domingo, 28 de setembro de 2008

Inspiração para um Narciso Negro...



Algo está para nascer em mim...uma espécie de semente tripla, que liga três vidas num só círculo...por favor....Ajuda-me...



Não sei lá muito bem se hei-de escrever ou reescrever este livro de memórias, que tanto tempo me deu a recolher, todos os factos, todas as alegrias, todos os amores, todas as tristezas, as lufadas de ar fresco....!



Dois diários que contam a história de duas raparigas, uma continuação da "Lua dos Meus Sonhos"... Uma órfã que encontrou uma prometedora e engraçada, divertida família, e, possivelmente, o seu verdadeiro amor...!


Uma jovem herdeira de uma grande potência comercial, Swerdinada (a Serpente de Fogo, como conhecida nos clubes nocturnos e locais de diversão da noite na cidade de Cyborg Town), de vinte e dois anos tem tudo para ser feliz: uma fortuna deixada pela mãe deusa e pelo seu querido pai Neptuno - o governante de uma ilha que segue um estrito e hierarquico regime monárquico liberalista - um corpo com uma cintura de cinco centímetros de modelo digno das grandes estrelas americanas de cinema, um carisma e delicadeza dignos do seu nome, e poder....


A única coisa que lhe falta é um homem, pois devido às severas regras da fantástica Bellanária, ela só se poderá tornar-se rainha, após a noite de núpcias.



Annelina Sara é uma lutadora por excelência: dezasseis anos. Pacifista e corajosa, mas com um espírito surpreendentemente bondoso e condolente por todos aqueles que a rodeiam, principalmente os injustiçados e despedaçados orfãos, num reino onde a corrupção e a hipocrisia ameaçam envenenar as cortes da Cidade dos Deuses. Sobrinha do famoso samurai e temível, tirânico bruxo, o Duque Adrian Friedrich Von Tifon, dois dias após ter assistido ao traumático e dramático suicidio do avô, esta começa a lutar com uma negra depressão, e tentando ver, com a ajuda de Hans e Willhem, os seus irmãos por espírito e primos de sangue, a luz por detrás dos desastres do mundo...



No entanto, mal um desastre acontece sob os arredores da capital da ilha, todos os habitantes da Bellanária começam a pôr o dedo da suspeita sobre Eduardo Giovanni Oliviero Di Tutliari, o misterioso namorado da "Princesa Annelina Sara"... Dois frios e crueis oficiais nazis, o jovem Tenente-coronel Schwarzjaguar e o Major Karl Adolf Honestoffmann, chegam, para transformar a vida das duas princesas e da Família Von Tifon num autêntico inferno!


Será que Sara e Swerdinada conseguirão desmascarar o autor do crime - O Narciso Negro - e escorraçar os dois oficiais...! A não perder, ou talvez sim....Que é que vocçes acham?

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A Lua dos Meus Sonhos - situação política...


Era por isso que, agora, em 1932, mais do que nunca, a Rainha das Fadas dizia às suas vassalas para que não atravessassem a floresta sozinhas ou que fossem à cidade sempre com alguém como companhia. Havia muitas questões políticas em jogo, na capital da Bellanária, a enorme Cyborg Town, os Nazis começavam a ganhar poder na Alemanha graças ao grande apoio da classe dos Bruxos; a Serpente de Fogo acabara de ser nomeada regente a seguir ao seu pai, o Rei Neptuno, que estava nos seus últimos anos de vida; o povo citadino já começava a queixar-se que não queria uma fada como rainha; até o Conselhos da União dos Cyborgs e Feiticeiros Brancos fora abolida; havia uma crise mundial por resolver; a Rússia acabava de sofrer as consequências duma Revolução; Portugal estava num estado de depressão incrível; os partidos na Espanha estavam muito tensos; a Itália vivia já num regime ditatorial; e, quanto à pobre Bellanária, continuava mais firme do que uma rocha, enquanto os olhos invejosos da Ásia, da África, da América Latina. No entanto, a Princesa, como primeira lei, acabara por abolir o uso de qualquer objecto mágico que pudesse matar, e que apenas os feiticeiros mais ricos, e experientes pudessem usar esse tipo de armas. A era da Magia Negra acabara no príncipio do século vinte, a era da Magia Universal acabava de nascer, uma magia tão poderosa que seria preciso Deuses para a derrotar. Havia uma lenda acerca deste terceiro e extremo modo de magia: inventado pelo Deus Tut do Conhecimento, era uma magia com milhares, talvez milhões de anos, com o único propósito de acabar a disputa entre as trevas e a luz, a Magia Branca e a Magia Negra, o Bem e o Mal, fazendo um equilíbrio entre os dois. Esta Magia Universal era a Energia Radioactiva da Feitiçaria: os poucos que a possuíssem dentro si, teriam à sua espera o mais alto dos pedestais dos níveis de Feiticeiros, talvez nem o próprio Rei dos Bruxos seria capaz de competir com tal poder. Ora perguntam vocês “Como é que a Bellanária podia estar tão bem em relação ao mundo?!” A resposta é simples: por causa da rica princesa salamandra, a linda e desembaraçada Princesa Swerdinada, a única sobrevivente do assassinato e violação às sete filhas de Neptuno por Rwebertan Samiel Di Euncätzio, um bruxo tão vil e horrível, que, dentro do seu espírito, nada havia senão as vozes da vingança!
Este Assassino do Amor, uma vez servo de Tsesustan, ficou perdido de amores pelas sete princesas, mas a cada uma a virgindade arrancava, mais a sua alma ficava escurecida. Só Swerdinada fugiu a este terrível destino, nunca se soube como e quando…!
O milagroso facto é que esta rapariga, trespassada pelas lâminas do mais poderoso bruxo que há alguma vez a Bellanária ouviu falar, regressou dos mortos como princesa herdeira.
A linda Swerdinada, ia fazer nesse ano e dia os seus dezoito anos, e, era, igualzinha à dríade de quem estamos a referir, excepto o facto da ninfa de fogo ter nascido das últimas chamas de paixão e sensualidade que havia entre o Rei Neptuno e a Rainha Melnjar, que morrera de velha em 1929, catorze anos depois do nascimento da oitava pobrezinha salamandra, que não era nada menos que um avatar da Princesa que tinha sido esposa do poderoso Assassino do Amor.
Para compensar a perda da mãe à querida filha, o sempre caridoso e protector rei decidiu cobrir a bela princesa de mimos e guardiães.
Em breve, a vida, para a quente e selvagem Swerdinada tornou-se maçadora, dentro das muralhas do palácio.
Swerdinada era a cópia exacta de Sara, se não fosse pelo seu impetuoso comportamento da princesa. Rodeada sempre por homens, e educada numa sociedade maioritariamente machista, por mais surpreendente que pareça, a princesa saiu uma magnética, criativa e encantadora fada, que, por vezes, embriagada na fama e no deleite de ser admirada pelo povo atlante, tornava-se um pouco egoísta e demasiado brincalhona para as austeras tradições atlantes. Pomposa, mas ingenuamente generosa e amorosa com aqueles que amava, era muito bondosa e carinhosa por detrás daquele ar vaidoso, principalmente para com os mais desfavorecidos.
Além disso, tinha princípios, contra os homens, por exemplo: era uma fervente feminista. Era uma pessoa dum carácter bastante duvidoso: não gostava de homens arrogantes e convencidos, mas adorava fazer-se sentir desejada. Misteriosa, mas com um ar nobre e personalidade de líder, o seu lema era “A força de vontade dum homem move montanhas!”, aliás, duma mulher, que movia toda a Bellanária.

sábado, 6 de setembro de 2008

Annelina Sara - A Fadinha pobre...


Annelina Sara Lornam é uma amiga muito querida - tanto para mim, Jessica, como que para o resto da família - que veio das humildes Florestas de Cristal, quando nem tinha quinze anos, e se instalou nos quentes bairros de Cyborg Town, trabalhando como cantora de clubes nocturnos e salões.






O seu divino talento com a cítara - um instrumento hindu comprido da família da guitarra, do banjo e do alaúde, geralmente com com dezoito cordas, que se destaca pelo seu som metálico e glissandos; técnica de certos instrumentos que consiste em percorrer rapidamente e sem solução de continuidade, os graus de uma escala - é tão belo quanto a sua voz de anjo.




No entanto, por detrás do seu ar doce, a minha amiga tem sempre medo que alguém tente namorar com ela...e isso é que eu não percebo mesmo...Porque é que terá tanto medo do seu passado........?



É isso que tentarei descobrir, e só espero que prestem atenção, porque, senão,´é que não volto mais ao blogger.



tenho andado um pouco sozinha, e a minha família já tem andado a dizer coisas....!



um abraço e espero que este blog volte a ter visitantes. que depois eu comento os vossos!


quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O Mistério do Narciso Negro - a última flor de Outono


“ O Assassino costuma ser um antigo amigo da vítima…”
Agatha Christie


Hoje, darei um cheirinho de um novo romance policial que ando a trabalhar - a Lua dos Meus Sonhos já está completa - O Mistério do Narciso Negro.


Este, passa-se duas semanas depois da misteriosa morte do Duque Adrian Friedrich Von Tifon, o chefe da família dos Duques Von Tifon da Cidade Perdida.


Será que quererão ouvir as minhas histórias uma última vez....?


Prólogo…



Por vezes, os olhos podem pregar-nos partidas, mas apenas existe uma única coisa, em que existem duas completamente diferentes.
Eram 5 horas da manhã, e, sobre a Avenida Dríade Aurélia Benedita, não existia nem uma única vivalma, e, mesmo que estivesse, estaria ali apenas de passagem. Diziam-se muitas coisas daquele bairro de casas antigas do século quinze, renascentista, com alguns pilares e colorações, avermelhadas, brilhantes, como rubis incrustados em granito suave, polido, em grandes pedras. Este bairro, interior da Cidade dos Deuses, estava tanto de noite, como de dia, vazio, pelo que, a maior parte das enormes mansões e sumptuosas vivendas de antigos tempos estavam abandonadas ao Sol e à chuva, pequenina, que caía, trépida e pudica, durante o crepúsculo. Plana, limpa, com uma calçada de turquesa, esta particular parte da cidade apenas era habitada por uma família só, que se atrevia a ir, de tempos a tempos, fazer festas lá. Os Dark Sword, que possuíam a nº 945 do lado direito, uma maison vitoriana do século dezanove com três andares. O ar tosco, feio, triste, cor do Outono, dava-lhe uma certa penosidade, como se fosse uma prisão construída para os Homens da Inquisição, e, com as janelas quadradas, encadeadas por fortes luzes vermelhas bizarras que saíam das cinco estátuas, ou melhor as imponentes gárgulas do jardim com aproximadamente três metros de altura sobre os altares de mármore castanho, a mansão tinha um aspecto um tanto ou quanto bizarro.
Com as tijoleiras negras, a cobrir as duas torres principais da casa grande, este edifício triangular tinha uma complexidade simétrica de quase cinquenta metros de altura, e uma muralha a cercar o pálido, calvo, sombrio jardim de vinte metros quadrados, com as gárgulas aztecas como decoração, sem uma única árvore, apenas umas vinhas que chegavam até à janela principal, de arte mourisca, com um belo arco e uma flor de narciso como ornamentação em jade sobre as telhas da janela, esta era a única para avistar o quarto da Condessa, irmã de James Dark Sword.
Por mais estranho que pareça, o interior da casa era acolhedor, apesar de ter sempre aquele papel de parede rubi, acastanhado, que a Miss Felicity Dark Sword adorava, um átrio pequeno, com uma escada de caracol de mogno escuro folgada em veludo de cor de vinho, que desembocava numa bifurcação com dois corredores, no qual estavam dois quadros com os dois ominosos antepassados dos irmãos gémeos: Erika Dark Sword e Ezequiel Dark Sword. Pregado no tecto da casa, apenas existia uma única lâmpada vermelha, acesa por um pequeno diabinho com um tridente. Excepto o quarto de James e de Miss Felicity, as outras divisões eram apenas usadas quando havia festas na mansão ao estilo Nova Inglaterra.
“A nº 945”, como era apenas chamada pelos vizinhos, dizia-se ser assombrada pelos espíritos dos dois gémeos cyborgs, um monte de tretas para a mulher nova de vinte e seis anos, que, com um cigarro na ponta de uma boquilha vermelha, pontiaguda como a ponta de uma seta, iluminou o caminho de pedras triangulares até à estranha casa de feitio bizarro, parecendo ter sido esticada como se fosse pastilha elástica.
Á noite, não se podia ver muito bem, mas, com o rosto, rosado, de aspecto australiano, com um olho de metal cor de âmbar, meio verde, mexendo-se de um lado para o outro, como se fosse uma cascavel, apontou directamente para a Lua, que se ponha, graciosa, sobre o crepúsculo ardente. Orgulhosa, a mulher de estatura média, era uma deusa da tentação, sobre o cenário de aroma a melancia com pimenta, perfume favorito, que a envolvia numa nuvem sobrenatural de tentação, com um vestido branco e laranja de seda, o seu sorriso queimava até o coração mais empedernido de qualquer homem, e os seios, demasiado demonstrados sobre um decote diabólico, aguentavam umas pernas, escondidas sobre o doce, perigoso tecido de cetim. Com a cabeleira loira encaracolada solta num corte curto e selvagem, com um puxinho, como se fosse um redemoinho, os lábios vermelhos mascaram o tabaco, duramente, mas com uma sensação de prazer indescritível…Sobre as garras de pó-de-arroz, ela segurava uma malinha clássica, doirada, da chanel com cinco centímetros, e, com as unhas de três centímetros, brancas, ela estava lá, pendurada, como se fosse uma daquelas, que estava para a venda. Não, a Cyborg com pernas de noz não era uma dessas, e, com a sua constituição, bem atlética, e unhas pintadas de cor-de-rosa, o seu narizinho e ouvidos, atentos, escutavam e cheiravam qualquer coisa masculina que se mexesse e que tivesse músculos. Tal era o aspecto da misteriosa, glamourosa Felicity Dark Sword, a fumar a cigarrilha ousadamente, só, naquela avenida, sem um acompanhante sequer.
Minutos depois, acabou agradecidamente o cigarro, deitando-o indiscretamente, com um beijo sensual, para o meio da rua, ao escutar uma limusina jaguar Mark IV, bem comprida, aproximou-se da calçada de chamas. Entrando com os sapatos de salto pretos, como se patas bem aguçadas de uma crocodilo fêmea, a mulher sorriu, sentando-se sobre a escuridão do carro.
Confortável no cabedal do assento, ela avistou, primeiro, dois olhos verdes, penetrantes, e a seguir, sentiu o apertado, no entanto, quente, carinhoso, possessivo abraço dele.
A língua afiada do amante quase que sugava a garganta inteira da rapariga, enquanto que esta, retribuía com uma trincadela ousada no pescoço, lançando-se, como uma vampira, sobre a sua vítima.
- Ò amor… – A voz dela era grave, quase que para o sofisticado, mas com um toque sarcástico e convencido na voz.
De repente, ele largou-a, e falou-lhe num tom quente, em Espanhol:
- Uma prova do meu amor…Felicity!
Subitamente escutou-se, no meio daquele silêncio apaixonado, um grito aflitivo, de socorro, e, para ela…Ficou tudo escuro, como um narciso negro no meio dum lago de sangue…!


terça-feira, 19 de agosto de 2008

Um episódio engraçado... (Um pouco da história da vida passada da Serpente de Fogo e do Assassino do Amor)


'...Aconteceu há muito, muito tempo, quando eu estava para fazer os meus sessenta anos de idade e todo o meu arrependimento no coração começava a vir ao de cima, mesmo antes de eu o notar, um peso de chumbo na alma arrastava, com grilhetas mais pesadas que o próprio Inferno!... Quando Eleonora me deixou pela segunda vez, deixei de ter esperanças que alguma vez a Mãe Swertyhina me reservaria uma segunda amada para mim, e assim, os remorsos vieram assombrar-me à noite, como tenebrosos, aterrorizadores espectros dos meus antigos inimigos.
Sabia que tinha poucos anos de vida, só mais uns duzentos e quarenta anos, ou talvez quinhentos, mas Sabia que tinha poucos anos de vida, só mais uns duzentos e quarenta anos, ou talvez quinhentos, mas não passaria dos mil, de certeza.
Toda esta tristeza na alma me induziu, a cada noite que passava a tentar deixar a Magia Negra de uma vez por todas. Tentava não pensar nisso, comer até me fartar, mas nenhum dos prazeres mundanos, mesmo as mulheres e o álcool, que, anteriormente, eu considerava o melhor remédio para a depressão e o stress a que eu, um Feiticeiro daquele calibre, era sujeitado, todos os dias, poderia sucumbir…Uma pessoa não é de ferro, ora essa! E o terceiro-olho, o olho de Morte do Senhor Tsesustan, começava a chamar-me para a travessia da minha vida…tão Atormentado estava eu com tantos sinistros pensamentos, que decidira, numa noite terrível de insónia, recomeçar a minha vida, para que, ao menos, os Deuses se compadecessem de mim.
Por fim, ganhara uma consciência, mas não uma que não gostasse de mulheres…Pelo contrário, em mente e corpo, continuava o mesmo Samiel de sempre.

«Basta!» Disse para mim próprio, enquanto me revolvia sobre as alcovas, juntamente com o Tigre de Escuridão, que andava igualmente preocupado e sem conseguir adormecer… «Para mim, o Assassino do Amor, morrerá nesta mesma noite!» Assim tão convencido fiquei, assim tão presumido tornei a acordar, com o Sol nos olhos e o meu leal, simpático, valente companheiro de desventuras deitado ao meu lado, quase como que ronronando nas minhas pernas. E já sabia o que havia de fazer na vida: voltaria para o início, e sairia daquele castelo sombrio e solitário de uma vez por todas. Convicto, já levantado, mandei que planeassem uma nova mudança naquele sítio, para o melhor iluminar, pois aquilo parecia um inferno, com aquelas escadas, alas, escuras, e masmorras podres. Queria que tudo fosse alegre, e que nada me lembrasse da Deusa da Morte, a quem eu, em tempos, tão ardentemente, adorara. Estava com dúvidas, e, contudo, os meus Deuses não respondiam ás preces. Porque é que os Deuses não respondem perante a pergunta do porquê de um homem ser abençoado com um sinistro, obscuro, poderoso dom, milagroso! A ela e ao seu esposo, que naquele momento, nessa altura da minha vida, os recomendava ao Diabo. Assim fizeram outros tantos, que, confiantes em mim e nos meus ideais, me seguiriam para aonde quer que fosse, fosse a escolha que fizesse, eles acompanhavam-me. Obviamente, depois da minha greve, e ao ter mandado secretamente Jerininantus e Nimtauk, sabe-se lá porque razão, de metade do exército de idiotas que eu liderava, um terço decidiu ir-se embora, ou talvez mesmo matar-se, os tolos. Ri-me desprezivelmente deles por um bom bocado, e, depois, meti mãos à obra que tinha na cabeça durante muito tempo!…' ( versão inteira do prólogo do quinto capítulo da 3ª parte das Crónicas da Lógica e do Tempo)


Tudo na Atlântida – ou Bellanária, como quiserem – tinha-se passado, desde os vinte e cinco anos passados, e o Rei Neptuno estava contente. Não havia um sinal do Assassino do Amor pelas ruas, e tudo em Cyborg Town era belo, e maravilhoso, dinâmico. A cidade criada pelo temido, respeitado, e falecido – as pessoas agora acreditavam que o homem com o coração de ferro tinha morrido de velhice – Feiticeiro, Mestre Rwebertan Samiel Di Euncätzio, tornara-se numa importante polis, uma capital económica indispensável para o reino da ilha, e o culto do “Casal da Escuridão” tinha sido extinguido há imenso tempo. Viviam-se tempos, por fim de paz. Sob o céu, quente de Agosto, mais brilhante e precioso que, se o tentássemos agarrar com ambas as mãos, ela escaparia por entre os dedos, como areia molhada numa bela tarde, fresca, ao pé da praia. De manhã, tudo estava vivo, emaranhados naquela luz, maravilhosa, ritmada com os sons da cidade, e com os perfumes que dela emanava, havia algo mágico no ar. O cheiro delicioso a pastéis e a doçarias de todos os tipos era inundado pela pimenta e pelo quente, apetitoso chá verde de menta, com morango. Iguarias percorriam as narinas de todos, ou não seria esta a famosa “Cidade das Guloseimas e dos Prazeres”, e, enquanto o piano do centauro e a citar da fada tocavam, em acordes, harmoniosos, apaixonados, encantados, os gatos miavam contidamente com as suas vozes de sinos, as pessoas conversavam, as vizinhas mexericavam as notícias matinais, o Sol nascia sobre as montanhas, eclipsando o vale de Cyborg Town num belo arco-íris de um caleidoscópio de sensações, impacientes, ansiosas por diversão.

E, a Princesa Eudóxia Pelkafaninabaswerti, “Pequena Cobrinha do Açúcar”, como o pai lhe chamara carinhosamente, por ter uns lábios mais doces e ternos que o açúcar, e por causa dos seus olhos castanhos parecerem iguais a chocolate, rematado pela sombra de cacau negro e pelo rímel apimentado dos ornamentos que trazia, na cara morena, debaixo de uma cabeleira, negra, com o longo cabelo apanhado sobre um complexo apanhado, no qual um rabo de cavalo saía, dos tufos daqueles sedosos, lindos, ondulados cabelos de menina de catorze anos, lá estava, a comprar coisas à sua própria vontade, andando sem escolta, sem ninguém a acompanhá-la, apenas com um vestido vermelho, e cor-de-rosa, cujas alças seguravam o lindo peito, liberto sobre o ar fresco da montanha. Mal sabia ela que iria encontrar o marido da sua vida…!
Talvez fosse a distraída personalidade da princesa a qual as pessoas Tienenses achavam piada àquela rapariguinha, ou talvez fosse o seu carácter sonhador, espirituoso, e um pouco guloso. Era verdade, com o seu ar de adolescente, ela comia mais doces que nem uma outras fada ou humana qualquer. Era tão bela na sua idade, que até os centauros e grifos a vinham pedir-lhe a mão em casamento, e adoravam-na, como se adora uma deusa mãe. Todos os homens, velhos e novos, de todas as formas e raças, vinham trazer presentes ao Dristin Weltar, o palácio oficial da Família Real, das mais variadas e impressionantes maneiras: desde ás garrafas de bebidas doces, como sumos naturais e poções feitas pelos Feiticeiros, até aos pergaminhos de emocionantes histórias, escritas e narradas por Elfos, até a ramos de flores de duendes, e até se contava que Deuses, ricamente poderosos, de outras terras e reinos, lhe ofereceram elefantes preciosamente ornamentados de ouro e pedras preciosas, maravilhosas iguarias e cinquenta escravos negros dos grifos das terras de Sul de África, até os Demónios do Império do Meio e do Império do Japão tentavam a sua sorte, com cartas e poemas do mais formoso e inspirado que alguma vez a rapariga alguma vez conhecera. Não havia príncipe ou camponês em todo o mundo que não conhecesse as virtudes e beleza da perfeita filha mais nova do Rei Neptuno, e, todos os dias, fizesse chuva ou sol, havia uma fila quase interminável de vários pretendentes, e os elfos, os duendes, os gigantes, os demónios, os grifos, os centauros, os príncipes, os senhores feiticeiros, os imperadores, os reis solteiros, os deuses mesmos, esperavam, numa fila que se poderia contar até aos milhares, e vinham vestidos de todas as cores, de todas as maneiras possíveis, de todos os feitios, quer fossem pescadores ou até mesmo senhores nobres, como duques, marqueses, guardiães, condes...Um sem fim de apaixonados, que, anteriormente dedicados à Deusa Bilafassabnsair, a Deusa do Amor e da Beleza, que, a cada dia que passava, ficava cada vez mais furiosa, ao sentir que uma simples filha de um semideus era mais idolatrada por todas as criaturas masculinas do que ela. Queixosa e fingindo-se triste, pediu de joelhos ao Deus Tsesustan para que matasse a princesa, e que, de uma maneira, fizesse com que a princesa se casasse com um monstro, tão cruel, tão feroz, que a pequena Eudóxia Pelkafaninabaswerti sofreria um castigo eterno!...
No entanto, nessa altura, até o próprio Deus do Mal e da Discórdia estava já enamorado pela rapariga, pelo que, confuso, mandou que o Desejo (Polafafra) lançasse as suas setas de luxúria e de amor para um bruxo malvado qualquer.
Inesperadamente, as flechas vieram acertar no coração de ferro de um certo pasteleiro com barba ruiva por fazer, e o longo cabelo ruivo aparado, num astuto disfarce, com os cabelos brancos, lá na sua vida pacifica…Mas lá chegaremos.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

A Crueldade do Tigre

Assustado com o possível risco de vida, Dirlent implorava, com lágrimas nos olhos avermelhados e entre tosses secas e graves para que Samiel parasse imediatamente de fumar.
Um sorriso frio e cínico bailou pelo rosto insensível. Novamente, um prazer quase pérfido surgiu na mente de Samiel enquanto matava aos poucos o subordinado.
Queria fazer provar ao coitado o sabor da morte mesmo até ao limiar da dor e da ruína. Não interessava como é que havia de o fazer, só desejava vê-lo, ali, estatelado, pálido, sem vida.
Mas, quando ouviu as palavras “criança bela e inocente”, atirou imediatamente a cigarrilha para o chão.
Samiel gostava mesmo de assustar Dirlent, porque, caso contrário, o duende desobedeceria deliberadamente às ordens do mestre. O bruxo sabia como os duendes eram indisciplinados.
No entanto, ao pensar nas palavras do lacaio, meditou um pouco, com o sobrolho carregado.
Ao estalar os dedos para que o ar fosse limpo numa questão de segundos, virou-se desconfiado, com as mãos postas sobre o tronco, e lançou um olhar gélido para Dirlent.
- Porque haveria de me interessar por uma pirralha vergonhosa? – Indagou parcialmente. – És um incapaz, Dirlent. Só me fazes perder tempo, ainda por cima mentes tão mal como fazes as simples tarefas que te peço.
A abjecta criatura limitou-se a balbuciar receosamente, qual carneiro prestes a entrar num matadouro:
- Mas…Senhor…Ela é a mais bela mulher que já alguma vez entrou por estas portas, uma verdadeira pérola do oceano Atlântico.
Samiel, já mais recomposto, e com o manto a roçar de novo no chão de pedra bem trabalhado, pegou nele com uma das mãos e cobriu o seu tronco, como se não estivesse a envergar uma demasiado fresca dalmática de seda preta, com bordados vermelhos elegantes e prateados. Enquanto encaminhava-se lentamente até à saída, acompanhado por Dirlent que o seguia mais atrás e pelo seu animal de estimação, parou durante um bom bocado e pôs uma das mãos compridas sobre o queixo glabro.
- Se a tal menina é assim tão prendada como dizes, porque não a trazes vestida a preceito até à festa do meu trigésimo quinto aniversário para ser recebida como deve ser? – Perguntou ele num tom sarcástico ao servo. – Ou achas porventura que ela será demasiado medrosa e tímida para enfrentar o Assassino do Amor, o teu poderoso senhor, Dirlent?
- Não! – Respondeu imediatamente o duende, cheio de medo. – Ela estará à vossa espera, meu amo, tal como todos os outros convidados.
Ao serem abertas as portas para o Mestre sair daquela divisão do castelo, ele lançou um último olhar frio para Dirlent, que se arrastava pateticamente pelo chão de pedra, ainda de joelhos, com medo que o impiedoso patrão o obrigasse a andar assim sempre na sua presença.
- Ah, e não te esqueças de dar um banho ao Tigre da Escuridão. – Enquanto dizia isto, acarinhava o pêlo branco das costas do seu fabuloso animal. – Não quero que os convidados pensem que sou um bárbaro malcriado só por não tratar do meu lindo e magnífico rapaz.
Acabando as suas ordens que tinha para dar ao criado, o frio feiticeiro desapareceu por entre as portas de carvalho, deixando Dirlent sozinho com o feroz felino. Certificando-se que o cruel Samiel já tinha ido embora, Dirlent suspirou aliviado, mas um pouco temeroso. O duende sabia o quanto aquela fera o detestava, e, sempre que dava um banho ao tigre, acabava mais molhado que o próprio “gatinho de estimação” do patrão.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Prisioneira dos próprios Pensamentos!


Entretanto, o Assassino do Amor continuava a tentar convencer Eleonora a ir dormir com ele.
Ele puxou-a intencionalmente por trás, prendendo os braços e garupa feminina e adelgaçada da com as suas garras duras e ásperas, e aproximando a sua boca seca e cheia de cobiça do pescoço e decote da rapariga, aconchegando-se junto dela. A luxúria era sentida pelos dois, á medida que Eleonora cedia torpemente aos avanços libertinos de Samiel, ela era conduzida cegamente para uma das passagens secretas por detrás dum candeeiro da sala de jantar.
- Não estás destinada a ser esposa daquele palerma, com essas mãos sedosas e esse cabelo aromático de mil prazeres....Mereces alguém muito melhor. – Sussurrou com lascívia. – Não, meu amor, quero-te, mais do que tudo no mundo.
Ao massajar com um carinho estranho o peito já descoberto de Eleonora, o bruxo sorriu levemente, colocando uma rosa branca no meio dos seios dela, beijando-a ternamente. Completamente vermelha, a suar de tanta emoção e a deixar-se guiar, ela viu Samiel a apontar para uma parede, e, num segundo, uma passagem secreta em lugar do altar de mármore em miniatura abriu-se, com os olhos bruxo a arder de desejo sexual.
- Aquele é o caminho para o meu inferno, amor... – Disse ele numa voz harmoniosa e tentadora. – Vinde comigo, que quero fazer de Sua Alteza uma mulher feliz...! Sede minha, para sempre!
Ela, encantada pelas artes e feitiços diabólicos de Samiel, a suar do abrasador calor que se fazia sentir na sala fechada, derretida nas palavras cativantes e harmoniosas, cada uma enrolada na voz aguda e maliciosa do feiticeiro…!
Acenou com a cabeça, e, envolta com os braços e o manto negro do feiticeiro, deu-lhe enamoradamente uma linda carícia nos lábios.
- Sim, meu amo! – Foram as suas últimas palavras livres, murmuradas num doce tom apaixonado!... Os seus lábios estavam tão perto dos de Samiel, o suficiente para que ela caísse nos braços fortes do poderoso e heróico bruxo, afinal, ele tinha-a salvado dum terrível demónio.
Nesse momento, ele empurrou-a de propósito para a passagem, fechando fortemente a passagem para que ela não pudesse escapar.
Não estava orgulhoso das coisas horríveis por que estava a fazer passar aquela rapariga, mas alguém tinha que o fazer, para o Bem dela e da Atlântida, já para não falar do bem dos seus bolsos, que estariam mais cheios mal Neptuno soubesse do sucedido. Talvez nem o recompensasse, mas Samiel não queria nem a glória nem armar-se num herói. Apenas desejava que aquele inimigo seu não lhe espetasse mais alguma coisa afiada no pescoço. Afinal, menos um seria para ele se preocupar…
Estava tão absorto nos seus pensamentos, que nem deu por uma vozinha irritante e rouca que o cumprimentou de súbito:
- Boas tardes, mestre! – Disse um duende com a sua voz de xarroco a escorregar nos seus próprios pés do feiticeiro, que, num momento embaraçoso, ficou por debaixo do duende.
Muito zangado, Samiel levantou-se imediatamente e lançou um olhar penetrante e ameaçador para com o seu subordinado.
Ergueu a sua garra pálida para levitar o pequeno homenzinho traiçoeiro até que este estivesse à altura dos seus olhos.
Como é que aquela inútil criatura se atrevia a interromper
- DIRLENT! – Bradou ele irritado. – Diz-me lá o que tens para dizer e depois DESAPARECE DA MINHA VISTA, seu bobo!
Uma vez mais, a voz de Samiel suou como o próprio trovão, e o espírito sobrenatural doméstico tremeu de medo.
Dirlent era o mais exasperante de todos os esbirros do Assassino do Amor, uma vez que era uma criaturinha travessa e desastrada, que adorava o caos e provocar sarilhos. Algumas vezes, Samiel perguntava-se porque é que o teria posto ao seu serviço. Ao contrário do lógico e calculista amo; o Dirlent, de pele morena e olhos verdes, com umas orelhas pontiagudas, com um sorriso matreiro, gostava imenso de pregar partidas e de desarrumar tudo o que encontrava, como por exemplo as poções e frascos do bruxo. O que o tornava, muitas vezes, alvo das experiências maquiavélicas de Samiel.
Incauto e muito curioso, ele era o menos eficiente e eficaz dos subordinados, contudo, a sua ambição desmesurada compensava a falta de inteligência, e, assim, com um saco de moedas, Samiel manipulava os poderes caóticos e maldosos do incapaz.
Enquanto estava pendurado pelo feitiço do amo, Dirlent, de apenas trinta centímetros de altura e com um focinho feio e achatado, tal como um porco, encolheu os braços escanzelados.
- Já não me lembro, mestre. – Respondeu ele atrapalhado.
Extremamente fora de si, Samiel passou furiosamente uma mão pela cara, murmurando calúnias enquanto batia com o pé no chão.
Começava a ficar farto das tolices inúteis daquele palhaço, e, por vontade própria, já o teria morto há imenso tempo. Se não fosse o maldito juramento que fizera à mãe do desgraçado no leito de morte da víbora, talvez o tivesse trespassado friamente com a espada.
Sempre imaginava uma forma perfeita de fazer a vida negra a Dirlent, o problema é que nunca chegava a acordo da qual seria a mais dolorosa e perfeita para torturar.
Além disso, o estúpido tinha-o feito perder tempo e ele, Rwebertan Samiel Di Euncätzio, odiava perder tempo!
Como quem não quer a coisa, Samiel pegou na sua boquilha e, numa questão de minutos, começou a fumar presumidamente, e andar dum lado para o outro, largando de imediato o assistente.
Dirlent, não suportando o odor terrível de hortelã-pimenta, e sendo ele alérgico ao tabaco do patrão, começou a tossir gravemente.