segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Um conto de dia de S. Valentim...

Uma jovem rapariga, a passear sobre o antigo bairro de Losjafhden. Era só isso que ela era, uma pequena dos seus dezasseis anos, de cabelos negros e a cair numa tímida, humilde trança. Losjafhden, a parte mais assombrada de Cyborg Town, tinha caído em desgraça, há mais de cem anos atrás.



Não havia mais ninguém a viver ali...a não ser os fantasmas, é claro. Ela conseguia inalar o pequeno perfume a cinzas e a enxofre. Com os cabelos de seda, com sabor doce a jasmim e a farinha de tortilha, a jovem camponesa continuou a caminhar até às margens do fresco, rápido e tormentuoso Rio Bênção.



Os pais tinham-lhe avisado um monte de vezes: não vás para Losjafhden, é uma zona maldita, povoada de monstros e males inomináveis!



No entanto, as raparigas da mesma idade que ela, que viviam perto da floresta de Cristal, no lado sul, elas tinham-lhe prometido que se conseguisse passar uma noite nas margens do Rio Bênção - e não ficar assustada - então elas seriam amigas dela. E ela gostaria tanto de ter amigas. Era uma jovem bonita, mas magrinha, com uma constitituição de uma banana saudável. Os seus pequenos olhos castanhos cor de avelã tentaram alcançar as flores de pessegueiro e de amendoeira, à medida que o Sol se aproximava do horizonte.



Arranjando a manta de lã de ovelha colorida com pequenas espirais aos quadrados para se deitar, ela nunca pensou que dia era aquele, qual era o significado por detrás do calendário de pedra que havia no templo dedicado às ninfas do rio, na aldeia onde ela vivia. Mas o que é que importava isso, se já tinha comido, e se agora, mais do que nunca, tinha de provar o seu valor diante das outras meninas.



Ela olhou para a direita, e depois para a esquerda, e, aninhando-se com um monte de folhas, coberta com o sari de linho quente e branco, adormeceu.



Entretanto, o vento começou a soprar cruelmente sobre as folhas. Com os olhos fechados, a jovem rapariga não sabia que era estritamente proíbido aos humanos passear nas margens do Rio Bênção, quanto mais numa altura como aquela, precisamente naquela época do ano, em que a terra, despida da neve, fica mais escorregadia e é mais fácil cair às águas gélidas e profundas do rio sagrado... Muitas coisas se dizem sobre esta altura do ano, nas margens do lado de Losjafhden, em que nem a protecção da deusa Swertyhina pode salvar qualquer incauto das garras dos guardas do Rio.



Estes, ao contrário dos cisnes brancos do Verão, são máquinas sagradas, estes são aqueles que são venerados como os lacaios do grande esposo de Swertyhina. E já o eram naquela altura.



Pois então, aconteceu que à meia-noite, quando a Lua se escondia perante as nuvens escuras trazidas pelo vento do Norte, um homem de olhos azuis turquesa apareceu diante da jovem.



A sua pele branca, quase cinzenta, era suave e delicada. Envergando um manto de pele magnífico que lhe realçava as curvas, os músculos bélicos e as cicatrizes ásperas de batalha, o jovem tinha um rosto longo e angular. O seu cabelo negro e comprido resplandecia sobre o brilho das estrelas, preso por um fio com um dente de marfim canino.



Nos pés, ele usava umas botas de cabedal cinzentas, pequenas. E contudo, a sua altura descomunal de seis metros fazia-o ainda mais impressionante. Os seus lábios pronunciaram, numa voz grave, quase rouca, o nome da rapariga:



- Milyiamazatzl...acorda Filha do Veado! - Ele tratou-a não pelo nome, mas sim pelas pernas dela, que se conseguiam ver como as pernas de uma corça. Chamavam-se assim todas as raparigas camponesas, por terem tecidos e vestidos onde as pernas se conseguiam ver e eram mais magras que as mulheres nobres. Filha, mais nova, pequenina, eram não só nomes carinhosos que um pai Bellante trataria a filha, mas também os únicos nomes disponíveis para as raparigas que eram filhas de camponeses. - Estás nos meus domínios.



As pálpebras suaves ao toque abriram-se de repente, e, as narinas dela apanharam um leve cheiro a água doce e a algas molhadas. Realmente, o cabelo deste homem esquisito era mesmo parecido a algas. Não usava nenhum chapéu na cabeça, embora a sua lança fosse o suficiente para convencer qualquer um de que ele era um guerreiro.

Assustada com a aparência intimidante do jovem feiticeiro, ela recuou, com as pernas ainda no chão, fazendo-lhe reverência.

- Oh, peço-lhe imensas desculpas, mestre! - Os cabelos longos dela roçaram na erva húmida, à medida que se ajoelhava diante do aprendiz de feiticeiro. Uma rapariga humana jamais deveria olhar nos olhos de um feiticeiro. E no entanto, aquelas duas opalas azuis eram tão bonitas que ela não deixou de denotar um tom de espanto na sua vozinha. - Fazei o que quiser comigo, cedi à tentação de desafiar o poder dos Deuses e mereço um castigo. Mas por favor, não deixai que a minha mãe fique sem a sua primeira filha, que tanto a ama e é a única felicidade que aquela que me deu à luz tem nesta vida.

Ela estava muito preocupada com o que lhe poderia acontecer. A pequenina de olhos de avelã sabia muito bem o que acontecia às jovens humanas que não respeitavam a vontade dos Deuses. Entrar na propriedade de um bruxo sem a sua autorização significava para uma mulher humana a morte por chicotada.

Chorou silenciosamente contra a terra durante uns minutos, arrependendo-se de ser tão teimosa. O orgulho nunca é bom conselheiro.

Porém, o estranho feiticeiro ergueu uma mão em direcção a ela, como que a fazer sinal para que ela se sentasse de joelhos. Apercebendo-se desta atitude, ela fez de imediato aquilo que ele pedia. Ainda de cabeça baixa, ela escutou a voz grave do homem:

- Eu vou poupar-te a vida, pois és uma donzela muito nova e formosa. - Quando ela olhou de relance, a jovem conseguiu notar um sorriso nas faces longas dele. - Porém, não penses que te escapas de mim. Irás voltar, sim, à tua família, mas não antes de passares a noite comigo, no meu palácio senhorial. Fica aqui perto da Nossa Mãe Swertyhina e é uma das mais raras e preciosas moradias.

- Mas...Eu... - A camponesa quase gaguejou, sem saber o que fazer ou dizer. Ainda soluçava, nervosa com a ideia de ser prisioneira daquele homem por uma noite.

- Nada de queixas! - O feiticeiro rosnou num tom de quem não parecia estar para ouvir nem uma explicação da pobre rapariga.

E ela não teve outro remédio senão segui-lo, ainda de joelhos, sem sequer olhar para os olhos dele. Não sabia muito bem o que é que ele queria com ela...e como poderia saber, sendo ela tão nova e tão ingénua, demasiado para conhecer os mistérios dos prazeres da carne? Apertando a saia contra as pernas, ela estremeceu de frio, quando reparou que ele a encaminhava até ao lugar onde as águas eram mais profundas, o Silvikakltzam - abismo das silvas marinhas.

Nessa parte mais a norte do rio, poucos peixes se atreviam a subir à superfície, mesmo assim, havia alguns salmões a subir as inclinadas águas do rio. Havia um redemoinho guardado por portas de mármore verde-escuro, pintados com cores quentes e vermelhas. As montanhas dos Alpes das Sereias já se conseguiam ver perfeitamente, iluminadas pelos fantasmagóricos fogos-fátuos dos pântanos onde milhares de mortos jaziam.

- Bem vinda às portas do meu palácio, filha de humanos. - O feiticeiro despiu-se tão depressa que nem deu tempo para ela ver o que é que se estava a passar. Numa questão de segundos, o homem tinha-se transformado num enorme tubarão de água doce com um colar de jade perto das guelras, uma placa em ouro perto das barbatanas dizia o seu nome. - Eu sou um demónio feiticeiro, um tubarão com mais de cinquenta e dois anos. Segundo a Lei dos bruxos, toda aquela jovem que pisar o território de um feiticeiro da Magia Negra sem a sua permissão, será chicoteada até à morte. Porém, eu sou um demónio e não partilho a mesma lei dos bruxos humanos, embora me possa disfarçar de um. Vem comigo, minha querida, e nada receies, que o mundo lá em baixo não é assim tão assustador como pensas.

A jovem camponesa recuou, já de pé. O tubarão, já a nadar sobre as fortes águas do rio, parecia não ter dificuldades em nadar. Mas então e ela? Ela nunca tinha nadado nas águas do Rio Bênção. Debruçada sobre as altas muralhas que separavam a terra da água, ela pensou se estaria a sonhar, ou se aquilo era uma outra forma de os Deuses a castigarem. Esfregando os olhos, ela, com medo de se afogar, abanou a cabeça em sinal que não.

- Ò senhor espírito das águas, como é que eu tenho a certeza que não me afogo nas águas sagradas? Ou pior, se fico sem ar para respirar... - De pé e separada dele, era fácil para ela dizer essas mesmas palavras.

- Confia em mim, pequena criança humana. Assim que entrares com a cabeça na água, é fácil para mim ajudar-te a desafiar a Lei dos Homens. - Ele parecia menos assustador na sua verdadeira forma, embora ela continuasse a ter medo daqueles dentes grandes e afiados que sorriam para ela, no meio da escuridão.

Respirando bem fundo, ela pensou que seria muito pior se ela tentasse fugir dele. Não era nada aconselhável fugir à vontade de um demónio. Um demónio é uma representação das forças da Natureza. E ela não queria desafiar a Mãe Bilafassabnsair.

Ao entrar na água, ela reparou que duas mãos invisíveis empurraram-na para o corpo macio e polido, castanho-escuro do tubarão feiticeiro.

- Assim está melhor. - Pareceu a Milyiamazatl ouvir um ronronar a sair daquela boca cheia de dentes. - Agarra-te a mim, e não me largues, há outros demónios menos piedosos que eu!

E ele tinha razão, havia outros demónios muito mais perigosos no leito do rio, mesmo no fundo da grande cascata que desembocava num redemoinho e depois nos rápidos que davam origem ao rio, mais calmo, perto de Cyborg Town.

Como a raça humana estava tão longe agora...! Silvikaltzam - assim era chamado o redemoinho - era uma porta para um mundo onde habitavam as maldosas naíades (a espécie mais perigosa das fadas marinhas), os Nagas - os dragões metade homens com poderes mágicos - e os tubarões demónios, os tubarões que após atingirem os cinquenta e dois anos, adquiriam certos poderes e ficavam até mais inteligentes que os seres humanos.

Estas mesmas três tribos de demónios dizia-se serem as responsáveis pelo maior número de mortes a humanos.

«Porque razão ele chama a isto de moradia?» Ao deixar-se levar pelas barbatanas fortes e quase ásperas do sábio animal, ela reparou numa grande gruta, decorada com opalas, safiras, jade, quartzo, turquesas, e pérolas. Ela não conseguia ler muito bem a inscrição gravada na placa que indicava a entrada. O mais estranho daquilo é que ela conseguia respirar debaixo de água. As águas não eram de todo turvas, por que assim ela conseguia observar os vários peixes que viviam perto dali.

Ao maravilhar-se com os peixes demoníacos das profundezas, com as suas luzes minúsculas, e com as suas lanternas - como que se fossem feitas de magia - ela quase que largava as barbatanas do tubarão.

- Não me largues, pequenina! - Disse ele, desta vez numa voz mais preocupada. - Se outros tubarões souberem o que estou a fazer, iriam comer-te viva!

A pequena rapariga camponesa suspirou, com um pouco de medo. Ao chegarem à gruta, ele, como por um acto de magia, fez com que um manto de areia suave e branca cobrisse todo o chão polido de mármore, iluminado por fontes de lava quentes.

- Cuidado, pequenina, aqui, tudo é venenoso, excepto eu. - Ele, já no seu disfarce humano, mas com guelras, ajudou-a a sentar-se na cama.

Enquanto se punha comfortável, ela reparou como aquele mundo era baseado nas luzes das fontes vulcânicas, e como os peixes reverenciavam o demónio, mais velho e mais sabido da vida que eles. Ali, não havia estrelas ou Lua. Mal ela sabia que estava a mais de seiscentos metros abaixo da superfície! Estava tão escuro, que mal ela se deitou junto a ele, ela sentiu o calafrio amargo da boca dele junto aos lábios dela.

- És o meu tesouro, pequena humana! - Exclamou ele, enquanto carinhosamente acariciava-a com as mãos anormalmente quentes.

Muito vermelha nas faces com aquela atitude, ela não sabia o que havia de fazer. Mas ao olhar para aqueles olhos azuis profundos, brilhantes, ela não resistiu à tentação, e deixou-se levar pelo calor do momento....

Depois daquela noite, ninguém em todo o Norte da região do Rio Bênção sabe o que é que aconteceu àquela camponesa...mas esta história, foi um peixe que ma contou. Esperemos que na próxima semana, eu possa saber...Ou talvez não.

Talvez o peixe já tenha sido devorado por um demónio das águas frias. É Fevereiro, e nesta altura do ano, é preciso ter-se muito cuidado. Nunca se sabe o que pode acontecer. Os tubarões de água doce bellantes gostam muito do Inverno. Águas gélidas, mortais, que escondem mil e um perigos.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Artistas do Deviantart fazem obras de arte...


Inspirada numa paródia em Inglês que eu fiz da canção "Miau Miau" da Floribella! :D


Daqui fala Tifongirl, a vossa fada, há tanto tempo perdida nos mares (e nas aventuras) da internet.


Primeiro falarei sobre aquilo que ando a fazer desde que "dei uma sumida"...


Desde que ando pelas redes do meu blog no meu site http://princesshamanarta.deviantart.com/ com o mesmo nome do Princesa Shamanarta (nome inspirado naquela que é a deusa - e a minha musa ficcionada), que conheci artistas que até parecem uns autênticos picassos da tão reputada e popular "arte digital".


Phobs, aquele cariaturista universitário de origem Moscovita, é um génio do pincel e da aquarela. Para mim, ele faz lembrar aquele desenho animado "Rhapsody in Blue" com os seus desenhos à antiga, as personagens históricas que ele pinta são tão cómicas, mas ao mesmo tempo, este mágico da tinta e do photoshop consegue capturar a essência de homens e mulheres de renome de uma forma quase realista, a ponto de as expressões quase saírem do ecrã para nos expremirem: raiva, tristeza, compaixão, felicidade, ódio, maldade, bondade, dor, sofrimento, malícia, desejo, enfim! Um sem número de emoções, histórias ficcionadas e histórias reais.


Os cenários que ele gosta mais é o mundo dos "Loucos Anos 20", a Segunda Grande Guerra Mundial, os Anos 30, e a Primeira Grande Guerra.



A seguir, vem Hello-heydi, esta polaca eu já estou farta de a elogiar. Os seus desenhos - e pinturas a óleo, a lápis aguareláveis, a pastel, com tinta digital - seguem um estilo completamente diferente. A arte dela, cheia de metáforas sombrias e de símbolos ocultos, com origens no paganismo no qual acredita veemente, faz com que entremos num mundo mágico, onde o homem em questão - A Humanidade, personificada num homem que muitos poderão não achar humano - é retractada com duas caras: o Mal e o Bem. Mas ela não faz tudo a preto e a branco. A Art Noveau é uma das suas grandes inspirações. A música medieval, o metal e o pensamento gótico também estão presentes.


O mundo dela é um mundo onde a justiça é verdadeiramente cega, e aonde os maus pagam com o seu próprio sangue por tudo o que fizeram.



E chegámos a LaNorthWay (ou Lisa, como eu gosto de a chamar), aquela Norueguesa que é como uma lufada de ar fresco no meio de tanta arte madura e quase a nu!


Esta rapariga de dezassete anos, nascida entre o campo e as montanhas, parece reflectir a própria alegria da natureza através da arte digital que faz: os desenhos dela são mais ao estilo anime e manga (as expressões, os rostos), embora a própria maneira de ser desta minha amiga consegue surpreender com a garra e com o optimismo de um estilo cartoonistico. É difícil não sorrir quando estou a conversar com ela. A comédia, vista muitas vezes através por ela no cinema, na televisão, através do espectáculo, é uma grande parte da vida dela, e isso reflecte-se nos desenhos, que, por vezes possam ser um pouco disparatados, têm o seu quê de genialidade, por não só criar personagens, como tentar recriar os dos outros (principalmente, os meus). A ela, eu dou uma grande salva de palmas.


Tenho saudades de conversar com ela.


Dj-Alien-Olga, talvez uma das mais jovens mulheres mais intrigantes e que mais me espantaram com a sua arte, umas vezes moderna - o estilo punk, a música de discoteca - outras vezes, uma vez mais, baseado na Segunda Guerra Mundial. As suas personagens, presas num mundo de paixão, sensualidade, mas também de morte e de ódio, são completamente cativantes. O Homem (e estou a falar do género masculino no ser humano), nas obras de arte desta Ucraniana, é um ser poderoso, forte, abusador, calculista e cruel, mas, também carinhoso, sedutor, com emoções e sonhos, tal como qualquer ser humano. Não sei quanto a vocês, mas eu gosto dessa faceta. Lembram-me o Assassino do Amor, ou o Padrasto da Jessica.


A mulher, pelo contrário, é um ser cheio de esperanças, ingénuo, mas também com a sua própria forma de energia e coragem. O desejo reprimido pelo homem, a paixão que sente por ele, a sua própria feminilidade, tudo isso é inspirador!


Agora vamos dar a volta ao globo e ir ter com os vossos vizinhos, a Argentina. O pseudónimo é MarcoMaxwell, e é uma artista muito talentosa. Uma fã de anime e de manga, esta jovem - quase nunca me correspondo com ela ou raras são as vezes que falo com ela, mas quando faço é para lhe fazer alguns comentários no blog dela do Deviantart - consegue misturar o estilo manga com o característico espírito latino que nós tanto gostamos nos nossos amigos da América do Sul. Eu adoro as tiras de banda desenhada que ela faz, especialmente se são acerca um anime que eu "me amarrei " durante um tempo e que é a razão pela qual também conheci LaNorthWay: Hetalia Axis Powers. Embora o estilo dela não seja original, eu gosto de passar por lá de vez em quando.


Uma vez mais, estamos na Argentina, mas desta vez é para falar sobre Elisadeth, uma artista de origens alemãs que brinca com o passado dos seus antepassados - e de uma forma criativa. Ela tem provavelmente uma das bandas desenhadas online mais populares. "We Will Never Surrender" é tão bom que fez com que eu corresse até à universidade, sem comer uma única fatia de pizza para o ler. Quer dizer, a história sobre o desejo homosexual de um oficial das SS por um soldado Russo em plena guerra....fantástico, hilariante e com um toque de humour negro e palavrões pelo meio, daquela forma que só o Phillip Kerr faria!




naquilo a que eu, uma adepta fervente desse estilo, chamo de ArtNazisComunistpop...Parabéns para mim, sou tão imaginativa com os nomes que ponho! (tom sarcástico é claro).


Esta arte, por vezes erótica, por vezes séria, por vezes cómica, por vezes disparatada e cheia de "Japonesices" e de narizes direitos e de Nazis todos bonitinhos e efeminados (ou de comunistas paneleiros), ou, tal como viram, completamente sóbria, é uma arte suburbana e ao mesmo tempo, popular no Deviantart. Como podem ver pelos links e imagens que por vezes dou sobre o estilo, isto inclui vários estilos, desde o humour negro até ao obscuro gótico, desde o sério e realista, até o caricaturado e ao ridículo.


Ou, desde ao exagerado até ao surreal fantástico (acho que me posso incluir no estilo do surreal fantástico). Tenho de confessar: eu dou muitos erros quando estou a escrever. É precisa muita paciência para pessoas estrangeiras lerem as minhas coisas. Sim, digo coisas, porque eu não considero uma verdadeira artista. A minha principal inspiração, desde o princípio disto tudo - do que me atraiu para o cenário da Segunda Grande Guerra Mundial - foi o Allo Allo (http://en.wikipedia.org/wiki/%27Allo_%27Allo) - e o filme da animação em 3D Valiant, os Bravos do Pombal http://pt.wikipedia.org/wiki/Valiant. Para quem não sabe, o Primo Coutinho foi inspirado no vilão principal do filme, o falcão Nazi, o General Von Talon. Eu adorava aquele falcão quando tinha treze anos, tanto que o pus num lugar de destace do Escudo da família Von Tifon.


Acho que foi este monstro papão que me ajudou a enfrentar a minha fobia aos Nazis. Consegui ridicularizá-los. A revelação: eu, quando tinha seis anos, tinha um medo dos Nazis! Tudo porque tinha visto um documentário sobre a Anne Frank. A marcha (ainda hoje, barulho de fanfarra assusta-me) dos soldados fazia-me pensar se por acaso era assim que eles matavam os Judeus, a espezinhá-los (de uma maneira metafórica, sim). Lembro-me que o trabalho que a professora nos tinha dado depois de vermos o documentário era fazer um resumo sobre essa mesma visita ao museu.


Eu cá estava com muito medo, pois a última coisa que eu tinha visto era o rosto de um homem, aterrorizador! Isto é uma história verídica. Só quando tinha para aí...catorze, quinze anos, descobri que esse homem era Reinhard Heydrich. A partir de aí, comecei a escrever, para ultrapassar o meu medo.


A Jessica, a Sara...Não são mais do que meros reflexos do meu eu interior, da minha personalidade. Acho que é o que torna as minhas histórias tão interessantes: eu consigo fazer personagens originais através das pessoas que observo e através da minha própria imaginação.


Voltando ao assunto da paródia, esta artista que eu conheci, há pouca coisa de um mês, chama-se CommanderKrieg http://commanderkrieg.deviantart.com/ . Quase que caía da cadeira quando ela disse-me que estava a estudar na universidade!


De qualquer maneira, qualquer arte inspirada nas minhas coisas é digna de aparecer aqui, não acham?


E eis, o nosso "gatão" - eu estou sempre a gozar com o Heydrich pelo facto dele ser um mulherengo vivo e agora, depois da sua morte, ainda ter fãs, da minha idade! - Reinhard Heydrich, inspirado naquela música de se lhe tirar o chapéu!



sábado, 22 de janeiro de 2011

Vampiros, os Bellantes? Jamais


Olá, a todos os leitores e a todos os que seguem as minhas aventuras.... Já alguma ouviram sobre os sacrifícios bellantes, sobre o Assassino do Amor e sobre os Demónios...pois claro que já ouviram.


Quem está a escrever é a Jessica von Tifon, para esclarecer umas coisinhas acerca dos Bruxos e sobre o dever de dar sangue aos Deuses: na Bellanária, há imenso tempo, o sangue dos humanos era a coisa mais preciosa que existia para os Deuses.


Os únicos que tinham o privilégio de usar a Magia como a conhecemos era a Família Real, os grão-sacerdotes, e os nobres feiticeiros brancos.


O resto da população dividia-se em comerciantes, em guerreiros e em camponeses. Nessa altura, os demónios eram muito mais excluídos da sociedade: eram vistos como...bem como demónios.


Nessa altura, os guerreiros e os sacerdotes tinham o direito (uma vez que eram eles que ofereciam as vítimas dos "sacríficios" aos Deuses) de beber um pouco do sangue que restava. Eles até eram permitidos a um pouco da carne das "vítimas". (Pprimeiro ponto: as vítimas iam voluntariamente, sem drogas, sem qualquer tortura, sem nada) Em segundo lugar, isto era visto como no Cristianismo beber vinho e comer óstia é: uma bênção, e ao mesmo tempo honra e devoção aos Deuses.


E é ou não é verdade que o sangue é muito parecido com o vinho?


Bom, quando o Assassino do Amor começou a ver que a Família Real (alguns membros da família real, isso não significassem que fossem todos) e alguns dos Deuses começaram a tornarem-se corruptos e exigiam cada vez mais sangue, ele descobriu a verdade de que cada humano podia tornar-se num feiticeiro desde que soubesse usar a Magia da maneira mais correcta.


Terceiro ponto: no tempo antes do Assassino do Amor, as únicas vítimas eram homens, e não mulheres ou crianças. A maior parte das guerras era apenas para apanhar homens adultos das várias ilhas que ainda não tinham sido conquistadas.


Portanto, poderemos chamar a isso uma coisa má? Eu tenho muito orgulho em ser agora bellante. A língua Nahuatl é ela própria tão colorida e bela!


Quarto ponto: se é verdade que os Migntetiyte eram vampiros? Não, absolutamente mentira. O meu padrasto apenas foi criado numa sociedade em que as "guerras" (lutarem quase sem armas nem armadura ou uniforme, aquilo não se pode chamar de guerra) que se via no pequeno principado na Morávia que se via eram consideradas "sangrentas", uma coisa que era totalmente errada.


O meu pai - e os primos dele - eram de descendência checa, mas tinham sido educados na religião bellante antiga. A maior parte dos Bruxos e Feiticeiros adoram o vinho ou as bebidas alcóolicas porque substitutuem o sangue perfeitamente bem. E em relação ao sexo? Sim, tenho de confessar que os bellantes são um pouco...como é que eu hei-de dizer isto? Pervertidos em algumas coisas.


Pelo menos os homens. As mulheres nunca. Sabem sempre como manter a castidade e a comedidade. Nunca vi uma mulher bellante que não se soubesse defender de um homem quando queria.


Mas quem é que não é? E ah, só uma coisinha: o sangue, da maneira como os bellantes vêem, não é bebido pelo pescoço! Utilizam-se facas muito estirilizadas - desde há tempos antigos - e muito pequeninas para isso.


Se se apanha alguma doença com isso? Bem, uma outra coisa: os Kolmanatries renunciaram a esse dever, e agora a maior parte dos Feiticeiros Bellantes (sejam eles Bruxos ou Feiticeiros Brancos) faz o "sacríficio" uma vez por ano. É uma coisa tão normal como ir a Meca ou a Jerusalém.


Havia um tempo - desde 1910 até 1970 - que os sacrificios e o derramamento de sangue era proibido.


Agora, se há uma coisa muito engraçada: o sangue não é demonstrado na nossa bandeira. Somos um povo que adora a música, temos um passado um pouco cheio de guerras entre bruxos, é verdade, mas somos, em parte, humanos.


Se a Europa não consegue aceitar isso, que se lixe! O sacríficio não é uma coisa bonita ou agradável - já vos digo, não é! Mas, se não queremos ter problemas com os nossos Deuses (que não são, de forma alguma, vampiros) , é bom que continue assim.


É uma distopia, é. Mas já viram a Cidade dos Deuses ou Cyborg Town? Raramente usamos carros, porque sabemos o mal que fazem ao ambiente. Ok, Cyborg Town, pode talvez ser a mais poluída daqui da Grande Ilha porque foi ocidentalizada, mas o comunismo fez-lhe muito bem. As nossas florestas e cidades são as mais limpas e eu acho que fiquei parva com o azul e o dourado das praias.


A nossa música é variada e a literatura...linda! Eu acho que nunca vi uma sociedade onde existissem tantas nações, pelo menos em Cyborg Town. Vêem-se pessoas de todos os cantos do mundo.


Basta olhar para a quantidade de línguas que se fala. Não vou dizer que gosto do Regime Ditatorial da Serpente de Fogo, porque agora as coisas são levadas TÃO a sério que a antiga religião, pacifica e serena, fica reduzida a uma carnificina de fundamentalismo e fanatismo!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Estátua da Vingança



Há muitos anos que eu já estou aqui, neste pedestal de pedra e de jade esculpido, perto do Poço das Três Bisavós da Senhora Murakami, perto da Praça dos Nove Gritos. Chama-se assim porque se supõe que foi aqui que a minha mãe, a Rainha Kalkashanta morreu ao dar-me à luz. Estou sempre habituada a ver os humanos a passearem por aqui, mas eles quase nunca me cumprimentam. Quando era mais nova, isso sim eram pessoas respeitadas, os homens. Tremiam, faziam vénias, com as suas mãos, beijavam a minha cauda de serpente e tudo! Agora sou apenas uma estátua de jade pintada, esquecida no meio de uma praça cujo nome raras são as pessoas que percebem o significado. A minha cara fria penetra bem dentro do seu coração, tenta adivinhar o que estarão elas a pensar sobre mim, e sobre os meus olhos amarelos de serpente. Mas ninguém quer ouvir o que uma estátua tem para dizer. A minha pele gelada de jade quase que não sente aquilo que alguns rapazes costumam fazer quando me atiram bolas de neve. Não sabem quem é que eu sou. Há coisa de poucos duzentos anos, costumavam haver pequenos rapazes que, por esta altura, colocavam oferendas em minha honra e enfeitavam o meu quimono de seda japonês e o meu roupão e túnica bellante de couro dourado com fitas brancas e azuis-claros. A representação da pessoa de quem eu era em vida, e da criatura magnifica, da inspiração que eu tinha sido para muitos dos habitantes do Norte – era algo que os fazia arrepios e ao mesmo tempo, uma sensação de protecção inigualável. Eu era a única pessoa que conseguia fazer frente ao Assassino do Amor, chinês maldito. Nós, as serpentes, somos como filhas da natureza: mesmo mortos, temos um pouco de alma para pensar, para ter olhos, para olhar para os Humanos. Os meus lábios, já gastos, outrora pintados em bétel, eram belos, e todos os homens tanto me temiam, quanto me amavam. A Senhora Murakami era uma amiga do meu peito, ela fazia sempre uma curta vénia e dava um ligeiro sorriso sempre que me via. Ela era uma filha da neve, ela sabe o quanto eu sofro. O meu cabelo, longo, negro tal como as penas dos corvos, costumava ser o mais invejado por todas as criaturas femininas. As mulheres humanas costumavam olhar-me com um lampejo de medo nos seus olhos. Afinal, que sou eu, senão a irmã gémea de Shamanarta, eu, Rusalka, a Rainha das Nagas?! A minha irmã simboliza a serenidade do Verão, eu sou o início da Primavera. Os humanos a quem os bellantes chamam de Russos puseram-me o nome de uma famosa fantasma eslava.



Quando soube deste tão insultuoso evento, fiquei com vontade de me agarrar ao rapazinho de cabelos de avelã que trocou a minha linda placa que tinha o meu antigo nome em japonês por um nome sei lá de onde veio. Que vergonha, agora já nem sei qual é o meu verdadeiro nome. Seja como for, eu não gosto lá muito do clima do Verão, muito menos o da Primavera. Prefiro o Inverno e o Outono, com as chuvas, a neve – oh, que coisa tão bonita que ela é, a cair ao pé do meu pedestal, enquanto os Homens morrem, estafados nos seus casacos pesados de pele de animais. Eu cá não me importo de os ver, eles é que nem dão pela minha presença, principalmente no Inverno. Se olhassem para os meus olhos, diriam que eu sou uma filha da neve, mas eu cá, sou mesmo uma filha de Jetwas, uma filha e uma irmã, escrava e rainha! Numa das minhas mãos, eu seguro um bastão de ouro – ou pelo menos, costumava ser feito de ouro, agora acho que é mais de bronze ou de ferro ou de outra coisa que substitua estes metais.



Quando eu era nova, costumava cantar nos grandes cabarets de Cyborg Town, quando os meses da Magia Negra chegavam. Quando eu era nova…Enfim, era tudo diferente. Os Invernos duravam mais tempo, os Verões eram mais curtos, e o meu corpo esticava-se sobre rapazinhos indefesos.


O meu corpo alto de mulher era atraente, todavia, ai de alguém que se esquecesse que a parte inferior era de uma serpente. Os meus quatro braços envolviam falsamente, com um ar tentador, aos jovens feiticeiros.



Antigamente, eles tinham medo de mim. Agora, ninguém olha para os meus lindos olhos amarelos, que conseguiam fazer com que uma mulher humana soltasse um grito de terror!



Em cada uma das faces, eu tenho uma bola vermelha pintada, para condizer com os meus lábios da cor do sangue. Com o umbigo e as ancas à mostra, eu desafio Jutierkajam, o grande deus águia demoníaco das tempestades e do mar revolto.



Não que eu me importe muito com isso nos dias que correm. Com os Russos a chegarem que nem baratas à nossa ilha, eu não tenho tido visto nada senão homenzinhos convencidos que julgam saber tudo sobre a vida. Já para não falar nos Nazis, que quiseram deitar-me abaixo, os idiotas!



Se eu pudesse, dava-lhes um enorme puxão de orelhas! Ah, mas eu não vou permitir que me tirem do meu querido pedestal, me dispam das minhas queridas roupas envelhecidas pelo tempo e que me partem em bocadinhos, como fizeram a outras figuras divinas. Afinal de contas, sou uma bellante, e vocês sabem muito bem o que é que se diz sobre as mulheres bellantes: “Quem quiser fazer troça de uma mulher das ilhas, é melhor que corra a milhas depois de a ter traído!”



Contudo, hoje estava tudo muito calmo. Um Kolmanatry de origem judaica parecia estar a tocar uma bela sinfonia, perto dos campos dos Von Tifon. Gosto imenso dos Kolmanatries. Eles não são como a maior parte dos humanos, eles conhecem a Mãe Natureza. Eu ouvia atentamente a sua melodia, e, pouco a pouco, senti-me como nos velhos tempos em que estava viva.



Aquele jovem rapaz humano decerto tinha um talento especial com o violino! Nunca tinha visto ninguém a tocar tão bem um instrumento, a expressar os seus sentimentos poéticos aos elementos, às cerejeiras em flor…E eu vi-o com os meus próprios olhos. Reconheci que era logo um judeu por causa do seu nariz grande e curvo, e da sua cara pálida…Tal como a neve!



Era belo, tão belo quanto o próprio Assassino do Amor, o meu eterno inimigo! Subitamente, um velho instinto impiedoso de matar invadiu a minha eterna alma! Aquele homem tinha uns olhos esquisitos, uns olhos semelhantes ao do antigo feiticeiro chinês que eu tinha enfrentado há milénios atrás.



Ele tinha matado várias mulheres da minha espécie, e eu tinha congelado de morte e de medo muitos dos homens dele.



Tínhamos, sem sombra de dúvida sido inimigos um do outro em vidas passadas. Ele, o Diabo dos Infernos, eu, a Mulher Serpente do Inverno e do frio do norte. Senti uma vontade de o estrangular com as minhas garras eu própria! Porém, eu não podia fazer nada, estava pregada àquele maldito pedestal.


Era a maldição que Samiel tinha arranjado para me manter quieta. Já que eu era da classe dos demónios, ele tinha que me manter presa em algum sítio. Escolheu, portanto, aprisionar-me numa estátua de jade pintada.


Mas enfim, não quero alimentar mais o meu ódio que tenho por aquele homem!



De manhã, fiquei mais calma quando o nosso Senhor de Quem Somos Todos Escravos passou por aqui. Subitamente, escutei gritos vindos do Château von Tifon. Que se passava ali…?



Eu sabia que aquele grito era da neta da Yui, mas nunca pensei que mais desgraças viessem a ter encontro àquela pobre e pura princesa!



Tentei cheirar com o meu pobre e fino, pequeno demais, nariz, o ar frio do vento, mas, repentinamente, tornou-se quente. Sua Senhoria estava a dar uma maldição àquela rapariguinha mestiça.



É claro que não era nada comparado com aquilo que me tinha acontecido a mim! Aquela princesa ia ser capaz de o ultrapassar...



E o facto é que, numa questão de minutos, eu já não escutava mais o ar seco do calor insuportável. Chuva. Estava a chover… A chuva lavava todos os meus problemas. Fiquei com os olhos um pouco salteados de lágrimas, mas não me importei. Desde que o antigo ducado ficasse mais fértil e as frutas mais maduras que nunca.



domingo, 10 de outubro de 2010

A Bela Fragrância e Azul Esverdeado





As escarpas dos maiores picos eram bem definidas pelo cor-de-rosa do crepúsculo, formando lindas gigantescas rosas como única paisagem, e, bem no fundo, na beira do precipício, as fantásticas quedas de água do Rio Bênção, cujas margens estavam cobertas de um manto verde e fresco, colorido pelas luzes românticas da madrugada, formando um lindo cenário natural. Estávamos no pique do Verão, porém ela agachava-se bem quente sobre o manto verde-escuro, escondendo, com inocência, a sua carinha amarela e pálida.


Havia uma certa magia em todo aquele sítio que a fazia sentir-se bem, tudo era tão inclinado, e apesar de ver perfeitamente que aquele caminho era o mais perigoso até à Bellanária, com apenas a uns centímetros de uma queda de cem metros até aos poderosos rápidos, que corriam violentamente contra os penedos e rochas duras que esculpiam o cenário do desfiladeiro que constituía o leito do rio. Nunca, em toda a sua vida, ela tinha visto tamanha força num só rio!... O poderio e majestade dele fascinavam-na tanto que nem reparava no irmão mais velho, que olhava de relance, desinteressado, para a janela.


Quing viu que os seus brilhantes olhos verdes se espelhavam bem lá no fundo do desfiladeiro, e lhe davam um ar brilhante azul esverdeado aos seus cabelos escuros. Fen Li era uma rapariga muito jovem e interessante – era óbvio, era a sua irmã – e com os seus treze anos, poderia muito bem ter arranjado o melhor dos maridos, com aqueles cabelos de lótus negro, penetrando bem dentro do seu coração. Ela era suficientemente simples – uma miúda de campo nunca é inteligente, segundo os princípios dele – para que um senhor de guerra a aceitasse como principal mulher. Mas, tão pouco seria assim tão ingénua quanto belo era o novo visual do novo lar deles. Era inteligente, era, porque sabia demasiado bem como falar Bellante, como também conseguia preparar óptimos cozinhados. A jovem escrevia como ninguém, e, para ser realmente franco, ela era muito melhor espadachim, cavaleira e guerreira do que ele próprio.


Quem lhe dera que não fosse tão lógica, tão forte, … Mas ela era assim; mesmo mais nova do que ele uns bons três anos, Fen Li estaria sempre a um passo à frente dele.




O cocheiro parou de repente os cavalos alados numa saliência, numa espécie de planalto de granito, onde se podia avistar um vale grande e inóspito, por onde o rio era desviado até a uma gruta, suficientemente enorme para o engolir, até às Florestas de Cristal. O ar ali era rarefeito, mas muito mais puro do que na capital, e, por isso, os ciprestes formavam uma muralha natural até lá. Ainda se podia apanhar o cheiro a laranjeiras e framboeseiros que de lá vinha. Era realmente um cenário lindo, pensou Quing enquanto ponha as mãos sobre os bolsos da túnica oriental, dirigindo os seus olhos para o vale, aspirando profundamente o cheiro a eucaliptos.


O cocheiro, com o seu quimono simples, arrastou a jovem rapariga até si, mas, os olhos verdes e rasgados do irmão mais velho apareceram sobre ele, como duas lanternas no meio da madrugada, e rapidamente, o velho cavaleiro japonês fez um gesto com as mãos.


- Jovem mestre Quing, eu não queria desonrar a vossa irmã, de maneira alguma, ela é mais do que uma formosa obra de arte, é uma espectacular obra de arte viva! – Exclamou, ardentemente, o cocheiro, recuando servilmente.


- Sim, mas não sereis vós quem há-de a ter como esposa, velho ronin deserdado, vagabundo! – Cortou friamente o irmão, contendo a espada na bainha.


Imediatamente, Fen Li interveio, preocupada, aproximando-se de ambos os dois, pondo uma das mãos de fora do manto verde-escuro, revelando um pouco da sua linda túnica azul-claro, que adelgaçava as curvas das suas ancas, desenhado através de seda, e com lindas, graciosas linhas douradas, de peixes e de dragões verdes. Os bracinhos estavam ocultos por detrás das longas, delicadas mangas, e os seus olhos negros brilhavam sobre a manhã fresca, como duas oliveiras.


- Por favor, honrado irmão. – Disse ela, serenamente, na sua voz de rouxinol, o cabelo estava apanhado por umas duas tranças lindas, que faziam ainda mais belo o seu rosto. – Temos de continuar, ou quereis derramar ainda mais sangue do que a nossa mãe quis?


Ao som em Chinês da palavra “Mãe”, o jovem aprendiz de guerreiro calou-se, em silêncio, porque sabia, sabia muito bem porque é que a mãe lhes tinha mandado para ai. Um arrepio passou-lhe pela cara, e lembrou-se de como a mãe tinha sido generosa ao enviar-lhes ao cuidado de um tio que nunca tinham conhecido em toda a vida. Estava habituado a ter parentes em sítios que nem sequer faziam parte das rotas migratórias chinesas. O que tinha sido combinado entre a mãe e o vagabundo samurai era que caso os miúdos não quisessem ir para a Bellanária, ele teria o direito de lhes trazer até à Fronteira, a Terra dos Demónios. E não estavam assim tão longe do caminho para o sinistro reinado de Tsesustan. Temia pela irmã, e temia também o que é que lhe poderia acontecer se o Deus do Mal lhe pusesse os olhos em cima.


Apenas rezava que tal desgraça nunca acontecesse…!


Acenando que sim com a cabeça, ordenou ao Cocheiro para que lhes transportasse até Cyborg Town, onde o desfiladeiro ficava mais largo, para que os rápidos acalmassem. Fen Li, por uns momentos, enjoo, quando o desceram uma escarpa, de maneira súbita, mais veloz e abrupta que um relâmpago, tão sibilante quanto o rugido de um tigre. Mas logo Quing acalmou-a, protegendo-a com os seus braços. Adorava-a, e jamais permitiria que algo de horrível lhe acontecesse.


domingo, 3 de outubro de 2010

Uma nova vida espera-a....


Antes de vos contar a história de Fen Li e de Quing, tenho de vos dizer o que aconteceu com Eleonora....





....tal como disse anteriormente, as versões dessa história variam muito....alguns dizem que ela engravidou do Assassino do Amor, outros dizem que ela fugiu, outros dizem ainda que ele matou-a sem qualquer pingo de piedade.


Seja como for, depois de Eleonora, nunca houve outra mulher que incendiasse nunca mais o coração gelado do Mestre Samiel.


Só para resumir as coisas, a nossa jovem Princesa, filha dos Reis Humanos da Bellanária, passou sete noites no castelo do seu "protector". Durante as seis primeiras, nenhum dos servos ou bruxos que habitavam naquele castelo suspeitaram das grandes jogadas de sedução e das tentativas falhadas que o senhor deles fez com que acontecesse. A rapariga era tão resistente que ele não conseguia, de forma alguma, deitar-se com ela.


Contudo, a sétima noite foi diferente das anteriores. Ao fazer ternamente carícias e a pousar lentamente os lábios em cada ponto do corpo indefeso da princesa, o temível bruxo descobriu que ela era sensível a esse ponto. Que ela se deixava derreter pelos sentidos, e não pelas palavras. Ele, o homem alto com mais de um metro e oitenta, segurava-a nervosamente nos braços fortes, com um olhar quase incrédulo, pressionando e mostrando os seus sinais de excitação de encontro com o corpo dela. Mesmo assim, a jovem de cabelos encaracolados e castanhos ignorou os chamamentos apaixonados que ele lhe fazia. Eleonora era diferente, não se deixava hipnotizar tão facilmente como as outras, não tinha medo daquele homem.


Meio desesperado, ele lá ouviu o que ela tinha para dizer, e agarrou-a com força pelos cabelos, à medida que as palavras dela saíam, fluentemente, em chinês. Porque é que as princesas bellantes tinham de ser assim tão perfeitas?... Tão aristocráticas?! Os instintos masculinos dele diziam-lhe outra coisa. Os lindos lábios dela continuavam sérios e frios, enquanto os olhos dele não conseguiam resistir ao feitiço. Afinal, era ele quem estava enfeitiçado Ele tinha sido atingido pela flecha do Desejo...Amor...há quanto tempo não escutava aquela palavra!... Há quanto tempo que não tinha uma noite daquelas...


Quanto à jovem princesa de dezasseis anos, ela não sabia o que se passava consigo própria. Tinha tentado fugir dele, mas, por mais que tentasse, não conseguia dizer que não...


Passado o tempo do conto, as palavras quase que lhe saíram de repente, agarrada com o colo nu sobre as pernas grandes do homem, ela viu não um vilão, mas um homem pleno em virtude e rodeado de vários inimigos.

Com a roupa interior cor-de-rosa a roçar no tronco forte dele, ela murmurou gentilmente:


- O que achastes da minha história?


Por fim, ele roçou ternamente os lábios nos lábios dela, e os lábios de Samiel sabiam a hortelã-pimenta gélida e queimada. Esta sensação de inferno assaltou de imediato todos os poros da rapariga, mais corada do que o costume, ao escutar o pulsar sedutor do coração do feiticeiro, a respirar de êxtase.


- Foi maravilhosa! - As garras do feiticeiro alongaram-se até chegarem à cintura frágil da princesa, e a voz aguda e ameçadora de Samiel era agora um cicio falsete e quente. - Agora, minha pequerrucha: deixai-me contar-vos a minha história!


Rapidamente, com uma força incrível, quebrou as correntes que aprisionavam a jovem à sua virgindade. Por fim, Eleonora cedeu cegamente às bizarras fantasias sexuais do seu senhor e beijou-o furiosamente, como se ambos se tocassem entre as chamas da paixão. Ela estava a sentir-se tão bem, e naquela altura, pareceu-lhe que o homem tinha descortinado o véu que o separava dela, para enfim serem um. Um sorriso voluptuoso brilhou no formoso rosto da princesa humana. Porque é que o prazer não deixava de desvanecer no estreito abraço do terrível Assassino do Amor? Porque é que agora, o desejava perto de si?


Embora a mente quisesse gritar por socorro, o corpo continuava a ansiar pelos beijos e pelas carícias e pela voz maviosa do Assassino do Amor. Queria dar-lhe um estalo na cara, queria fazer com que a sua voz gritasse aos sete ventos que estava a ser violada por um malvado, mas as mãos não cediam, e a voz não lhe saía da boca, a não ser que fosse apenas para soltar gemidos estranhos. Mal olhasse nos olhos de Samiel, as suas coxas abriam-se à sensualidade! Mesmo que tentasse gemer, o Assassino do Amor silenciava-a, mergulhando ambas as línguas numa virilidade impressionante.


Cada vez que ela soltava um gemido, mais fundo ele ia! Estavam agora unidos, naquele estranho laço de amor e desejo, e ela queria sentir mais uma vez, aqueles líquidos a entrarem para dentro do seu corpo! Lágrimas rolaram pela cara mal o seu corpo acabou de ser profanado. O templo que ela mais estimava, arruinado e destruido, mas decorado com um estranho aroma a pêssego e a maracujá...


Em breve, o Sol já resplandecia uma vez mais sobre a camada azul-celeste. Samiel, adormecido com a pesada cabeça sobre o peito lindo da formosa fada, dormia profundamente, e o seu sorriso confirmava uma sensação de paz que jamais o Castelo Negro tinha antes experimentado. Por umas raras e preciosas horas, o severo senhor de temperamento sádico esteve feliz.


Aquele sorriso de orelha em orelha, nunca visto, desapareceu tão incrivelmente como veio quando ele acordou pelas lambidelas do seu inseparável tigre da Sibéria. Ele reparou que ela tinha os olhos fechados forçosamente e assustados. Iria fugir...? Aquela voz de anjo fora um sonho, e talvez já a tivesse matado...Nem ele próprio se lembrava. O mais estranho de tudo aquilo é que ele nem sequer se lembrava de ter sugado a energia vital àquela rapariga. Subitamente, algo de surpreendente aconteceu, algo que ele nunca tinha previsto: num ressalto, ele beijou apaixonadamente o rosto pálido da menina pálida, mas desta vez, não foi nos lábios, mas sim na testa.

«A minha Princesinha...» Samiel murmurou, amargamente, começando a soluçar, com a sua voz de um jovem caprino. «Matei-a...? Que fiz eu...?!» Cheio de remoros, tentou recordar-se do que ele tinha feito antes de ela lhe ter contado aquele maravilhoso conto. Tinha-lhe soprado um pó...


Era veneno, que actuava dentro de vinte e quatro horas, caso ele começasse a sentir algo por ela. Logo, aqueles sentimentalismos desapareceram. Lembrou-se do facto de Eris lhe ter dito: «Tu nunca tens tempo para os sentimentos...» E era verdade. Tinha sido a sua querida família, os seus amigos da China que lhe tinham ensinado isso.


Obviamente que Eleonora sentia um inevitável amor por Samiel, por isso é que se tinha submetido a tudo pelo que ele a fizera passar.


«Infelizmente que eu não...» Riu-se cruelmente uma vez mais. Com as mãos sob o seu manto de dormir, chamou os fieis servos dele:


- RAPAZES! Preparem o pequeno-almoço...!


Dito isto, soltou aquela gargalhada sinistra inconfundível que qualquer habitante da Bellanária reconheceria: a gargalhada aterradora e maléfica que o Assassino do Amor soltava quando acabava de matar uma rapariga inocente.


Jerininantus foi de imediato até ao quarto onde o seu senhor estava a trautear uma antiga música chinesa.




sexta-feira, 24 de setembro de 2010

James Dark Sword - criança no corpo de um homem


"....Se alguém merece um pouco de esclarecimento, esse alguém é o James Dark Sword. Possivelmente, esta é a única pintura ou imagem que encontrei dele sem aquela máscara de porcelana, em que apenas se vê os lábios dele, e mais nada. Não se sabe quem é a criança que corre a fugir dele, mas o cabelo dele - segundo o que dizem as pessoas - pode muito bem ter escurecido para revelar-se ruivo. Dark Sword era, pelos vistos, uma criança de olhos verdes-escuros e uma camisola negra à marinheiro, com umas calçinhas pequeninas e uns sapatinhos vermelhos. Não mudou absolutamente nada.

É por isso que eu não gosto nada dele, é um pouco para o maluco. Um feiticeiro que se fosse parecido com o Assassino do Amor, então toda a gente na Bellanária diria que este chefe escrupuloso, dramático, amante de festas, cavalheiro, sempre com um sorriso na cara - se é o que se pode chamar àquela máscara horrorosa de porcelana de cara - é a reencarnação do Assassino do Amor. Não podiam haver pessoas mais diferentes, segundo a minha opinião. Enquanto que nós sabemos parcialmente algumas coisas sobre Rwebertan Samiel Di Euncätzio, não se sabe absolutamente nada sobre James Dark Sword, nem sequer se é esse mesmo o nome verdadeiro.

Os bellantes mais velhos dizem que ele era, antes da segunda grande guerra, um nobre milionário, um descendente de uma casa nobre ou real qualquer britânica, que foi esquecida pelo tempo. Para além da antiga polícia bellante - ironicamente chamada de Resistência - não se sabia mais nada sobre ele, nem aonde é que vivia, nem como. Só se sabe que tinha uma suposta irmã - Felicity Dark Sword - que sofreu muitos atentados contra a vida. Vivia uma vida de luxo e de prazer, sempre às custas do ordenado que recebia - e de mais outras coisas que nunca vieram à superfície.

De uma maneira ou de outra, James Dark Sword continua a ser um amante da boa vida e das festas, mesmo que isso faça com que ele corra, muitas vezes, perigo de vida. Pelas testemunhas que o viram, ele é um homem alto, bem constituído, de olhos verdes escuros e agradáveis, sempre com roupas bem elegantes (que, até de longe realçam a sua forma acrobática e atlética) , uma capa negra de veludo a cobrir-lhe o corpo másculo, e uma espada muito poderosa presa á cinta, embora o Conde Dark Sword seja um homem de muitos recursos.

Hábil nos flertes e nos galanteios, ele é a única razão pela qual eu e a Serpente de Fogo temos uma coisa em comum: odiamos o homem por completo! Primeiro porque é um dramático teatral de primeira, que quando fala em Inglês, parece que está a recitar uma obra de Shakespeare, segundo porque é um idiota chapado que faz com que a maior parte dos Tienenses o admirem, tanto quanto o temem. Não é como o Assassino do Amor, cujo as pessoas do Norte odiavam de todo. Este homem [o Dark Sword] tem o seu ar de cavalheiro justiceiro, que oferece uma rosa azul a uma dama e recusa-se teminantemente a lutar quando as "senhoras" estão por perto. Enquanto que o Assassino do Amor preferia manter-se nas sombras e não ser visto, Dark Sword faz os possíveis - e os impossíveis - para ser notado pela sociedade de Cyborg Town.

E, quanto a ele, acho que é tudo....e mais uma coisa: o Pedro (o sobrinho cyborg do castigado deus Tezcatlipoca) adora o Dark Sword. Tanto que até costuma compõr canções sobre ele na guitarra. Não que isto ajude lá muito a pastelaria, café, snack-bar do tio Tezcatlipoca, mas o Pedro sempre foi um rapaz muito despistado. ... "

Parte do diário de Jessica von Tifon....porque eu queria desenvolver a personagem da Jessica, e não me ocorria outro texto senão descrever o Dark Sword, que é uma das personagens mais teatrais e exibicionistas que eu alguma vez criei! :D