terça-feira, 26 de abril de 2011

Bruxaria ao Som dos Sinos



Para a minha infelicidade, eu não escrevi isto enquanto estava na Bélgica...Mistura dos meus temas favoritos: ocultismo, mitologia, história, e histórias de terror! :D


Uma coisa completamene diferente das coisas que nomalmente escrevo, já que tive de me basear naquilo que vi sem dizer no poema aonde é que a história decorria.
















Uma folha a cair no meio do Outono,



Uma pequena gota de sangue a cair, a cair, a cair,



Suavemente do teu casaco, enquanto ela adormece, com sono!



Pling, pling! O cristal é mergulhado,



Sobre a boca dela, presa por grilhetas negras, na poça de altar,



E tal como os antigos Deuses professaram,



Tal como tu tinhas planeado,



A tua vítima terá de morrer sete vezes, para o feitiço funcionar,



Ela é uma camponesa desconhecida, perdida!











Ding dong, pling, plong!



Os sinos da torre do dragão dourado marcam



Marcam o ritmo das gotas de sangue que caem da tua aveludada mão!



Após o último momento de vida,



Perto da rua dividida,



"Pelo rio abençoado pela Mãe sagrada!"



A oração para o feitiço resultar,



Pronunciada com o sangue a escorrer das mãos de cabedal,



Pois esta é a verdadeira força do Mal!











Pling, plong! Ding, dong!



A canção é tantas repetida,



O gracioso sagrado corpo da donzela é possuído,



E à medida que o feitiço é construído,



Para obter a força que derrubará a Igreja,



É preciso beber do sangue da feminina virgindade!



Para fortalecer o poder da tua maldade!



Jamais outro homem ela amará,



Pois é na tua força que reside a cativa!











Os canais estão silenciosos,



E com a maior suavidade,



O ritual progride, com sussurros amorosos,



Ela sabia o que lhe tinha reservado o Destino,



Jamais escapará do monstro mesquinho!



Presa por desejo,



Presa por um só ardente beijo,



Dela saemos mais horríveis inpropérios,



Mas para ti não há correctos critérios!











O último suspiro, arrancado da garganta,



Fina, envenenada, corrompe a mulher santa,



E dela saem gritos de amor, dor e terror!



A lâmina afiada percorre com excitado furor,



O feminino interior,



E já o corpo dela é oferecido,



O cordeiro apetitoso pelo lobo é comido,



E no meio das ruas escuras,



Na cidade medieval, ouve-se um terrível gemido!











A pomba desvanece-se,



E dos seus brancos pêssegos, restam apenas cinzas,



Na alva, uma fieira de cabelos prateados tece,



As lojas ainda não abriram,



Mas eis que entra um homem com cabelos de oiro,



E paga, com um copo de líquido vermelho, uma tapeçaria,



No tapete, uma loura, formosa rapariga grita em agonia,



Mas ninguém a ouve ou a sente,



Isto não é bruxaria,



É religião!











E não há ninguém que desmente...pling, pleng!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A Princesa Arco-Íris e o Assassino do Amor (Parte I)


Não tenho jeito nenhum para encontrar esta imagem num formato em que só se visse a capa, mas é o meu anime favorito... E pensar que eu há uns dias nem fazia a minima ideia que tinha sido feito em 1992 (que coincidencia no ano em que nasci!)

Há imenso tempo, uns dez anos antes da morte de Eris, nasceu uma menina no seio da Família Real da Bellanária. Mais bonita que todas as estrelas, com um cabelo cor de almíscar, olhos castanhos e grandes, faces redondas, pequeninas e cremosas como um molho perfumado de chocolate. Os lábios, esses, eram lindos filhos da Lua em quarto crescente como se fossem amoras tentadoras.

Esta prima de Eris de pele escura como a canela, abençoada com um sorriso de pérolas preciosas e brilhantes, tinha como nome Sarvahdinada, o que significa em Bellante: “Filha da Corrente Sorridente”.

Na altura em que a história se passa, tinha a jovem uns doze aninhos, que saltitava por entre as escadas de mármore branco de Suryadevnahutbal, o bairro da Cidade dos Deuses que incluía os vários palácios e moradias onde a numerosa Corte do Império da Bellanária morava. Nessas ruas enormes e limpas, existiam lindíssimos espaços verdes, e jardins coloridos, e também havia fontes frescas que a princesinha gostava de cheirar.

Com o lindo cabelo a balançar e a ondular como se fosse uma bandeira a esvoaçar ao som do vento, ela brincava com as aves, tentando apanhá-las com os seus saltos. Quase tropeçava no véu comprido e saboroso de seda que era da cor celeste. Usava um sari que lembrava os pinhos murmurantes do Norte, e tinha pendurado no cabelo da cor da noite sempre bem penteado, no topo da cabeleira uma flor de lótus branca, como todas as filhas de Neptuno.

Os poetas gabavam-lhe a inocência, os nobres exaltavam a sua beleza, os sacerdotes elogiavam-lhe a pureza, e os músicos admiravam a sua criatividade.

Mas a princesa Sarvahdinada não dava conta de nada, sendo tão pequena e tão dada à Natureza.

E ela com a sua trança semelhante a uma escultura polida de alabastro gostava de dar as suas escapadelas de vez em quando e ir brincar com as crianças da floresta, as Fadas que não trabalhavam no bairro destinado à nobreza, aos sacerdotes e à Família Real.

A mãe – a Rainha Melnjar – já lhe tinha dito milhares de vezes para não se aventurar na floresta. Era óbvio que a rainha estimava muito a sua filha, e não queria que nada de mal lhe acontecesse. Dizia que havia pessoas muito más e animais perigosos na floresta.

«Se te afastares demasiado do Sul, acabarás por vir ter às montanhas para lá das florestas iluminadas, do outro lado dos desfiladeiros, que é aonde os Demónios e outros monstros moram! E nunca dês conversa a estranhos ou a músicos deambulantes ou a mercadores. Esses são os piores malvados!»

Mas, que podia Sarvahdinada fazer? Simplesmente, ela adorava os campos verdes que davam para a floresta, e depois as crianças que eram filhas dos camponeses eram muito mais divertidas que as aias ou as damas de companhia.

O encanto das flores selvagens era muito mais deslumbrante que as flores e pássaros e outros animais que havia nos jardins de Suryadevnahutbal.

Apesar dos avisos, apesar das histórias que ouvia sobre jaguares, tigres, e outras criaturas assustadoras, a menina uma vez foi apanhar framboesas com umas amigas camponesas, no Norte.

Ia e descobria os vários caminhos da Floresta de Cristal, que, à medida que via, estavam cercados de cerejeiras, pessegueiros em flor, e algumas outras flores de Inverno como camélias e alguns narcisos. As árvores variavam de pequenos chorões a enormes castanheiros, que faziam com que o Sol reflectisse os seus raios num espectáculo de amarelos, dourados e verdes espantosos.

Mais adiante, elas chegaram a uma pradaria de oliveiras, ervas lamacentas, um campo de trigo e ainda um pouco frias do Inverno. Ao sabor do vento, elas reparam nuns ciprestes e sobreiros, e alguns pinheiros bravos que se estendiam de uma encosta abaixo, até a um vale.

De lá de baixo, vinham uns vapores a óleo de tortilha, queimado, juntamente com mel e cerveja. Alguém estava a cozinhar naquele castelo, bem no fundo do vale, de cujas chaminés pontiagudas e vermelhas saía aquele aroma apetitoso.

«Temos de ter cuidado.» Avisou repentinamente uma das camponesas. «Não podemos ir para aquele vale. Vive lá um homem muito mais perigoso que os Demónios.» Quando a princesa, com o cabelo penteado de forma diferente e um vestido cor-de-rosa, perguntou que tipo de homem era esse, nenhuma das duas raparigas quiseram responder.

Curiosa, ela reparou que, nesse vale que as duas meninas apontavam estava cheio de framboeseiros.

«Porque não haverei de ir a um vale onde as framboesas parecem ser tão boas e suculentas?» Deliciada com o vermelho macio dos frutos, muito semelhantes aos telhados das torres do castelo imponente, ela não resistiu em descer a encosta abaixo, sentindo-se mais livre que um passarinho.

Tão apressada ia ela, que se esqueceu que o dia já ia longe, e que o Sol não tardava em pôr-se. Mesmo assim, não tardou que as outras duas raparigas lhe seguissem para verem mesmo se os troncos molhados que flutuavam nas pequenas poças douradas pelo pôr-do-sol eram mesmo de pão doce e canela.

As três raparigas ficaram admiradas, pois tudo o que se encontrava naquele vale parecia ser comestível. Por que razão chamariam àquele vale de Vale da Morte? Não havia ali nenhum castelo assustador, nem nenhum feiticeiro malvado….Apenas poças de néctar de pêssego e umas árvores que tinham o leve sabor a menta.

Sarvahdinada entretanto não tardou a colher o maior número de framboesas, evitando assim às outras delícias que se encontravam no vale.

As outras duas raparigas, após algumas horas, começaram a sentir-se mal. De um momento para o outro, sem que a princesa desse por isso, enormes serpentes verdes com cabeças de mulheres malvadas saíram dos lagos para levar as meninas. Eram náiades, as mulheres do povo Naga, as servas e filhas da maldita Rusalka!

Por vezes, elas aproveitavam-se do chamariz do Assassino do Amor para levar umas raparigas inocentes para a Fronteira. Muitas meninas tinham assim desaparecido sem que os pais dessem por isso, não por culpa do Mestre Samiel, mas sim por causa daquelas mulheres demoníacas com caninos longos e olhos malignos de cobra. Algumas eram chamadas de nereidas, outra espécie de fadas más.

Mas alguém estava à espreita. Os olhinhos alarmados e indignados de Jerininantus dirigiram um poderoso feitiço de fogo, discreto para que as mulheres serpentes se fossem embora. «Elas não podem matar a próxima vítima do Mestre!»

Quando a jovem menina se apercebeu que tudo não passava de uma ilusão criada por uma estranha Magia Negra, ela ainda conseguiu ver que não tinha comido nem uma única baga de framboesa. Estavam todas ali. Estava prestes a escurecer, ela tinha de voltar para casa o quanto antes. Contudo, os ciprestes e os pinheiros bravos pareciam ser todos iguais, impedindo-a de subir a encosta.

Estremecendo, ela segurou o cesto contra o vestido cor de cereja. Custasse o que custasse, tinha de ser valente.

Repentinamente, algo fê-la parar. Um estalar de ramos a partirem-se, esmigalhados por passos fortes e pesados. Ela ficou gelada e voltou a cabeça, na direcção do som.

Era um homem de casaco espesso, botas pretas de cabedal e um chapéu de feltro bicudo com a pena de um falcão. Segurava uma bengala de cana de marfim, enquanto escondia a face oval por detrás de uma máscara branca.

- Quem ousou entrar nos meus domínios? Está aí alguém? O meu nariz não me falha! – Ele ergueu o rosto pálido, e ela conseguiu ver um nariz adunco de falcão. O velho bruxo de voz falsete e arrepiante era cego!

A boca de Sarvahdinada estava seca. Não tinha provado nenhuma das framboesas, embora as suas bochechas estivessem mais vermelhas que aquelas frutas pequeninas.

- Estou eu, meu senhor. – Respondeu ela, num fiozinho de voz.

A cara cansada do homem de trinta e tal anos fez um breve sorriso, ao inclinar-se diante dela.

- Uma pequena fidalga da Cidade dos Deuses, e ainda por cima jovem! Conheceria esse sotaque recatado em qualquer lado. – Ele sorriu para ela, como que a desculpar-se pela dureza da sua voz metálica. – Qual é a vossa graça, donzela?

- Chamo-me Sarvahdinada Di Neptunvs, sou a sexta filha do Nosso Rei. – Ela tremeu, tentando fazer uma pequena vénia.

Soprava no Norte um vento selvagem que ela nunca tinha visto nas costas quentes da Cidade dos Deuses. Fazia com que a sua volumosa trança se desalinhasse, e se parecesse com umas penas de um animal maravilhoso.

- Princesa! Eu sinto-me honrado. Uma pessoa de tão baixa condição, ostracizada da sociedade bellante como eu… – Ele endireitou-se num só momento, enquanto fazia uma vénia direita e formalíssima, dobrando as costas de forma perfeita e sem um único erro. – Que os Deuses a cubram de bênçãos.

Ela corou envergonhada, ao abanar a cabeça.

- Não. Eu sou apenas uma das filhas mais novas. Não devia fazer uma vénia assim tão formal como se eu fosse o príncipe varão.

O homem tirou a máscara, e ela ficou impressionada pelos olhos verdes lindos que adornavam o rosto pálido e efeminado. Contudo, as unhas das mãos eram longas e curvas, como as de um gato. O sorriso dos lábios tinha algo de falso, mas tentador, tal e qual o olhar de uma serpente.

- Não reconheceis este rosto, Vossa Graça? – Perguntou ele, num tom malicioso, sem qualquer sinal de agressividade.

Sem saber o que dizer – pois, por mais estranho que parecesse – a princesa encolheu os ombros nunca tinha ouvido falar do Assassino do Amor.

- Pois bem, devia lembrar-se! – Suspirou ele, numa voz distante. – Mas vinde comigo, não vos vou fazer mal…por agora.

- Porque haveria de fazê-lo? – Indagou ela, na sua inocência infantil. – O senhor tem cara de boa pessoa.

Então, ele envolveu-a com a capa quente de pele. Apanhada naquele enorme casaco, ela assemelhava-se a uma flor de lótus cor-de-rosa, delicada, apanhada por um corvo sinistro e lúgubre.

Sentindo um carinho que nunca tinha sentido antes, como uma rosa a desabrochar, ela sorriu, e agarrou-se à cintura esbelta e entroncada do homem de estatura forte.

No entanto, o Mestre Samiel não pronunciou uma única palavra. Ele gostava dos frutos bem verdes, e ela estava quase a desenvolver uns lindos frutos, como que laranjinhas doces.

Embora para ela, aquilo pudesse parecer uma amizade e simpatia, aquilo era um sinal de perversão e de uma mente suja! Se para os olhos doces e ternos de Sarvahdinada, aquela capa pudesse parecer-se com as asas de um anjo, na verdade, se alguém os visse, de certeza que não duvidaria que aquelas eram as asas negras de um morcego diabólico!

No entanto, quando ele tentou levá-la para a “casa” dele, a princesinha abanou de imediato a cabeça.

- Não! – Exclamou ela, um pouco a medo. – Eu tenho de voltar para casa, a minha mãe iria ficar preocupada se eu não voltasse a horas.

Subitamente, a mão grande e forte – como uma garra enorme – dele passeou no queixo dela, com um ar carinhoso e sedutor. O bruxo estava a hipnotiza-la, a ver se conseguia que ela fosse com ele para o castelo.

- Ah, mas ela não precisa de saber que Vossa Alteza está aqui comigo, ou precisa?

A pequena princesa recuou, assustada. Havia um estranho sorriso no rosto frio e calculista, o que fez com que ela sentisse um calafrio no seu coração. Como se alguém lhe estivesse a avisar para que não confiasse naquele homem. Os olhos, ocultos por debaixo do chapéu bicudo, davam a Samiel um ar inquietante e quase diabólico.

Lentamente, ela viu que as estrelas brilhavam no céu escuro sem lua. Cercada pelas sombras da noite, Sarvahdinada começou a ficar arrepiada na espinha.

Escutou uns breves passos atrás de si, e algo molhado e áspero lambeu-lhe as pernas. Antes que se pudesse virar, ela viu um tigre enorme, que era tão grande como ela.

Ronronando com um ar malicioso, o majestoso animal às riscas brancas e pretas veio ter até ao bruxo de uma fisionomia igualmente impressionante.

- Tigre da Escuridão, estás aqui… - O Assassino do Amor acariciou levemente o dorso do felino, que ronronava, como se tivesse acabado de devorar uma presa apetitosa. – Não temeis, Princesa Sarvahdinada, ele não vos morde.

Ela estava mais aterrorizada com a presença do homem de pesado casaco que lhe chegava até às botas reluzentes e pretas, que se assemelhavam a duas toutinegras de pedra dura esculpida. Engoliu em seco, cercada pelo animal selvagem e pelo seu arrepiante senhor.

Tremendo como varas verdes, a jovem ainda tentou pegar outra vez na cesta, mas não a encontrava em lado nenhum. O vento estava a ficar cada vez mais forte, e só lhe apetecia chegar a Suryadevnahutbal e ao aconchego das suas irmãs mais velhas.

Mas parecia que o pesadelo ainda mal tinha começado!

- A menina esqueceu-se de alguma coisa? – A voz anormalmente aguda tinha um tom falso e maldoso. Num estalar de dedos, o cesto de cachos das frutas vermelhas como o sangue, apareceram nas suas mãos enluvadas. – Estas framboesas são minhas, tal como tudo neste vale. Se as quiserdes, tereis de me dar algo em troca.

O que quereria ele em troca? Ela não tinha nada, a não ser as suas jóias e o vestido...ou pelo menos era o que a jovem de doze anos pensava!


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Cinco vidas num floco de Neve

Estava a ver um anime, e pensei em traduzir este pequeno poema que fiz para Heydrich (não é que eu admire o homem, é só porque estava a pensar no título da colecção que constituem o passado de Sara - só espero que se lembrem dela - e da minha ilha imaginária) em Inglês. Ainda bem que me lembrei de vir até cá, isto está mais deserto do que sei lá o quê! Enfim, consegui que o poema rimasse (uma coisa que não aconteceu na versão em Inglês).
Espero que gostem... http://www.youtube.com/watch?v=nMRzD39nIJ8&feature=BFp&list=WLE08F23FAE7E91A67&index=4 (adoro isto) e este video http://www.youtube.com/watch?v=e0n1_jvjt4U (Eh eh eh, o vilão do anime lembra-me os meus bruxos!)


Ooook....eu só espero que consigam apanhar o poema certo porque a formatação do blogger está lixada...

Pequena princesa de mel,

Anjo de chocolate vindo dos céus,

As vidas dos teus amigos,

Elas não passam de um floco,

De um floco de neve nas minhas mãos!

Chocolate derretido,

Passando delicadamente nos meus dedos,

Uma baunilha exótica nos meus lábios,

Envergada num vestido de marzipão,

Em caramelo, isso é tudo o que tu és!


És uma flor exótica no Inverno,

És o meu quente leito neste Inferno,

A minha bóia de salvação,

Sempre que eu preciso de escapar da escuridão!

Numa terra onde a neve nunca toca nos teus cabelos,

Lá, onde tudo o que eu personifico é fechado em mágico selos,

Onde este pesadelo (que sou eu)

Nunca te consegue alcançar, anjo meu!

Quem me dera poder ser parte de ti,

Oh, poder ser as pétalas das flores que beijas,

Oh, poder ser a nota, aquela nota tão doce em Si,

Oh, poder ser o vestido maravilhoso para descobrir,

Descobrir, do teu peito, as mais ocultas e vermelhas cerejas,

Um tesouro perfumado que eu nunca poderei ouvir!

No entanto, aqui será sempre assim:

Aqui, as vidas dos teus amigos,

Elas não significam nada, Nada para mim!

E se alguma vez olhares para o seu sangrento fim,

Não ligues, pois quero tocar-te,

Tão suavemente como toco esta melodia,

Se eu pudesse dominar-te,

Como o fogo domina a prata, triunfante eu seria!

Mas quem pode confiar,

Confiar no teu destino,

És um novelo de lã solto,

Uma marioneta sem fios (deixa-me apanhá-los),

Quem me dera poder falar contigo honestamente,

Tão sinceramente,

Como a tinta da minha caneta fala de uma morte certa! Se alguma vez te encontrar...


Eu poderei dizer com toda a segurança,

Querida Princesa,

Se não aceitares,

O meu gentil perdão,

O meu humilde pedido,

Então é porque a vida dos teus amigos,

Ela não vale mais...

Que um floco de neve,

Um floco de neve na minha mão!

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Assassino do Anjo

Como um fogo a arder na minha alma,
Eu tento compreender o que assole a tua aparência calma,
Uns olhos estranhos, que flutuam no meio do mar de tantas mentiras,
Tu não sentes, tu vives aquelas mentiras, aquelas pequenas tiras,
Com o coração, tu escreves o sangue das tuas próprias palavras,
Sabes o que é que penso acerca de ti, acerca dessas faces calvas?
Que, se tu quisesses, a tua amada, deste enorme poço sem fundo,
Deste labirinto negro, construido pelas mãos de um artista louco, a mim salvavas!


Tive um sonho, pequenino, como uma semente de mostarda,
A espreitar no meio dos teus lábios doces, havia uma pequena e escura lagarta,
Dos seus picos, saíam mil e um venenos , fatais para a humanidade,
Serei eu capaz de aguentar tal prisão, serei eu capaz de, através dos teus lábios,
Estar presa para todo o sempre à calamidade.
Não serás tu o assassino, não serás tu o frio tentador?
Sabes o que é que eu queria fazer agora mesmo, com esta apimentada dor?
Se tu quisesses, eu podia ser o teu anjo salvador.


Mas este anjo já foi apunhalado nas costas, das suas asas saem flores vermelhas,
E, para concluir esta maravilhosa canção, de entre todas as abóboras feias,
Será a que está mais podre, a que tu amarás mais?


Inspirada num poema de Fernando Pessoa...queria fazer com que todos os versos rimassem, só espero que tenha conseguido.

Um poema que não tem nada nada a ver com as minhas histórias para começar em beleza o mês de Março!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Um conto de dia de S. Valentim...

Uma jovem rapariga, a passear sobre o antigo bairro de Losjafhden. Era só isso que ela era, uma pequena dos seus dezasseis anos, de cabelos negros e a cair numa tímida, humilde trança. Losjafhden, a parte mais assombrada de Cyborg Town, tinha caído em desgraça, há mais de cem anos atrás.



Não havia mais ninguém a viver ali...a não ser os fantasmas, é claro. Ela conseguia inalar o pequeno perfume a cinzas e a enxofre. Com os cabelos de seda, com sabor doce a jasmim e a farinha de tortilha, a jovem camponesa continuou a caminhar até às margens do fresco, rápido e tormentuoso Rio Bênção.



Os pais tinham-lhe avisado um monte de vezes: não vás para Losjafhden, é uma zona maldita, povoada de monstros e males inomináveis!



No entanto, as raparigas da mesma idade que ela, que viviam perto da floresta de Cristal, no lado sul, elas tinham-lhe prometido que se conseguisse passar uma noite nas margens do Rio Bênção - e não ficar assustada - então elas seriam amigas dela. E ela gostaria tanto de ter amigas. Era uma jovem bonita, mas magrinha, com uma constitituição de uma banana saudável. Os seus pequenos olhos castanhos cor de avelã tentaram alcançar as flores de pessegueiro e de amendoeira, à medida que o Sol se aproximava do horizonte.



Arranjando a manta de lã de ovelha colorida com pequenas espirais aos quadrados para se deitar, ela nunca pensou que dia era aquele, qual era o significado por detrás do calendário de pedra que havia no templo dedicado às ninfas do rio, na aldeia onde ela vivia. Mas o que é que importava isso, se já tinha comido, e se agora, mais do que nunca, tinha de provar o seu valor diante das outras meninas.



Ela olhou para a direita, e depois para a esquerda, e, aninhando-se com um monte de folhas, coberta com o sari de linho quente e branco, adormeceu.



Entretanto, o vento começou a soprar cruelmente sobre as folhas. Com os olhos fechados, a jovem rapariga não sabia que era estritamente proíbido aos humanos passear nas margens do Rio Bênção, quanto mais numa altura como aquela, precisamente naquela época do ano, em que a terra, despida da neve, fica mais escorregadia e é mais fácil cair às águas gélidas e profundas do rio sagrado... Muitas coisas se dizem sobre esta altura do ano, nas margens do lado de Losjafhden, em que nem a protecção da deusa Swertyhina pode salvar qualquer incauto das garras dos guardas do Rio.



Estes, ao contrário dos cisnes brancos do Verão, são máquinas sagradas, estes são aqueles que são venerados como os lacaios do grande esposo de Swertyhina. E já o eram naquela altura.



Pois então, aconteceu que à meia-noite, quando a Lua se escondia perante as nuvens escuras trazidas pelo vento do Norte, um homem de olhos azuis turquesa apareceu diante da jovem.



A sua pele branca, quase cinzenta, era suave e delicada. Envergando um manto de pele magnífico que lhe realçava as curvas, os músculos bélicos e as cicatrizes ásperas de batalha, o jovem tinha um rosto longo e angular. O seu cabelo negro e comprido resplandecia sobre o brilho das estrelas, preso por um fio com um dente de marfim canino.



Nos pés, ele usava umas botas de cabedal cinzentas, pequenas. E contudo, a sua altura descomunal de seis metros fazia-o ainda mais impressionante. Os seus lábios pronunciaram, numa voz grave, quase rouca, o nome da rapariga:



- Milyiamazatzl...acorda Filha do Veado! - Ele tratou-a não pelo nome, mas sim pelas pernas dela, que se conseguiam ver como as pernas de uma corça. Chamavam-se assim todas as raparigas camponesas, por terem tecidos e vestidos onde as pernas se conseguiam ver e eram mais magras que as mulheres nobres. Filha, mais nova, pequenina, eram não só nomes carinhosos que um pai Bellante trataria a filha, mas também os únicos nomes disponíveis para as raparigas que eram filhas de camponeses. - Estás nos meus domínios.



As pálpebras suaves ao toque abriram-se de repente, e, as narinas dela apanharam um leve cheiro a água doce e a algas molhadas. Realmente, o cabelo deste homem esquisito era mesmo parecido a algas. Não usava nenhum chapéu na cabeça, embora a sua lança fosse o suficiente para convencer qualquer um de que ele era um guerreiro.

Assustada com a aparência intimidante do jovem feiticeiro, ela recuou, com as pernas ainda no chão, fazendo-lhe reverência.

- Oh, peço-lhe imensas desculpas, mestre! - Os cabelos longos dela roçaram na erva húmida, à medida que se ajoelhava diante do aprendiz de feiticeiro. Uma rapariga humana jamais deveria olhar nos olhos de um feiticeiro. E no entanto, aquelas duas opalas azuis eram tão bonitas que ela não deixou de denotar um tom de espanto na sua vozinha. - Fazei o que quiser comigo, cedi à tentação de desafiar o poder dos Deuses e mereço um castigo. Mas por favor, não deixai que a minha mãe fique sem a sua primeira filha, que tanto a ama e é a única felicidade que aquela que me deu à luz tem nesta vida.

Ela estava muito preocupada com o que lhe poderia acontecer. A pequenina de olhos de avelã sabia muito bem o que acontecia às jovens humanas que não respeitavam a vontade dos Deuses. Entrar na propriedade de um bruxo sem a sua autorização significava para uma mulher humana a morte por chicotada.

Chorou silenciosamente contra a terra durante uns minutos, arrependendo-se de ser tão teimosa. O orgulho nunca é bom conselheiro.

Porém, o estranho feiticeiro ergueu uma mão em direcção a ela, como que a fazer sinal para que ela se sentasse de joelhos. Apercebendo-se desta atitude, ela fez de imediato aquilo que ele pedia. Ainda de cabeça baixa, ela escutou a voz grave do homem:

- Eu vou poupar-te a vida, pois és uma donzela muito nova e formosa. - Quando ela olhou de relance, a jovem conseguiu notar um sorriso nas faces longas dele. - Porém, não penses que te escapas de mim. Irás voltar, sim, à tua família, mas não antes de passares a noite comigo, no meu palácio senhorial. Fica aqui perto da Nossa Mãe Swertyhina e é uma das mais raras e preciosas moradias.

- Mas...Eu... - A camponesa quase gaguejou, sem saber o que fazer ou dizer. Ainda soluçava, nervosa com a ideia de ser prisioneira daquele homem por uma noite.

- Nada de queixas! - O feiticeiro rosnou num tom de quem não parecia estar para ouvir nem uma explicação da pobre rapariga.

E ela não teve outro remédio senão segui-lo, ainda de joelhos, sem sequer olhar para os olhos dele. Não sabia muito bem o que é que ele queria com ela...e como poderia saber, sendo ela tão nova e tão ingénua, demasiado para conhecer os mistérios dos prazeres da carne? Apertando a saia contra as pernas, ela estremeceu de frio, quando reparou que ele a encaminhava até ao lugar onde as águas eram mais profundas, o Silvikakltzam - abismo das silvas marinhas.

Nessa parte mais a norte do rio, poucos peixes se atreviam a subir à superfície, mesmo assim, havia alguns salmões a subir as inclinadas águas do rio. Havia um redemoinho guardado por portas de mármore verde-escuro, pintados com cores quentes e vermelhas. As montanhas dos Alpes das Sereias já se conseguiam ver perfeitamente, iluminadas pelos fantasmagóricos fogos-fátuos dos pântanos onde milhares de mortos jaziam.

- Bem vinda às portas do meu palácio, filha de humanos. - O feiticeiro despiu-se tão depressa que nem deu tempo para ela ver o que é que se estava a passar. Numa questão de segundos, o homem tinha-se transformado num enorme tubarão de água doce com um colar de jade perto das guelras, uma placa em ouro perto das barbatanas dizia o seu nome. - Eu sou um demónio feiticeiro, um tubarão com mais de cinquenta e dois anos. Segundo a Lei dos bruxos, toda aquela jovem que pisar o território de um feiticeiro da Magia Negra sem a sua permissão, será chicoteada até à morte. Porém, eu sou um demónio e não partilho a mesma lei dos bruxos humanos, embora me possa disfarçar de um. Vem comigo, minha querida, e nada receies, que o mundo lá em baixo não é assim tão assustador como pensas.

A jovem camponesa recuou, já de pé. O tubarão, já a nadar sobre as fortes águas do rio, parecia não ter dificuldades em nadar. Mas então e ela? Ela nunca tinha nadado nas águas do Rio Bênção. Debruçada sobre as altas muralhas que separavam a terra da água, ela pensou se estaria a sonhar, ou se aquilo era uma outra forma de os Deuses a castigarem. Esfregando os olhos, ela, com medo de se afogar, abanou a cabeça em sinal que não.

- Ò senhor espírito das águas, como é que eu tenho a certeza que não me afogo nas águas sagradas? Ou pior, se fico sem ar para respirar... - De pé e separada dele, era fácil para ela dizer essas mesmas palavras.

- Confia em mim, pequena criança humana. Assim que entrares com a cabeça na água, é fácil para mim ajudar-te a desafiar a Lei dos Homens. - Ele parecia menos assustador na sua verdadeira forma, embora ela continuasse a ter medo daqueles dentes grandes e afiados que sorriam para ela, no meio da escuridão.

Respirando bem fundo, ela pensou que seria muito pior se ela tentasse fugir dele. Não era nada aconselhável fugir à vontade de um demónio. Um demónio é uma representação das forças da Natureza. E ela não queria desafiar a Mãe Bilafassabnsair.

Ao entrar na água, ela reparou que duas mãos invisíveis empurraram-na para o corpo macio e polido, castanho-escuro do tubarão feiticeiro.

- Assim está melhor. - Pareceu a Milyiamazatl ouvir um ronronar a sair daquela boca cheia de dentes. - Agarra-te a mim, e não me largues, há outros demónios menos piedosos que eu!

E ele tinha razão, havia outros demónios muito mais perigosos no leito do rio, mesmo no fundo da grande cascata que desembocava num redemoinho e depois nos rápidos que davam origem ao rio, mais calmo, perto de Cyborg Town.

Como a raça humana estava tão longe agora...! Silvikaltzam - assim era chamado o redemoinho - era uma porta para um mundo onde habitavam as maldosas naíades (a espécie mais perigosa das fadas marinhas), os Nagas - os dragões metade homens com poderes mágicos - e os tubarões demónios, os tubarões que após atingirem os cinquenta e dois anos, adquiriam certos poderes e ficavam até mais inteligentes que os seres humanos.

Estas mesmas três tribos de demónios dizia-se serem as responsáveis pelo maior número de mortes a humanos.

«Porque razão ele chama a isto de moradia?» Ao deixar-se levar pelas barbatanas fortes e quase ásperas do sábio animal, ela reparou numa grande gruta, decorada com opalas, safiras, jade, quartzo, turquesas, e pérolas. Ela não conseguia ler muito bem a inscrição gravada na placa que indicava a entrada. O mais estranho daquilo é que ela conseguia respirar debaixo de água. As águas não eram de todo turvas, por que assim ela conseguia observar os vários peixes que viviam perto dali.

Ao maravilhar-se com os peixes demoníacos das profundezas, com as suas luzes minúsculas, e com as suas lanternas - como que se fossem feitas de magia - ela quase que largava as barbatanas do tubarão.

- Não me largues, pequenina! - Disse ele, desta vez numa voz mais preocupada. - Se outros tubarões souberem o que estou a fazer, iriam comer-te viva!

A pequena rapariga camponesa suspirou, com um pouco de medo. Ao chegarem à gruta, ele, como por um acto de magia, fez com que um manto de areia suave e branca cobrisse todo o chão polido de mármore, iluminado por fontes de lava quentes.

- Cuidado, pequenina, aqui, tudo é venenoso, excepto eu. - Ele, já no seu disfarce humano, mas com guelras, ajudou-a a sentar-se na cama.

Enquanto se punha comfortável, ela reparou como aquele mundo era baseado nas luzes das fontes vulcânicas, e como os peixes reverenciavam o demónio, mais velho e mais sabido da vida que eles. Ali, não havia estrelas ou Lua. Mal ela sabia que estava a mais de seiscentos metros abaixo da superfície! Estava tão escuro, que mal ela se deitou junto a ele, ela sentiu o calafrio amargo da boca dele junto aos lábios dela.

- És o meu tesouro, pequena humana! - Exclamou ele, enquanto carinhosamente acariciava-a com as mãos anormalmente quentes.

Muito vermelha nas faces com aquela atitude, ela não sabia o que havia de fazer. Mas ao olhar para aqueles olhos azuis profundos, brilhantes, ela não resistiu à tentação, e deixou-se levar pelo calor do momento....

Depois daquela noite, ninguém em todo o Norte da região do Rio Bênção sabe o que é que aconteceu àquela camponesa...mas esta história, foi um peixe que ma contou. Esperemos que na próxima semana, eu possa saber...Ou talvez não.

Talvez o peixe já tenha sido devorado por um demónio das águas frias. É Fevereiro, e nesta altura do ano, é preciso ter-se muito cuidado. Nunca se sabe o que pode acontecer. Os tubarões de água doce bellantes gostam muito do Inverno. Águas gélidas, mortais, que escondem mil e um perigos.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Artistas do Deviantart fazem obras de arte...


Inspirada numa paródia em Inglês que eu fiz da canção "Miau Miau" da Floribella! :D


Daqui fala Tifongirl, a vossa fada, há tanto tempo perdida nos mares (e nas aventuras) da internet.


Primeiro falarei sobre aquilo que ando a fazer desde que "dei uma sumida"...


Desde que ando pelas redes do meu blog no meu site http://princesshamanarta.deviantart.com/ com o mesmo nome do Princesa Shamanarta (nome inspirado naquela que é a deusa - e a minha musa ficcionada), que conheci artistas que até parecem uns autênticos picassos da tão reputada e popular "arte digital".


Phobs, aquele cariaturista universitário de origem Moscovita, é um génio do pincel e da aquarela. Para mim, ele faz lembrar aquele desenho animado "Rhapsody in Blue" com os seus desenhos à antiga, as personagens históricas que ele pinta são tão cómicas, mas ao mesmo tempo, este mágico da tinta e do photoshop consegue capturar a essência de homens e mulheres de renome de uma forma quase realista, a ponto de as expressões quase saírem do ecrã para nos expremirem: raiva, tristeza, compaixão, felicidade, ódio, maldade, bondade, dor, sofrimento, malícia, desejo, enfim! Um sem número de emoções, histórias ficcionadas e histórias reais.


Os cenários que ele gosta mais é o mundo dos "Loucos Anos 20", a Segunda Grande Guerra Mundial, os Anos 30, e a Primeira Grande Guerra.



A seguir, vem Hello-heydi, esta polaca eu já estou farta de a elogiar. Os seus desenhos - e pinturas a óleo, a lápis aguareláveis, a pastel, com tinta digital - seguem um estilo completamente diferente. A arte dela, cheia de metáforas sombrias e de símbolos ocultos, com origens no paganismo no qual acredita veemente, faz com que entremos num mundo mágico, onde o homem em questão - A Humanidade, personificada num homem que muitos poderão não achar humano - é retractada com duas caras: o Mal e o Bem. Mas ela não faz tudo a preto e a branco. A Art Noveau é uma das suas grandes inspirações. A música medieval, o metal e o pensamento gótico também estão presentes.


O mundo dela é um mundo onde a justiça é verdadeiramente cega, e aonde os maus pagam com o seu próprio sangue por tudo o que fizeram.



E chegámos a LaNorthWay (ou Lisa, como eu gosto de a chamar), aquela Norueguesa que é como uma lufada de ar fresco no meio de tanta arte madura e quase a nu!


Esta rapariga de dezassete anos, nascida entre o campo e as montanhas, parece reflectir a própria alegria da natureza através da arte digital que faz: os desenhos dela são mais ao estilo anime e manga (as expressões, os rostos), embora a própria maneira de ser desta minha amiga consegue surpreender com a garra e com o optimismo de um estilo cartoonistico. É difícil não sorrir quando estou a conversar com ela. A comédia, vista muitas vezes através por ela no cinema, na televisão, através do espectáculo, é uma grande parte da vida dela, e isso reflecte-se nos desenhos, que, por vezes possam ser um pouco disparatados, têm o seu quê de genialidade, por não só criar personagens, como tentar recriar os dos outros (principalmente, os meus). A ela, eu dou uma grande salva de palmas.


Tenho saudades de conversar com ela.


Dj-Alien-Olga, talvez uma das mais jovens mulheres mais intrigantes e que mais me espantaram com a sua arte, umas vezes moderna - o estilo punk, a música de discoteca - outras vezes, uma vez mais, baseado na Segunda Guerra Mundial. As suas personagens, presas num mundo de paixão, sensualidade, mas também de morte e de ódio, são completamente cativantes. O Homem (e estou a falar do género masculino no ser humano), nas obras de arte desta Ucraniana, é um ser poderoso, forte, abusador, calculista e cruel, mas, também carinhoso, sedutor, com emoções e sonhos, tal como qualquer ser humano. Não sei quanto a vocês, mas eu gosto dessa faceta. Lembram-me o Assassino do Amor, ou o Padrasto da Jessica.


A mulher, pelo contrário, é um ser cheio de esperanças, ingénuo, mas também com a sua própria forma de energia e coragem. O desejo reprimido pelo homem, a paixão que sente por ele, a sua própria feminilidade, tudo isso é inspirador!


Agora vamos dar a volta ao globo e ir ter com os vossos vizinhos, a Argentina. O pseudónimo é MarcoMaxwell, e é uma artista muito talentosa. Uma fã de anime e de manga, esta jovem - quase nunca me correspondo com ela ou raras são as vezes que falo com ela, mas quando faço é para lhe fazer alguns comentários no blog dela do Deviantart - consegue misturar o estilo manga com o característico espírito latino que nós tanto gostamos nos nossos amigos da América do Sul. Eu adoro as tiras de banda desenhada que ela faz, especialmente se são acerca um anime que eu "me amarrei " durante um tempo e que é a razão pela qual também conheci LaNorthWay: Hetalia Axis Powers. Embora o estilo dela não seja original, eu gosto de passar por lá de vez em quando.


Uma vez mais, estamos na Argentina, mas desta vez é para falar sobre Elisadeth, uma artista de origens alemãs que brinca com o passado dos seus antepassados - e de uma forma criativa. Ela tem provavelmente uma das bandas desenhadas online mais populares. "We Will Never Surrender" é tão bom que fez com que eu corresse até à universidade, sem comer uma única fatia de pizza para o ler. Quer dizer, a história sobre o desejo homosexual de um oficial das SS por um soldado Russo em plena guerra....fantástico, hilariante e com um toque de humour negro e palavrões pelo meio, daquela forma que só o Phillip Kerr faria!




naquilo a que eu, uma adepta fervente desse estilo, chamo de ArtNazisComunistpop...Parabéns para mim, sou tão imaginativa com os nomes que ponho! (tom sarcástico é claro).


Esta arte, por vezes erótica, por vezes séria, por vezes cómica, por vezes disparatada e cheia de "Japonesices" e de narizes direitos e de Nazis todos bonitinhos e efeminados (ou de comunistas paneleiros), ou, tal como viram, completamente sóbria, é uma arte suburbana e ao mesmo tempo, popular no Deviantart. Como podem ver pelos links e imagens que por vezes dou sobre o estilo, isto inclui vários estilos, desde o humour negro até ao obscuro gótico, desde o sério e realista, até o caricaturado e ao ridículo.


Ou, desde ao exagerado até ao surreal fantástico (acho que me posso incluir no estilo do surreal fantástico). Tenho de confessar: eu dou muitos erros quando estou a escrever. É precisa muita paciência para pessoas estrangeiras lerem as minhas coisas. Sim, digo coisas, porque eu não considero uma verdadeira artista. A minha principal inspiração, desde o princípio disto tudo - do que me atraiu para o cenário da Segunda Grande Guerra Mundial - foi o Allo Allo (http://en.wikipedia.org/wiki/%27Allo_%27Allo) - e o filme da animação em 3D Valiant, os Bravos do Pombal http://pt.wikipedia.org/wiki/Valiant. Para quem não sabe, o Primo Coutinho foi inspirado no vilão principal do filme, o falcão Nazi, o General Von Talon. Eu adorava aquele falcão quando tinha treze anos, tanto que o pus num lugar de destace do Escudo da família Von Tifon.


Acho que foi este monstro papão que me ajudou a enfrentar a minha fobia aos Nazis. Consegui ridicularizá-los. A revelação: eu, quando tinha seis anos, tinha um medo dos Nazis! Tudo porque tinha visto um documentário sobre a Anne Frank. A marcha (ainda hoje, barulho de fanfarra assusta-me) dos soldados fazia-me pensar se por acaso era assim que eles matavam os Judeus, a espezinhá-los (de uma maneira metafórica, sim). Lembro-me que o trabalho que a professora nos tinha dado depois de vermos o documentário era fazer um resumo sobre essa mesma visita ao museu.


Eu cá estava com muito medo, pois a última coisa que eu tinha visto era o rosto de um homem, aterrorizador! Isto é uma história verídica. Só quando tinha para aí...catorze, quinze anos, descobri que esse homem era Reinhard Heydrich. A partir de aí, comecei a escrever, para ultrapassar o meu medo.


A Jessica, a Sara...Não são mais do que meros reflexos do meu eu interior, da minha personalidade. Acho que é o que torna as minhas histórias tão interessantes: eu consigo fazer personagens originais através das pessoas que observo e através da minha própria imaginação.


Voltando ao assunto da paródia, esta artista que eu conheci, há pouca coisa de um mês, chama-se CommanderKrieg http://commanderkrieg.deviantart.com/ . Quase que caía da cadeira quando ela disse-me que estava a estudar na universidade!


De qualquer maneira, qualquer arte inspirada nas minhas coisas é digna de aparecer aqui, não acham?


E eis, o nosso "gatão" - eu estou sempre a gozar com o Heydrich pelo facto dele ser um mulherengo vivo e agora, depois da sua morte, ainda ter fãs, da minha idade! - Reinhard Heydrich, inspirado naquela música de se lhe tirar o chapéu!



sábado, 22 de janeiro de 2011

Vampiros, os Bellantes? Jamais


Olá, a todos os leitores e a todos os que seguem as minhas aventuras.... Já alguma ouviram sobre os sacrifícios bellantes, sobre o Assassino do Amor e sobre os Demónios...pois claro que já ouviram.


Quem está a escrever é a Jessica von Tifon, para esclarecer umas coisinhas acerca dos Bruxos e sobre o dever de dar sangue aos Deuses: na Bellanária, há imenso tempo, o sangue dos humanos era a coisa mais preciosa que existia para os Deuses.


Os únicos que tinham o privilégio de usar a Magia como a conhecemos era a Família Real, os grão-sacerdotes, e os nobres feiticeiros brancos.


O resto da população dividia-se em comerciantes, em guerreiros e em camponeses. Nessa altura, os demónios eram muito mais excluídos da sociedade: eram vistos como...bem como demónios.


Nessa altura, os guerreiros e os sacerdotes tinham o direito (uma vez que eram eles que ofereciam as vítimas dos "sacríficios" aos Deuses) de beber um pouco do sangue que restava. Eles até eram permitidos a um pouco da carne das "vítimas". (Pprimeiro ponto: as vítimas iam voluntariamente, sem drogas, sem qualquer tortura, sem nada) Em segundo lugar, isto era visto como no Cristianismo beber vinho e comer óstia é: uma bênção, e ao mesmo tempo honra e devoção aos Deuses.


E é ou não é verdade que o sangue é muito parecido com o vinho?


Bom, quando o Assassino do Amor começou a ver que a Família Real (alguns membros da família real, isso não significassem que fossem todos) e alguns dos Deuses começaram a tornarem-se corruptos e exigiam cada vez mais sangue, ele descobriu a verdade de que cada humano podia tornar-se num feiticeiro desde que soubesse usar a Magia da maneira mais correcta.


Terceiro ponto: no tempo antes do Assassino do Amor, as únicas vítimas eram homens, e não mulheres ou crianças. A maior parte das guerras era apenas para apanhar homens adultos das várias ilhas que ainda não tinham sido conquistadas.


Portanto, poderemos chamar a isso uma coisa má? Eu tenho muito orgulho em ser agora bellante. A língua Nahuatl é ela própria tão colorida e bela!


Quarto ponto: se é verdade que os Migntetiyte eram vampiros? Não, absolutamente mentira. O meu padrasto apenas foi criado numa sociedade em que as "guerras" (lutarem quase sem armas nem armadura ou uniforme, aquilo não se pode chamar de guerra) que se via no pequeno principado na Morávia que se via eram consideradas "sangrentas", uma coisa que era totalmente errada.


O meu pai - e os primos dele - eram de descendência checa, mas tinham sido educados na religião bellante antiga. A maior parte dos Bruxos e Feiticeiros adoram o vinho ou as bebidas alcóolicas porque substitutuem o sangue perfeitamente bem. E em relação ao sexo? Sim, tenho de confessar que os bellantes são um pouco...como é que eu hei-de dizer isto? Pervertidos em algumas coisas.


Pelo menos os homens. As mulheres nunca. Sabem sempre como manter a castidade e a comedidade. Nunca vi uma mulher bellante que não se soubesse defender de um homem quando queria.


Mas quem é que não é? E ah, só uma coisinha: o sangue, da maneira como os bellantes vêem, não é bebido pelo pescoço! Utilizam-se facas muito estirilizadas - desde há tempos antigos - e muito pequeninas para isso.


Se se apanha alguma doença com isso? Bem, uma outra coisa: os Kolmanatries renunciaram a esse dever, e agora a maior parte dos Feiticeiros Bellantes (sejam eles Bruxos ou Feiticeiros Brancos) faz o "sacríficio" uma vez por ano. É uma coisa tão normal como ir a Meca ou a Jerusalém.


Havia um tempo - desde 1910 até 1970 - que os sacrificios e o derramamento de sangue era proibido.


Agora, se há uma coisa muito engraçada: o sangue não é demonstrado na nossa bandeira. Somos um povo que adora a música, temos um passado um pouco cheio de guerras entre bruxos, é verdade, mas somos, em parte, humanos.


Se a Europa não consegue aceitar isso, que se lixe! O sacríficio não é uma coisa bonita ou agradável - já vos digo, não é! Mas, se não queremos ter problemas com os nossos Deuses (que não são, de forma alguma, vampiros) , é bom que continue assim.


É uma distopia, é. Mas já viram a Cidade dos Deuses ou Cyborg Town? Raramente usamos carros, porque sabemos o mal que fazem ao ambiente. Ok, Cyborg Town, pode talvez ser a mais poluída daqui da Grande Ilha porque foi ocidentalizada, mas o comunismo fez-lhe muito bem. As nossas florestas e cidades são as mais limpas e eu acho que fiquei parva com o azul e o dourado das praias.


A nossa música é variada e a literatura...linda! Eu acho que nunca vi uma sociedade onde existissem tantas nações, pelo menos em Cyborg Town. Vêem-se pessoas de todos os cantos do mundo.


Basta olhar para a quantidade de línguas que se fala. Não vou dizer que gosto do Regime Ditatorial da Serpente de Fogo, porque agora as coisas são levadas TÃO a sério que a antiga religião, pacifica e serena, fica reduzida a uma carnificina de fundamentalismo e fanatismo!