quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Guerreiros da Justiça...


Por entre as árvores, ouvia-se passos apressados e velozes, tão rápidos como um relâmpago, e, embora não estivesse mau tempo, o rapaz de tronco forte e com uma coloração azul estranha pressentia que algo de errado se passara com aquela que mais amava. Adornado com uma armadura de ouro e fios de prata, com uma túnica de uma cor dourada resplandecente, o corajoso rapaz corria o mais depressa que podia, em socorro da sua bela donzela. Nariz fino e pequeno, olhos castanhos e encantadores, rosto quadrado e sobrancelhas expressivas com um cabelo negro a cair pelas costas era o aspecto de Indra, o Príncipe hindu com quem Eleonora estava prometida.
Armado com um arco e flecha às costas, o esbelto jovem percorria a floresta por toda a parte, mas nem sinal da sua adorada “Eli”.
Exasperado, e com suor a escorrer-lhe pela cara, só tinha a vontade de lançar um raio a Neptuno por não cumprir a sua promessa e o ter desonrado.
Segundo as antigas tradições atlantes, um matrimónio entre uma filha atlante e um estrangeiro é um compromisso que a nobre donzela aceita pela Nação, e, se na véspera da cerimónia do 1º dia ela faltar ao encontro com o noivo, isso significará um insulto pessoal ao esposo e ao reino que ele representa.
Sentia-se profundamente ultrajado, com sinais de irritação no lindo rosto de anjo, mas, no fundo, estava com pena de Eleonora. Afinal, ela não tinha culpa nenhuma daquelas idiotas tradições.
Além disso, como ideal do Povo Hindu, devia demonstrar ser sereno e sábio em todas as ocasiões, quer estas fossem boas ou más.
Suspirou, muito desgostoso. Quem é que poderia ter levado a sua luzinha para o paraíso?
De repente, um grande lobo castanho surgiu por detrás dele e cumprimentou-o, com a cauda a sacudir a brisa nocturna.
- Boa caçada, Senhor Indra. – Disse uma voz máscula de homem.
O príncipe riu-se à vontade, distraído, esquecendo-se por uns momentos que tinha perdido a sua Princesinha.
Parou rapidamente a correria, e, num abrir e fechar de olhos via um rapaz, cinco anos mais velho que ele, com uma túnica branca e que empunhava um grande machado flamejante. De tronco nu, Anúbis olhava para o amigo com um sorriso cúmplice no rosto.
Indra, muito contente por rever o grande e antigo companheiro de brincadeiras de meninice, apertou fortemente a mão do egípcio.
- Francamente, Anúbis! – Exclamou admirado. – Não esperava ver-vos...
- Calma aí! – Cortou o deus embalsamador de bom humor. – Podes tratar-me por “tu”. Somos irmãos de sangue, ou já não te lembras dos nossos tempos de crianças quando costumávamos brincar pela Floresta de Cristal?
Ao recordar-se dos tempos de menino, Indra também lembrou-se do sorriso inocente e nostálgico que Eleonora lhe dirigia sempre que o via.
Aqueles lábios carnudos e rosados que esboçava umas curvas agradáveis e doces, tão doces que até apetecia tocar.
Como sentia saudades da sua amada e, como ansiava poder apertá-la no seu terno abraço, acariciar aquelas faces puras de seda, tonificados com cacau e leite cada manhã.
Sentou-se, de pernas cruzadas, e com as mãos juntas meditativamente, como se estivesse a orar, e, num gesto pensativo, fechou lentamente os olhos.
Por uns minutos, ficou ali, com pensamentos sombrios a vir à superfície da mente. E se ela estivesse a correr mesmo algum perigo real...?
O que poderia fazer?! Sentia-se impotente por não ver mais uma vez o amoroso olhar de Eleonora. Na escuridão da noite, ele suspeitava que forças temíveis o observavam, de todos os lados. Homem ousado e de grande sentido de honra, Indra sabia o que é que o aguardava. Mal que se tinha apercebido que algo de mau acontecera a Eleonora, tinha evitado, de todas as formas, aquela opção. A floresta tinha muitos ouvidos, e ele já tinha ouvido falar de um bizarro “demónio negro em forma de humano”, cujos sinistros poderes eram clamados e receados pelas sílfides, as fadas do ar e da música.
Apenas um homem, suficientemente esperto, poderoso, calculista e malicioso como o Assassino do Amor seria capaz de dizer onde é que a sua querida e formosa princesa estaria.
Embora quisesse muito estar com a sua amada, nunca confiaria num bruxo tão traiçoeiro como Samiel.
Um arrepio passou por Anúbis mal leu os pensamentos do jovem e cuidadoso príncipe.
- Ih! – Indagou ele com calafrios na espinha. – Não vais pedir ajuda ao crápula do Assassino do Amor, pois não?
- Não tenho outra escolha. – Resignou Indra, um pouco preocupado, mas num tom decidido. – Mas esta noite...não. Provavelmente a besta já deve estar a dormir profundamente, ou a planear um roubo. Se quiseres acompanhar-me até ao Castelo Negro ao meio-dia, estás à vontade.
Anúbis deu generosamente a mão ao amigo para que este se levantasse, e tentou um leve sorriso.
- Sempre é melhor do que caçar serpentes nas margens do Nilo. – Disse ele, meio atrapalhado. – Então até daqui a um mês.
Depois das despedidas formais, os dois guerreiros combinaram encontrar-se nas margens do Rio Bênção às sete horas da manhã dentro de trinta dias, para que chegassem bem cedo à tenebrosa morada de Samiel.
A última coisa que queriam era interromper o almoço do Senhor da Magia Negra.
Assim, se chegassem bem cedo, teriam tempo para conseguirem convencer o feiticeiro a auxiliá-los na dura tarefa de desvendar o paradeiro de Eleonora.
Não seria fácil, mas, Indra, sagaz e esperto como era, teve a precaução de aconselhar Anúbis para que trouxesse todo o tipo de armas que conseguisse arranjar. Com Rwebertan Samiel Di Euncätzio, nunca se sabia quando é que viriam a precisar delas....!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A venenosa Nereida!


Ora, todas as noites de lua cheia, Indra aparecia sob a forma dum fantástico elefante branco, e, com a sua tromba majestosa, levava-a para a sua morada distante onde, secretamente, se dava uma noite de amor e compaixão, onde quanta beleza fora contemplada em ambas as sociedades, tanto hindu, quanto atlante.
E aquela noite era especial, pois Indra arranjara finalmente coragem para pedir o consentimento de Neptuno para dar a sua filha.
Contudo, estava atrasado, pois já o Sol aparecia e Neptuno ainda não vira de volta os olhinhos mais queridos de Eleonora. Era uma antiga tradição o pai ver o noivo antes da noiva, mas, naquele caso, Neptuno já sabia que aqueles dois estavam pré-destinados um ao outro, desde que nasceram. Na verdade, Eleonora começou a ficar com medo, logo que os pássaros e os animais pararam de de se mexer. Aquilo não era obra de um lobo, dum tigre ou de uma serpente. Esperava que o seu valoroso príncipe encantado das Índias de vinte e três anos viesse buscá-la no seu elefante e vivessem felizes para sempre numa terra de conto de fadas.
Adorava os braços fortes de Indra que a afagereria tão carinhosamente; os seus lábios firmes que ela sonhava poder tocar mal ele dissesse o “sim” qual pequenas formigas delicadas; os seus olhos castanhos e honestos, o tronco másculo deste...Enfim, Eleonora era louca pelo deus, e, dentro de semanas, quando fizesse os seus dezassete anos, os destinos de ambos seriam unidos pelos céus divinos e pelo amor...!
Tão perdida estava ela naqueles devaneios infantis que nem reparou num peixe, prateado e esguio que se debatia na terra para sobreviver.
- Eleonora! – Chamou numa voz meiga, mas fraca. – Princesa Eleonora! Ajudai-me, por Deus!
A rapariga, inteligente como era, primeiro desconfiou dos pedidos de socorro daquele ser. Franziu o sobrolho ao se debruçar cuidadosamente na relva fresca. Viu o elegante peixe de cinquenta centímetros a sufocar, e a saltitar de um lado para o outro.
Como poderia um peixe falar...? Aquilo era quase tão impossível de acontecer como o estranho atraso do amigo Indra.
Encolheu os ombros, um pouco confusa e atrapalhada, sem saber o que havia de fazer ao coitado animal.
Correria o risco de confiar num peixe falante, ou faria a coisa mais certa e o devolveria ao seu verdadeiro habitat?
Era uma escolha um pouco difícil de fazer...Meditou durante um momento, a tentar ignorar a voz doce do peixe.
Como rapariga bondosa e misericordiosa que era, Eleonora não deixou de ter pena do pobrezinho.
Então, com um carinho e preocupação de mãe, apanhou-o delicadamente, e, num instante, deitou-o com muita cautela ao lago – o mais cauteloso que se pudesse ser quando o peixe enorme, um salmão, pesava quarenta quilos.
Mal que se viu novamente perto dos nenúfares brancos que o rodeavam, mergulhou feliz para as profundezas da água.
Quando a rapariga pensava que ele já não voltava sem se quer ter agradecido, deu de caras com uma enorme corrente de água que lhe molhou logo a cara.Sorriu, meio apanhada de surpresa, e observou com um ar divertido as espantosas acrobacias que o peixe executava, dentro e fora de água.
Os olhos azuis e cristalinos, separados do peixe, brilhavam de satisfação.
- Estou-vos muito agradecido, Princesa. – Disse ele dentro de água, numas bolhas que soltava e que ela compreendia perfeitamente. – Salvastes a minha vida, e digo-vos com todo o maior respeito, Vossa Alteza, que a vida dum peixe é algo simplesmente delicioso. Se houver algo em que eu possa retribuir, por favor, não hesitai em dizê-lo agora!
Eleonora abanou a cabeça humildemente, com os palmos das mãos levantados diante do peixe.
- Oh, eu não desejo riquezas nem poder, meu peixinho. – Respondeu a menina. – De facto, há apenas uma coisa que eu quero: o meu amor, o valente caçador Indra, ainda não voltou das suas desavenças no Reino da Ásia.
Com um ar suplicante, mas dócil, ela acrescentou, num tom receoso:
- Se sois um peixe viajante e experiente, podereis dizer-me onde é que ele está e se está bem de saúde?
O airoso e arisco peixe saltou da água por um momento e, fez uma coreografia gentil, abanando vigorosamente a barbatana caudal vermelha e achatada de um lado para o outro, em sinal de negação.
- Lamento, Eleonora. – Disse, numa voz, que não deixava de ser harmoniosa e agradável de se escutar. – Em toda a minha vida de peixe, nunca me deparei com semelhante nome. Porém, se necessitardes da minha...
Inesperadamente, o peixe desenhou torpemente um maravilhoso castelo, com pináculos tão altos como belos, com os seus movimentos na água, parecendo muito contente, para admiração da jovem fada.
- Já sei! – Exclamou. – Um feiticeiro branco amigo meu é um sábio conhecedor de todas as artes mágicas. Talvez ele consiga adivinhar onde o vosso amigo se encontra neste preciso momento.
Dito isto à pressa, ele mergulhou novamente até ao leito do lago e, num rabear misterioso, desapareceu por entre as algas como se fosse açúcar a diluído.
Curiosa como era, Eleonora seguiu-o até ser puxada subitamente por uma força sobrenatural debaixo de água, que lha deixou inconsciente!...
Uma gargalhada duma mulher maliciosa ecoou por entre as árvores da Floresta de Cristal, satisfeita por obter por fim a sua vingança!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Uma pequena questãozinha pessoal (LoL)




Assassino do Amor:

Vilão, Herói, ou Anti-herói...?

Sei que, ultimamente tenho sido um pouco exigente com os meus posts, mas tenho andado um pouco confusa hoje em dia....!
O Stress dos dias têem-me deixado sem inspiração, e, uma vez que quero ingressar numa carreira de escritora, preciso de ajuda, porque, tenho o prazer de vos afirmar que uma das minhas histórias vai para um concurso de escrita que se vai realizar em Portugal.
Ora, como a data de entrega é para 12 de Março de 2008, queria ter uma opinião vossa acerca dum personagem que, provavelmente, alguns de vocês já conhecem:

O Mestre Rwebertan Samiel Di Euncätzio

É que vou lançar um pouco da “biografia” dele (risos) para o concurso, e não sei de que maneira é que hei-de de o retractar.
A escolha é vossa, uma vez que estou tão indecisa!...
Basta comentarem e responderem a esta pergunta:

Como é que vêem o Samiel?

· O bonzinho;

· O mau-da-fita;

· Ou o arrojado e ambíguo anti-herói?

Lembrem-se, uma única resposta pode ajudar muito...

‘...O conceito de inimigo não é completamente certo e claro...’

Excerpto de frase famosa de Jean Paul Sartre (1905-1980)

sábado, 26 de janeiro de 2008

A ondina do Crepúsculo (parte I)


Bom, na verdade, Eleonora estava nesse preciso momento a comtemplar o famoso Lago Nelnjar, e a aprender as línguas dos peixes e das criaturas marítimas. Como infanta, o seu dever era preparar-se para um dia, casar-se e tornar-se Senhora da Floresta de Cristal, a Rainha Eleonora, descendente dos Deuses do Olimpo e dos Céus Celestes. Os seus olhos castanhos-claros resplandeciam sobre o luar, enquanto observava a escuridão, numa túnica à prova de água, azul transparente, com o cabelo negro encaracolado molhado a ondular ao sabor do vento agreste a soprar violentamente. Ela não se importava, como ondina – espécie de fada, tanto de sexo masculino, como feminino, de grande sabedoria e contacto com a natureza, que pode viver até aos quinhentos anos – a sua primeira tarefa era entender a água e as suas criaturas. A chuva caía devagar por toda a parte, anunciando um possível aguaceiro, mas nada fazia a pequenita de se abraçar às ondas do calmo lago à meia-noite. Ela adorava o elemento aquático e o ar. Por uns momentos, quis abrir as suas asas de borboleta azul-celeste e voar com o seu grande e travesso amigo, Indra, o deus Indu dos Quatros Ventos e da guerra. “A Sonhadora” – era o que o seu nome significava em Atlante-Arcaico, a antiga língua ancestral da qual a princesa era uma excelente aluna.


Como quarta filha de Neptuno, fora criada na agradável corte dos Deuses e das Fadas, entendia a Natureza como ninguém. Aí, os dez juízes da Atlântida ficavam encantados com a eloquência da pequena. Rapariga inteligente, sábia e dotada de uma bondade incrível, percebia a Filosofia, as Artes e as Ciências antigas tão bem que até os magos da corte elogiavam a jovem.
Algumas vezes, sonhava com terras desconhecidas; batalhas fantásticas onde ousados cavaleiros se desafiavam por amor a belas donzelas; ardilosos feiticeiros capazes das mais inacreditáveis proezas; misteriosas damas encantadas no meio de luxuriosas e vastas selvas; maliciosas e gananciosas bruxas; demónios de fealdade indescritível; e, no fundo, havia o garboso príncipe encantado, que, um dia apareceria no nevoeiro, com o seu nobre corcel branco....! Essa era a sua parte favorita das novelas de feitiçaria, em epopeias heróicas e apaixonantes que a faziam suspirar quando via o romântico final do “felizes para sempre”.
As florestas à noite eram um lugar fresco e demasiado imprevisível, mas ela gostava delas assim mesmo, pois ocasionalmente (dependesse das fases da Lua), avistava uma manada de Unicórnios a correr por entre os campos húmidos de erva e folhas atlantes.
Eleonora, também conhecida como a “coraçãozinho de criança sábia”, tinha um temperamento de uma alegre e inocente criança, mas a sabedoria e calma duma mulher adulta.
Nesses tempos, as Filhas de Neptuno passavam imenso tempo a admirar a Mãe-Natureza e a brincar entre os castanheiros; framboeseiras; pinheiros e aveleiras; a nadar nos lagos e a chapinhar no Rio Benção; e a correr alegres entre os jardins do Castelo dos Sete Mares, na Cidade dos Deuses.
Ela suspirou satisfeita, e, relaxada nos braços do lago
Eleonora sentia-se perfeitamente em casa, com aquelas criaturas místicas todas a ajudá-la, a tornar a Floresta de Cristal ainda mais sonhadora e romântica, duas coisas que a própria infanta era.
Sempre com a cabeça no ar, ela gostava tanto de contar histórias às pequenas crianças lendárias, filhas de centauros e sereias, que até se esquecia que se encontrava numa zona de caça do Assassino do Amor.


Na verdade, os olhos verdes, pequenos e penetrantes de Samiel observavam-na com um sorriso malicioso. No entanto, ele nunca a atacaria, como Anúbis dissera anteriormente, ele tinha presas suficientes para aquela noite. Além disso, sob o disfarce dum lustroso cavalo negro, ele estava a uns perigosos metros dela, apenas a devorá-la voluptuosamente com os olhos verdes.
Ela fazia lembrar-lhe Eris: tão bela, tão perfeita, tão intelegente, tão perto de si...Porém, tão distante e impossível de conquistar!
E depois? Cometera um erro com Eris, não o faria com Eleonora! Já com uma donzela desmaiada no negro dorso, ele sabia que ansiava por provar sangue azul....Mas, desta vez, iria ser cauteloso para não a assustar muito, além disso, tinha um bom pressentimento que lhe dizia que seduzir a divertida e inocente menina seria mais fácil do que roubar um doce a uma criança.
Mas naquele dia não, que o Sol já se escondia por entre os cedros e pinheiros bravos e ele tinha de ir retirar para o Castelo Negro, caso alguém o avistasse.
Então, decidido, Mestre Samiel desapareceu por entre as brumas, cavalgando suavemente por entre as ervas altas.
Eleonora pareceu escutar qualquer coisa a galopar, mas....Que lhe interessava isso? Toda a gente sabia que o coraçãozinho da jovem palpitava enamoradamente e tão depressa pelo garboso deus guerreiro hindu quanto o dum beija-flor à procura do néctar.
Quando o via, montado no seu imponente elefante de quatro presas a ír para a caça de garças e a governar as tempestades e chuvas, a jovem ondina sentia como se milhares de borboletas esvoassem no estômago e mal conseguia falar. O jovem guerreiro e príncipe hindu, também de natureza púdica, mas também militarista, não conseguia declarar-se à donzela, pois havia uma data de códigos de cortesia a serem compridos, e nunca foram mais do que meros amigos. No entanto, no fundo de ambos os corações, amavam-se um ao outro como autênticos namorados.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

As gerações de Neptuno


Neptuno queria tudo de bom para as suas sete filhas.



Quem disse que Neptuno, o grande governante tinha, para além de Atlas, outros nove filhos...? Pronto, estes eram os filhos do primeiro milénio, mas rapidamente, com a existência de outras criaturas para além dos Humanos e dos Deuses – os Feiticeiros Brancos e as Fadas – ele decidiu que os filhos fossem os dez juízes das Decisões Finais no Palácio das Reuniões.
Do oitavo casamento, o rei teve sete filhas: Dristina, Racel, Katherine, Eleonora, Helena, Savarhdinada e Swerdinada.
Todas elas belas, talentosas, simpáticas e... solteiras! Era isso que interessava mais a Neptuno, arranjar um par ideal para todas aquelas suas jóias.
Na Atlântida, o moderno e o antigo combinavam um ao outro.
Os jovens ensinavam as novas tecnologias e os mais velhos ensinavam as antigas tradições. Um equilíbrio pacifíco e divino. Algo como aquele paraíso era inatingível em outros países.
Nunca havia problemas nem sarilhos. As pessoas respeitavam as regras e davam a sua própria opinião.
E por isso, tinha tanto medo do Assassino do Amor! Ele representava tudo o que ameaçava a existência da AtLântida: a morte, a guerra, a luxúria, a tentação, a mentira, a vaidade, o orgulho, a inveja, e o ódio.
Contudo, Neptuno via Samiel como um filho e desprezou logo a atitude dos Di Euncätzio e foi o primeiro a ter remorsos.
Nas suas horas de meditação consigo mesmo, perguntava-se porque razão Samiel fazia aquilo tudo? Tinha errado da primeira vez quando achou mal que a sua sobrinha Eris casasse um Feiticeiro Branco, agora pagava as favas.
Um dia, ele gostaria de ter uma conversa com Samiel e perdoar-lhe por o ter achado demasiado inferior para Eris.
Estava ele nos seus pensamentos quando se lembrou que só havia seis meninas sentadas ao seu pé há umas horas atrás.
Onde estaria a quarta rapariga de dezasseis anos, a Eleonora...?
As cinco raparigas acordaram sobressaltadas e assustadas a meio da noite, a pressentir que algo de muito mau teria acontecido à sua irmãzinha.
Mas como...? Como é que uma das raparigas tinha desaparecido?
Era verdade que a rapariga gostava de passar as noites em branco, perto dos lagos e ouvir a lua a contar-lhe histórias maravilhosas. Mas seria ela fã tanto do folclore atlante o suficiente para arriscar ir à floresta na época de caça do Assassino do Amor?
Teria sido ela uma das vítimas de Samiel?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Cyborgs - os anti-heróis da Atlântida

Nascido numa noite enublada e imprevisível de 23 de Maio de 1989 no Centro de Saúde da Estação Manuelina, Pedro Jamelino Tezcatlipoca Mariamint Dardo foi logo carimbado como milionésimo “cyborg de família classe média” do sexo masculino no Bilhete de Identidade do Cyborg Oficial da mãe do Pedro.
É que, segundo a nossa amada Constituição Nacional – 58º parágrafo, alínea a) – que um recém-nascido de qualquer casal cyborg tem ser inscrito no censo pelos agentes do departamento de Direitos Civis Atlantes e levado ao burocrata do comandante deste para depois o baptizarem. Segundo o disco-rígido do lado direito do cérebro do Pedro, o cabo e secretário do desconhecido.
«Ja, ja, ja! Fräulein, diga-me lá o nome dessa larva asquerosa no seu colo, e depressa, porque isto, sinceramente, para mim é uma completa humilhação! Francamente, aonde é que eu fui encalhar? Como cabo dum imbecil africano qualquer analfabeto e acéfalo, espetado num fim do mundo, e tudo por causa daqueles malditos checos e ingratos!» Resmungou o oficial não-comissionado num sotaque alemão.
«Pedro em honra de Enoque, o Rosa Azul; Jamelino que significa o “Bom Aventurado” em Atlante; Tezcatlipoca do lado do tio; Mariamint do meu; e Dardo da alcunha do...»
«Sim, do Tenente Dardo, o herói dos Cyborgs e grande amigo de James Dark Sword, já ouvi falar desse traste igualmente, minha querida senhora!» Respondeu severamente o homem, num tom frio. «Então, meu anjinho? Vai levá-lo para o Projecto Pó-de-arroz na Fronteira?»
A verdade é que o Projecto Pó-de-arroz, um suposto programa pedagógico, dirigido aos recéns-nascidos cyborgs nos Anos 80 cujos eram levados pela SPV até a um “jardim de infância” onde só o Demo sabe o que eles faziam aos pobrezinhos!
Campo de concentração, lavagem de cérebro e cãmaras de gás para crianças, é o termo mais correcto e sincero que se podia dizer do genocídio de cinco mil criancinhas mortas lá. Isto tudo controlado com o General B a vigiar tudo sabe-se lá em que sítio.
Cinicamente chamado de Pó-de-arroz por causa da brancura do desinfectante usado para asfixiar dolorosamente os coitadinhos e por causa da canção portuguesa que os assassinos da SPV usavam para acalmá-los.
Felizmente, o meu querido Pedro escapou às garras dos bruxos mais maquiavélicos e cruéis que alguma vez pisaram a Atlântida. Alguns agentes até se especializaram em animação infantil e dar doces às crianças. Com um ambiente e músicas da roda à mistura, as crianças cyborg pareciam muito felizes nas visitas da família, mas a terrível realidade é que eles estavam sob o feitiço do “Flautista da Fronteira”, um famoso bruxo e assassino profissional que detestava crianças e era o comandante do Projecto Pó-de-arroz. Nunca se viu a descobrir qual era o verdadeiro nome do tal Flautista, mas se ele mau e foi suspeito de crimes contra a humanidade e de usar Magia Negra Antiga e Proíbida, foi!
Pouco se sabe sobre os antepassados do Pedro, muito menos como é que ele nasceu, nunca conheceu o pai. Quanto à mãe, apenas se sabe que ela gostava muito dele e deu o segundo nome do exterminador do terrível Assassino do Amor, pois tinha o pressentimento que ele seria também um herói. Desapareceu pura e simplesmente, duma forma tão misteriosa como sinistra! Tinha o meu namorado três anos, e estava ele a dormir descansado com a mãe, quando, subitamente, uma sombra de escuridão, cobriu por completo todo o minúsculo quarto...! O Pedro não gosta de falar destas coisas, a única coisa que se lembra daquele dia foi de ter ouvido o pedido de socorro da sua mãe e uns olhos azuis brilhantes de lobo a olharem fixamente para ele com um certo ar cínico e maléfico.
«Se era um sacana dum bruxo mandado pela SPV ou se era o Papão, nunca hei-de saber...!» Disse-me ele com um grande receio na voz.
Aos seis anos, adoptado pelo tio, ele ingressou na famosa e distinta Academia dos Feiticeiros Portugueses, em Coimbra, graças à benção duma fada.
Conhecida por ter um severo educador e só entrarem as crianças mais bem comportadas e filhas de pais ricos, Pedro viu-se num ninho de bruxos ibéricos e de aprendizes de deuses. O facto é que o educador-chefe de quem os pais tinham tanto medo era um bruxo cujos grandes poderes e maldade eram apenas cobertos pela sua enorme paixão pela música e grande carinho que tinha pelas crianças.
O Pedro lembra-se de tratá-lo por Tio Bruno, e que ele só castigava ou dava palmadas aos meninos maus.
Um pouco social e alegre por experimentar novas brincadeiras, o meu namorado disse que aquele foram os melhores anos da vida dele. O Tio sabia tocar vários instrumentos, dos quais o violino, o saxofone, o órgão do enorme átrio do infantário, o piano eram os predilectos para animar os pequenitos e contar-lhes histórias.
Enfim, desde os seis até aos dez anos, ele divertiu-se imenso, mas disse que já tinha visto alguns dos seus colegas apanharem com uma sova que eles jamais esquecerem do tal amável Tio Bruno. Assassino do Amor ou gentil Anjinho-da-guarda, eram as alcunhas que mais se ouviam nos corredores por entre os meninos.
O facto do tal senhor ser tão perfeito e a sua dupla personalidade de “homem frio e sombrio” e “tio agradável que dava doces aos meninos bons” foi o personagem que mais intrigou o Pedro, mas depois, aos onze, deixou a escola para vir ajudar o verdadeiro Tio Tezcatlipoca na pastelaria/café/restaurante. Além disso, como era uma escola interna, o rapaz tinha de viver e dormir em Coimbra.
Foi um grande desgosto para ele deixar a escola e ainda sente muita falta daqueles passeios e temperatura amena de Coimbra, com o seu Portugal dos Pequenitos, a linda igreja e as fantásticas ruínas de Conínbriga onde ele costumava brincar com os seus colegas...Enfim, a meninice dele ficou marcada por aquela cidade e por aquele personagem estranho que, nas tardes de folga aos sábados estava habituado a tocar violino, tão taciturno, tão triste e desiludido...!
O Pedro nunca percebeu porque é o Tio Bruno ficava tão infeliz naquelas tardes....!
Aos doze até aos catorze, a idade das aventuras, ele tornou-se num autêntico pestinha e começou a fazer caretas aos bruxos e aos agentes da SPV. Aquilo era rebeldia que nem te digo! Ainda bem que não o conheci quando tinha essa idade tão infantil, senão ainda dava em doida.
O facto é que ele, por ter de voltar à suja e húmida Atlântida, sentiu-se frustado e reprimido, e por sua vez, isso deu em grandes sarilhos! O tio, demasiado brando, deixava-o andar por aí a fazer bigodes e caras de maus aos oficiais da SPV adormecidos; a escrever grafittes cómicos contra os Bruxos na parede da esquadra local; a roubar comida; e a destruir tudo o que era sítio.
Ele sentia-se bem assim, era a sua forma de se afirmar, mas em breve, tudo isso acabaria...Um dia, apareceu um bruxo importante na cidade, aos quinze anos, que, ao se atravessarem duas crianças demónio no caminho, ia bater-lhes com um chicote quando Pedro os defendeu, dizendo que o bruxo não tinha o direito de bater em duas crianças de apenas três e quatro anos. Infelizmente, o caso deu mal e o meu namorado, humilhado pelos rufias do tal arrogante Príncipe Lenek, que lhe deram uma coça que lee jamais esqueceria. A partir daí, todos os dias, o Pedro chega a casa com algum dente partido ou as joelheiras com alguma ferida. Mas nada disso impede aquele palerma de se meter em sarilhos numa qualquer rixa entre jovens cyborgs e aspirantes a agentes da SPV.
Se não fosse eu aparecer na vida dele aos dezasseis, sabe-se lá em que prisão o meteriam...Conhecedor de artes marciais como o judo, a esgrima e o, ele até se safa nas ruas, mas quem manda são os Bruxos, não os Cyborgs. Imagina se ele tivesse que enfrentar os verdadeiros Bruxos! Aqueles que já atingiram a maioridade dos Cem Anos.
Ou seja, que já têm mais de cem anos e que podem ser mesmo perigosos.
Ouvi falar pelos antigos duma profecia horrível, duma guerra interminável que porá mulher contra homem; pai contra filhos; irmão mais novo contra mais velho; que trará a desgraça, a crueldade e a maldade até um ponto que a Atlântida seja destruída.
Segundo Samiel, apenas dois ficarão e esses decidirão o destino do nosso destino....Será que a profecia estará a cumprir. É que a guerra está a tornar-se devastadora para ambos os lados. Cada dia, morrem mais inocentes, para acalmar a ira e teimosia dos Senhores da Guerra. Quando é que isto irá acabar...?
Ele não conheceu o Rei dos Bruxos ou o meu Padrasto, ou o Duque von Tifon. O Pedro não sabe a lenda do Assassino do Amor, e é disso que eu tenho medo: que ele se envolva demais e se magoe a sério.
Se ele se meter em sarilhos por causa de mim, vai ter de enfrentar mais do que uns meros pauzinhos de borracha ou pedras.
Bom, foi numa dessas lutas de gangues difíceis – não, ele lidou com os Bruxos mais novos. – que eu conheci o Pedro e a Sara. Quando o próprio Capitão-Mor foi prender o Pedro e eu por acaso estava ali a comprar umas cervejas para o Tio Seth. Era o meu terceiro dia na Atlântida e com unhas de ferro, consegui convencer o grande e excelentíssimo convencido capitão a largar o osso. Foi mais o próprio Dark Sword que me ajudou. O grande e querido Conde James Dark Sword, o único homem honesto em toda a Atlântida e chefe da Resistência. Foi uma honra ver esse génio, esse gato de olhos verdes-esmeralda...Ai, ai...As mulheres caem aos pés daquele meio-cyborg (do pai), meio bruxo (da mãe) – nas revistas, dizem que ele deverá ter uns cento e sete anos, mas que é sempre tão misterioso e frio.
Porque é que será que, eu e as outras mulheres ficam caídinhas por ele...?
Será do sorriso encantador; dos olhos azuis profundos e lindos; dos músculos por debaixo daquela capa ou daquela eloquência charmosa inglesa...?
A primeira a reparar naquele 007 atlante foi a Serpente de Fogo, precisamente uma inimiga dele! Acredita, aqueles dois têm uma química juntos. Todas as revistas cor-de-rosa dizem que, se não fossem, politicamente, advsersários, casariam o mais depressa possível. Toda a gente o sabe, excepto o meu primo...!? Sinceramente, eu preferia que ela se casasse com o Dark Sword do que com o Sr. Duque Couto von Tifon, um bruxo de alta estirpe e, meu primo. Para que assim, não tivesse que chatear-me e fazer das crianças – para não falar dos demónios, as fantasmas, a minha família – de escravos de Sua Majestade. Coração contra dever: já vi este quadro em algum lado....Além disso, todos os Cyborgs sabem que o seu líder politíco está completamente apaixonado pela sua pior inimiga. Ai...Ai...O Cupido tem andado tão ocupado, não achas?
O resto tu já conheces: tornámo-nos inseparáveis, o trio dos invencíveis!
Bom, o que resta saber é se a vida na Atlântida nos tornará a sorrir....


As aventuras do Pedro Dardo, a Jessica e da Sara continuam em....
www.nomedehistorias.blogspot.com

Ou veja a história em que a Jessica conhece pela primeira vez o Pedro Dardo e James Dark Sword.

http://nomedehistorias.blogspot.com/2007/03/o-pedro-my-love.html

domingo, 23 de dezembro de 2007

Época Festiva (Special)


Como todos os visitantes dos meus blogs sabem, estou um pouco atrasadinha para fazer um post especialmente de Natal, em que a Jessica Magnetite von Tifon e a família estejam juntos para celebrar esta ocasião especial, mas não se preocupem, porque vou dar-vos um cheirinho do que vai acontecer no primeiro Natal de Jessica na Atlântida:


Caro amigo/a:

Tenho andado mesmo ocupada, porque...Tenho um medo terrível! O General B apareceu no baile de Natal e tirou a máscara que lhe dava protecção.
E, para além de ser cruel e malvado, está interessado em mim e na Sara...
Será ele o meu Padrasto?

«... Dizendo isto, virou-se calculosamente para a sua “ pequena presa”, e, sorrindo para ela, concluiu:
- ...Não é, minha querida?
Ela engoliu em seco, e, embora estivesse cheia de medo, a Sara encheu-se de coragem e alegria, abanando nervosamente a cabeça.
- Bem...Eu até gostava de dançar consigo, General, mas é que eu...
Ao ver que a rapariga continuava tão ingénua como sempre, este interrompeu-a com um ar satisfatório:
- Excelente. É bom ver que está tudo a correr bem...»


mas o corajoso Conde Dark Sword, o chefe da Resistência e o meu hilariante namorado Pedro talvez consigam salvar o dia!


«... Sara olhou nervosamente para todos os lados, para todas as raízes, para todos os arbustos, mas não viu nem uma única folha a mexer-se, apenas aquela voz assustadora a soar cada vez mais perto.
- O vilão vacilou desta vez, e eu vou apanháaaaaaa....
De repente, um dos ramos do carvalho onde a minha amiga estava sentada soltou-se, e, como se houvesse um bombardeamento na floresta, caiu um desajeitado e pesado corpo metálico, mesmo cima da pobre rapariga, fazendo um barulho que espantou as criaturas do bosque. Mesmo que estivesse acordada, não poderia acreditar no que via, um homem charmoso de trinta anos no seu colo. Seria aquele o seu herói caído? Este sorriu, com o seu florete meio enferrujado, e a sua máscara posta de lado, com o fiel e poeirento capote tapando a sua verdadeira identidade. E, enquanto se limpava, os seus motores quase que aqueciam.
- Ups! – Exclamou ele divertido. – Parece que me enganei nos cálculos da aterragem....»

«...Durante uns minutos, olhou um pouco mais para ele e estendeu a mão generosamente com aquele sorriso falso.
- Presumo que você seja o tal rapaz insignificante das entregas “Nuvem Doce”, do qual o Sr. Duque tanto fala ... – Comentou suavemente. – Espero que se recorde todos os dias com quem anda.
Dito isto, apertou a mão a um Pedro desconfiado e inseguro.
O meu namorado não sabia se também podia confiar num bruxo, muito menos num alto oficial da SPV....»


Como é que tu achas que isto vai correr? Ai, ai...Não sei, só o Destino o dirá.