas enfim, não quero alimentar mais o meu ódio que tenho por aquele homem!



De manhã, fiquei mais calma quando o nosso Senhor de Quem Somos Todos Escravos passou por aqui. Subitamente, escutei gritos vindos do Château von Tifon. Que se passava ali…?



Eu sabia que aquele grito era da neta da Yui, mas nunca pensei que mais desgraças viessem a ter encontro àquela pobre e pura princesa!



Tentei cheirar com o meu pobre e fino, pequeno demais, nariz, o ar frio do vento, mas, repentinamente, tornou-se quente. Sua Senhoria estava a dar uma maldição àquela rapariguinha mestiça.



É claro que não era nada comparado com aquilo que me tinha acontecido a mim! Aquela princesa ia ser capaz de o ultrapassar...



E o facto é que, numa questão de minutos, eu já não escutava mais o ar seco do calor insuportável. Chuva. Estava a chover… A chuva lavava todos os meus problemas. Fiquei com os olhos um pouco salteados de lágrimas, mas não me importei. Desde que o antigo ducado ficasse mais fértil e as frutas mais maduras que nunca.



domingo, 10 de outubro de 2010

A Bela Fragrância e Azul Esverdeado





As escarpas dos maiores picos eram bem definidas pelo cor-de-rosa do crepúsculo, formando lindas gigantescas rosas como única paisagem, e, bem no fundo, na beira do precipício, as fantásticas quedas de água do Rio Bênção, cujas margens estavam cobertas de um manto verde e fresco, colorido pelas luzes românticas da madrugada, formando um lindo cenário natural. Estávamos no pique do Verão, porém ela agachava-se bem quente sobre o manto verde-escuro, escondendo, com inocência, a sua carinha amarela e pálida.


Havia uma certa magia em todo aquele sítio que a fazia sentir-se bem, tudo era tão inclinado, e apesar de ver perfeitamente que aquele caminho era o mais perigoso até à Bellanária, com apenas a uns centímetros de uma queda de cem metros até aos poderosos rápidos, que corriam violentamente contra os penedos e rochas duras que esculpiam o cenário do desfiladeiro que constituía o leito do rio. Nunca, em toda a sua vida, ela tinha visto tamanha força num só rio!... O poderio e majestade dele fascinavam-na tanto que nem reparava no irmão mais velho, que olhava de relance, desinteressado, para a janela.


Quing viu que os seus brilhantes olhos verdes se espelhavam bem lá no fundo do desfiladeiro, e lhe davam um ar brilhante azul esverdeado aos seus cabelos escuros. Fen Li era uma rapariga muito jovem e interessante – era óbvio, era a sua irmã – e com os seus treze anos, poderia muito bem ter arranjado o melhor dos maridos, com aqueles cabelos de lótus negro, penetrando bem dentro do seu coração. Ela era suficientemente simples – uma miúda de campo nunca é inteligente, segundo os princípios dele – para que um senhor de guerra a aceitasse como principal mulher. Mas, tão pouco seria assim tão ingénua quanto belo era o novo visual do novo lar deles. Era inteligente, era, porque sabia demasiado bem como falar Bellante, como também conseguia preparar óptimos cozinhados. A jovem escrevia como ninguém, e, para ser realmente franco, ela era muito melhor espadachim, cavaleira e guerreira do que ele próprio.


Quem lhe dera que não fosse tão lógica, tão forte, … Mas ela era assim; mesmo mais nova do que ele uns bons três anos, Fen Li estaria sempre a um passo à frente dele.




O cocheiro parou de repente os cavalos alados numa saliência, numa espécie de planalto de granito, onde se podia avistar um vale grande e inóspito, por onde o rio era desviado até a uma gruta, suficientemente enorme para o engolir, até às Florestas de Cristal. O ar ali era rarefeito, mas muito mais puro do que na capital, e, por isso, os ciprestes formavam uma muralha natural até lá. Ainda se podia apanhar o cheiro a laranjeiras e framboeseiros que de lá vinha. Era realmente um cenário lindo, pensou Quing enquanto ponha as mãos sobre os bolsos da túnica oriental, dirigindo os seus olhos para o vale, aspirando profundamente o cheiro a eucaliptos.


O cocheiro, com o seu quimono simples, arrastou a jovem rapariga até si, mas, os olhos verdes e rasgados do irmão mais velho apareceram sobre ele, como duas lanternas no meio da madrugada, e rapidamente, o velho cavaleiro japonês fez um gesto com as mãos.


- Jovem mestre Quing, eu não queria desonrar a vossa irmã, de maneira alguma, ela é mais do que uma formosa obra de arte, é uma espectacular obra de arte viva! – Exclamou, ardentemente, o cocheiro, recuando servilmente.


- Sim, mas não sereis vós quem há-de a ter como esposa, velho ronin deserdado, vagabundo! – Cortou friamente o irmão, contendo a espada na bainha.


Imediatamente, Fen Li interveio, preocupada, aproximando-se de ambos os dois, pondo uma das mãos de fora do manto verde-escuro, revelando um pouco da sua linda túnica azul-claro, que adelgaçava as curvas das suas ancas, desenhado através de seda, e com lindas, graciosas linhas douradas, de peixes e de dragões verdes. Os bracinhos estavam ocultos por detrás das longas, delicadas mangas, e os seus olhos negros brilhavam sobre a manhã fresca, como duas oliveiras.


- Por favor, honrado irmão. – Disse ela, serenamente, na sua voz de rouxinol, o cabelo estava apanhado por umas duas tranças lindas, que faziam ainda mais belo o seu rosto. – Temos de continuar, ou quereis derramar ainda mais sangue do que a nossa mãe quis?


Ao som em Chinês da palavra “Mãe”, o jovem aprendiz de guerreiro calou-se, em silêncio, porque sabia, sabia muito bem porque é que a mãe lhes tinha mandado para ai. Um arrepio passou-lhe pela cara, e lembrou-se de como a mãe tinha sido generosa ao enviar-lhes ao cuidado de um tio que nunca tinham conhecido em toda a vida. Estava habituado a ter parentes em sítios que nem sequer faziam parte das rotas migratórias chinesas. O que tinha sido combinado entre a mãe e o vagabundo samurai era que caso os miúdos não quisessem ir para a Bellanária, ele teria o direito de lhes trazer até à Fronteira, a Terra dos Demónios. E não estavam assim tão longe do caminho para o sinistro reinado de Tsesustan. Temia pela irmã, e temia também o que é que lhe poderia acontecer se o Deus do Mal lhe pusesse os olhos em cima.


Apenas rezava que tal desgraça nunca acontecesse…!


Acenando que sim com a cabeça, ordenou ao Cocheiro para que lhes transportasse até Cyborg Town, onde o desfiladeiro ficava mais largo, para que os rápidos acalmassem. Fen Li, por uns momentos, enjoo, quando o desceram uma escarpa, de maneira súbita, mais veloz e abrupta que um relâmpago, tão sibilante quanto o rugido de um tigre. Mas logo Quing acalmou-a, protegendo-a com os seus braços. Adorava-a, e jamais permitiria que algo de horrível lhe acontecesse.


domingo, 3 de outubro de 2010

Uma nova vida espera-a....


Antes de vos contar a história de Fen Li e de Quing, tenho de vos dizer o que aconteceu com Eleonora....





....tal como disse anteriormente, as versões dessa história variam muito....alguns dizem que ela engravidou do Assassino do Amor, outros dizem que ela fugiu, outros dizem ainda que ele matou-a sem qualquer pingo de piedade.


Seja como for, depois de Eleonora, nunca houve outra mulher que incendiasse nunca mais o coração gelado do Mestre Samiel.


Só para resumir as coisas, a nossa jovem Princesa, filha dos Reis Humanos da Bellanária, passou sete noites no castelo do seu "protector". Durante as seis primeiras, nenhum dos servos ou bruxos que habitavam naquele castelo suspeitaram das grandes jogadas de sedução e das tentativas falhadas que o senhor deles fez com que acontecesse. A rapariga era tão resistente que ele não conseguia, de forma alguma, deitar-se com ela.


Contudo, a sétima noite foi diferente das anteriores. Ao fazer ternamente carícias e a pousar lentamente os lábios em cada ponto do corpo indefeso da princesa, o temível bruxo descobriu que ela era sensível a esse ponto. Que ela se deixava derreter pelos sentidos, e não pelas palavras. Ele, o homem alto com mais de um metro e oitenta, segurava-a nervosamente nos braços fortes, com um olhar quase incrédulo, pressionando e mostrando os seus sinais de excitação de encontro com o corpo dela. Mesmo assim, a jovem de cabelos encaracolados e castanhos ignorou os chamamentos apaixonados que ele lhe fazia. Eleonora era diferente, não se deixava hipnotizar tão facilmente como as outras, não tinha medo daquele homem.


Meio desesperado, ele lá ouviu o que ela tinha para dizer, e agarrou-a com força pelos cabelos, à medida que as palavras dela saíam, fluentemente, em chinês. Porque é que as princesas bellantes tinham de ser assim tão perfeitas?... Tão aristocráticas?! Os instintos masculinos dele diziam-lhe outra coisa. Os lindos lábios dela continuavam sérios e frios, enquanto os olhos dele não conseguiam resistir ao feitiço. Afinal, era ele quem estava enfeitiçado Ele tinha sido atingido pela flecha do Desejo...Amor...há quanto tempo não escutava aquela palavra!... Há quanto tempo que não tinha uma noite daquelas...


Quanto à jovem princesa de dezasseis anos, ela não sabia o que se passava consigo própria. Tinha tentado fugir dele, mas, por mais que tentasse, não conseguia dizer que não...


Passado o tempo do conto, as palavras quase que lhe saíram de repente, agarrada com o colo nu sobre as pernas grandes do homem, ela viu não um vilão, mas um homem pleno em virtude e rodeado de vários inimigos.

Com a roupa interior cor-de-rosa a roçar no tronco forte dele, ela murmurou gentilmente:


- O que achastes da minha história?


Por fim, ele roçou ternamente os lábios nos lábios dela, e os lábios de Samiel sabiam a hortelã-pimenta gélida e queimada. Esta sensação de inferno assaltou de imediato todos os poros da rapariga, mais corada do que o costume, ao escutar o pulsar sedutor do coração do feiticeiro, a respirar de êxtase.


- Foi maravilhosa! - As garras do feiticeiro alongaram-se até chegarem à cintura frágil da princesa, e a voz aguda e ameçadora de Samiel era agora um cicio falsete e quente. - Agora, minha pequerrucha: deixai-me contar-vos a minha história!


Rapidamente, com uma força incrível, quebrou as correntes que aprisionavam a jovem à sua virgindade. Por fim, Eleonora cedeu cegamente às bizarras fantasias sexuais do seu senhor e beijou-o furiosamente, como se ambos se tocassem entre as chamas da paixão. Ela estava a sentir-se tão bem, e naquela altura, pareceu-lhe que o homem tinha descortinado o véu que o separava dela, para enfim serem um. Um sorriso voluptuoso brilhou no formoso rosto da princesa humana. Porque é que o prazer não deixava de desvanecer no estreito abraço do terrível Assassino do Amor? Porque é que agora, o desejava perto de si?


Embora a mente quisesse gritar por socorro, o corpo continuava a ansiar pelos beijos e pelas carícias e pela voz maviosa do Assassino do Amor. Queria dar-lhe um estalo na cara, queria fazer com que a sua voz gritasse aos sete ventos que estava a ser violada por um malvado, mas as mãos não cediam, e a voz não lhe saía da boca, a não ser que fosse apenas para soltar gemidos estranhos. Mal olhasse nos olhos de Samiel, as suas coxas abriam-se à sensualidade! Mesmo que tentasse gemer, o Assassino do Amor silenciava-a, mergulhando ambas as línguas numa virilidade impressionante.


Cada vez que ela soltava um gemido, mais fundo ele ia! Estavam agora unidos, naquele estranho laço de amor e desejo, e ela queria sentir mais uma vez, aqueles líquidos a entrarem para dentro do seu corpo! Lágrimas rolaram pela cara mal o seu corpo acabou de ser profanado. O templo que ela mais estimava, arruinado e destruido, mas decorado com um estranho aroma a pêssego e a maracujá...


Em breve, o Sol já resplandecia uma vez mais sobre a camada azul-celeste. Samiel, adormecido com a pesada cabeça sobre o peito lindo da formosa fada, dormia profundamente, e o seu sorriso confirmava uma sensação de paz que jamais o Castelo Negro tinha antes experimentado. Por umas raras e preciosas horas, o severo senhor de temperamento sádico esteve feliz.


Aquele sorriso de orelha em orelha, nunca visto, desapareceu tão incrivelmente como veio quando ele acordou pelas lambidelas do seu inseparável tigre da Sibéria. Ele reparou que ela tinha os olhos fechados forçosamente e assustados. Iria fugir...? Aquela voz de anjo fora um sonho, e talvez já a tivesse matado...Nem ele próprio se lembrava. O mais estranho de tudo aquilo é que ele nem sequer se lembrava de ter sugado a energia vital àquela rapariga. Subitamente, algo de surpreendente aconteceu, algo que ele nunca tinha previsto: num ressalto, ele beijou apaixonadamente o rosto pálido da menina pálida, mas desta vez, não foi nos lábios, mas sim na testa.

«A minha Princesinha...» Samiel murmurou, amargamente, começando a soluçar, com a sua voz de um jovem caprino. «Matei-a...? Que fiz eu...?!» Cheio de remoros, tentou recordar-se do que ele tinha feito antes de ela lhe ter contado aquele maravilhoso conto. Tinha-lhe soprado um pó...


Era veneno, que actuava dentro de vinte e quatro horas, caso ele começasse a sentir algo por ela. Logo, aqueles sentimentalismos desapareceram. Lembrou-se do facto de Eris lhe ter dito: «Tu nunca tens tempo para os sentimentos...» E era verdade. Tinha sido a sua querida família, os seus amigos da China que lhe tinham ensinado isso.


Obviamente que Eleonora sentia um inevitável amor por Samiel, por isso é que se tinha submetido a tudo pelo que ele a fizera passar.


«Infelizmente que eu não...» Riu-se cruelmente uma vez mais. Com as mãos sob o seu manto de dormir, chamou os fieis servos dele:


- RAPAZES! Preparem o pequeno-almoço...!


Dito isto, soltou aquela gargalhada sinistra inconfundível que qualquer habitante da Bellanária reconheceria: a gargalhada aterradora e maléfica que o Assassino do Amor soltava quando acabava de matar uma rapariga inocente.


Jerininantus foi de imediato até ao quarto onde o seu senhor estava a trautear uma antiga música chinesa.




sexta-feira, 24 de setembro de 2010

James Dark Sword - criança no corpo de um homem


"....Se alguém merece um pouco de esclarecimento, esse alguém é o James Dark Sword. Possivelmente, esta é a única pintura ou imagem que encontrei dele sem aquela máscara de porcelana, em que apenas se vê os lábios dele, e mais nada. Não se sabe quem é a criança que corre a fugir dele, mas o cabelo dele - segundo o que dizem as pessoas - pode muito bem ter escurecido para revelar-se ruivo. Dark Sword era, pelos vistos, uma criança de olhos verdes-escuros e uma camisola negra à marinheiro, com umas calçinhas pequeninas e uns sapatinhos vermelhos. Não mudou absolutamente nada.

É por isso que eu não gosto nada dele, é um pouco para o maluco. Um feiticeiro que se fosse parecido com o Assassino do Amor, então toda a gente na Bellanária diria que este chefe escrupuloso, dramático, amante de festas, cavalheiro, sempre com um sorriso na cara - se é o que se pode chamar àquela máscara horrorosa de porcelana de cara - é a reencarnação do Assassino do Amor. Não podiam haver pessoas mais diferentes, segundo a minha opinião. Enquanto que nós sabemos parcialmente algumas coisas sobre Rwebertan Samiel Di Euncätzio, não se sabe absolutamente nada sobre James Dark Sword, nem sequer se é esse mesmo o nome verdadeiro.

Os bellantes mais velhos dizem que ele era, antes da segunda grande guerra, um nobre milionário, um descendente de uma casa nobre ou real qualquer britânica, que foi esquecida pelo tempo. Para além da antiga polícia bellante - ironicamente chamada de Resistência - não se sabia mais nada sobre ele, nem aonde é que vivia, nem como. Só se sabe que tinha uma suposta irmã - Felicity Dark Sword - que sofreu muitos atentados contra a vida. Vivia uma vida de luxo e de prazer, sempre às custas do ordenado que recebia - e de mais outras coisas que nunca vieram à superfície.

De uma maneira ou de outra, James Dark Sword continua a ser um amante da boa vida e das festas, mesmo que isso faça com que ele corra, muitas vezes, perigo de vida. Pelas testemunhas que o viram, ele é um homem alto, bem constituído, de olhos verdes escuros e agradáveis, sempre com roupas bem elegantes (que, até de longe realçam a sua forma acrobática e atlética) , uma capa negra de veludo a cobrir-lhe o corpo másculo, e uma espada muito poderosa presa á cinta, embora o Conde Dark Sword seja um homem de muitos recursos.

Hábil nos flertes e nos galanteios, ele é a única razão pela qual eu e a Serpente de Fogo temos uma coisa em comum: odiamos o homem por completo! Primeiro porque é um dramático teatral de primeira, que quando fala em Inglês, parece que está a recitar uma obra de Shakespeare, segundo porque é um idiota chapado que faz com que a maior parte dos Tienenses o admirem, tanto quanto o temem. Não é como o Assassino do Amor, cujo as pessoas do Norte odiavam de todo. Este homem [o Dark Sword] tem o seu ar de cavalheiro justiceiro, que oferece uma rosa azul a uma dama e recusa-se teminantemente a lutar quando as "senhoras" estão por perto. Enquanto que o Assassino do Amor preferia manter-se nas sombras e não ser visto, Dark Sword faz os possíveis - e os impossíveis - para ser notado pela sociedade de Cyborg Town.

E, quanto a ele, acho que é tudo....e mais uma coisa: o Pedro (o sobrinho cyborg do castigado deus Tezcatlipoca) adora o Dark Sword. Tanto que até costuma compõr canções sobre ele na guitarra. Não que isto ajude lá muito a pastelaria, café, snack-bar do tio Tezcatlipoca, mas o Pedro sempre foi um rapaz muito despistado. ... "

Parte do diário de Jessica von Tifon....porque eu queria desenvolver a personagem da Jessica, e não me ocorria outro texto senão descrever o Dark Sword, que é uma das personagens mais teatrais e exibicionistas que eu alguma vez criei! :D

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Praga, Cidade dos Mil Demónios 5

Cyborg Town, Cidade dos Mil Demónios



Para mim, tens o nome de uma desgraça,

Iminente, ò eterna cidade,

Para mim, o teu nome atrai toda a minha massa,

Massa inteligente, ó amaldiçoado sangue,

Licor de framboesa da minha própria cave!

Sangue de mil demónios que corre pela chave

Da minha própria mente!


Querida Cyborg Town (2x),

No meio da escuridão,

Tão longe da minha imaginação,

Tão longe daquilo que eu possa alcançar,

No meio daquilo a que eu chamo o Negro bazar,

Por entre mil ruas, andarei sempre a me embriagar,

No teu querido perfume alcóolico, Cyborg Town!

(Mas sinto-me aliviada que ainda não descobriram

O cigarro de ópio que me ofereceste, o segredo

Só meu e teu, as cinzas coloridas nunca me feriram

A mente, aquilo que eu tenho de mais negro!)


Contudo, sinto-me atraído por ti, querida Cyborg Town,

Porque não és nada mais que uma reflexão minha,

Um ponto dourado no meio do horizonte,

Que consigo agarrar com o meu monte,

Bem no meio das pernas, bem no meio das minhas enluvadas mãos!


Cyborg Town, a ti pergunto-te,

O que seria de ti, que serias tu?

Sem o teu demónio preferido,

Um monte horroroso de cu!


Na verdade, eu queria falar sobre Praga, não sobre Cyborg Town, mas a musicalidade do poema é tanta que dá para a mesma. Dá para reparar que os Tienenses - os habitantes de Cyborg Town - não são nenhuns santinhos. Mas isto é um pouco a gozar com a minha ideia do Tienense - um mercenário bêbado ou uma prostituta que se droga às escondidas. É verdade que os Tienenses são muito diferentes dos restantes bellantes, mas quem não seria, com uma mistura de tantos povos e nacionalidades - japoneses, russos, alemães, italianos, árabes, nórdicos, irlandeses - na mesma cidade?

A má reputação dos Tienenses é devido ao seu humour mordaz, a forma quase caótica como as ruas estão organizadas, e , claro, ás várias histórias de terror que são contadas, naturalmente, sobre o norte.

As pessoas ficariam espantadas que de entre a população Tienense, só 30% fuma, e 45% bebe como divertimento 3 vezes por semana. Pois é, tal como todos os estereótipos, este estereótipo que eu criei do Tienense está muito enganado, embora uma coisa seja verdade: eles vivem mesmo para a música!

sábado, 21 de agosto de 2010

Falta de Inspiração......

Ok..........antes de tudo, queria dizer que estou um pouco ocupada com o projecto de "animação Cosplay" com a www.lanorthway.deviantart.com.

Ela já está em aulas, e eu estou de férias. Como resultado - completo aborrecimento. Eu gosto muito dela, e só espero que ela consiga fazer o melhor possível para pôr as minhas personagens espectaculares. Até agora, não me tenho queixado. As personagens estão espectaculares, mas ainda estamos na fase dos sketches.

Em segundo lugar, eu adoro escrever com ela os guiões. Muito melhor do que as minhas histórias....E por falar nisso, só queria saber se algum de vocês não gosta das minhas histórias "politicamente erradas" que falam sobre Nazis e tal. É que se não gostam, basta comentarem!


Eu quero que as minhas histórias se adaptem aos leitores, não o contrário! As histórias do Assassino do Amor não estão assim lá grande coisa, portanto não vou publicar mais, uma vez que nunca peguei nelas desde que ando ocupada com o deviantart. ^^;

Mais uma vez, peço desculpa pelo atraso. Queria que vissem um pouco das minhas histórias que publico no dA mas se não querem ouvir de Heydrich para cá e Hitler para lá, então não ouçam! :P

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Cidade dos Mil Demónios 4

Perigosa Fonte de Inspiração

Interno desejo, bela tentação,

Um pedaço de espelho partido

Uma parte de ti que nunca imaginaste ter,

Será que alguma vez conseguirás livrar-te de mim,

Aquele amante que ainda passeia na tua imaginação!

Oooh, loucura de imitação, loucura de inspiração,

Será que alguma vez eu te irá deixar?

Não enquanto eu estiver aqui!

Tu entraste na porta do desconhecido,

Na porta daquilo que não é permitido,

E agora queres-me deixar, queres deixar de ser

Aquilo que mais temes, aquilo que te permite escrever

Doces palavras que ainda te fazem tremer…

Oooh, porta do desconhecido, porta do poder,

Será que alguma vez eu te irei libertar,

Não enquanto me pertenceres!

Não sei o que se passa com a porcaria do blogger, mas parece que não consigo fazer um único espaçamento! :(