terça-feira, 4 de dezembro de 2007

"A Píton com Dentes"


A força de luta de um bruxo reside no golpe que o faz arremessar o seu florete ou bala ou tridente. Se conseguirmos imaginar uma lança, um aríete ou um martelo com a potência de quase metade de uma tonelada dirigidos por uma mente fria e silenciosa, podemos imaginar vagamente como era Samiel quando lutava. Bem, digo-te que um bruxo da minha idade pode derrubar cinco fadas de uma só vez, e o Mestre Samiel tinha para aí trinta e quatro anos, segundo as crónicas desse tempo. Quando lutava ou andava à caça, nada mais ocupava a sua cabeça. Os objectivos tinham de ser cumpridos, e, calculosamente, dirigiu o seu primeiro golpe para o centro da multidão que rodeava Anúbis – e que num segundo, foi desmobilizada em silêncio.
As dríades voltaram ao seu aspecto normal e fugiram a sete pés, gritando:
- O Assassino do Amor! É o Assassino do Amor! Fujamos irmãs!
Várias gerações de bruxas, tanto fantasmas, fadas e cyborgs foram assustadas, o que as levava a comportarem-se melhor, diante das histórias que ainda se conta de Rwebertan Samiel Di Euncätzio, o assassino nocturno que se podia esgueirar ao longo dos ramos tão silenciosamente como o musgo a crescer e que tinha levado a grande Eris. Do Mestre Samiel, que se conseguia dissimular ao ponto do barulho dos pnéus da sua limusina a rodarem serem confundidos com o canto dos grilos e das cigarras à noite, tomar a forma de qualquer criatura que alguma vez habitasse a Dimensão Mágica e que conseguia enganar até as raparigas mais espertas e sábias, até que o suposto grilo as apanhava numa brisa gélida de Inverno, muitas histórias e lendas se contam acerca do Assassino do Amor. Samiel é tudo o que uma rapariga atrevida pode recear na Floresta de Cristal e no Vale da Morte, uma vez que nem eu, nem ninguém conhece os limites do poder dele, ninguém consegue olhá-lo nos olhos e nunca ninguém sairá vivo do seu beijo fatal. O que torna uma lenda urbana de “bicho-papão” ainda mais assustadora é de não sabermos como o fazer parar! Toda a gente sabe disso. Por isso elas correram, aos tropeções com pavor, para as seguras árvores e ervas altas.
Anúbis respirou de alívio, o seu escudo de defesa era mais espesso que o de Néftis, mas tinha sofrido terrivelmente durante a luta. Depois, Samiel abriu a boca pela primeira vez e proferiu uma palavra longa e assobiada; ao ouvirem-na, todas as ninfas que estavam afastadas, a fugir espantadas, pararam estéticas onde estavam, aninhadas e encolhidas, a tremer de medo. As ondinas que moravam no lago e as dríades que estavam perto dos juncos interromperam a gritaria. As salamandras juntaram-se silenciosamente a elas, parando as suas tentativas infrutíferas de fazer fogo para espantar o Assassino do Amor. Toda a gente sabe igualmente que nós, Bruxos, preferimos locais escuros e com pouca luz, pois o Mestre Samiel, forçado a viver nos profundos subterrâneos do Vale da Morte durante tantos anos, desabituou-se do Sol, e qualquer contacto a ele era um perigo enorme! Quanto às sílfides, ao ouvirem com os seus apurados ouvidos o bater do coração de ferro do feiticeiro, também ficaram hipnotizadas. Eis o porquê do Rei dos Bruxos ter sempre um coração de ferro: as Fadas detestam o ferro, é o seu calcanhar de aquiles, por assim dizer.
No silêncio que pairava sobre a cidade, a pequena sereia quase que também cessara a sua luta para saír da caserna, mas logo acordou do feitiço.
Conseguiu ouvir Néftis a secar os seus longos cabelos com o calor do seu bafo e de seguida, o brado irrompeu novamente.

Assassino do Amor, assassino do amor!
Qual será a tua vítima desta vez?
Sempre a enrolar os seus anéis!
Sempre a enrolar os seus anéis
nos seus patéticos dedos magros!

Tenta apanhar-nos monstro malvado!
Tenta apanhar-nos, assassino do amor!
A que apanhares, patético homenzinho,
dar-te-á um beijinho!
Mas tua esposa morta, dar-te-á um puxão de orelhas!
Ah, ah, ah! Ah, ah, ah! [1]


Guinchavam à medida que saltavam nos ramos, dando berros como crianças infantis e mimadas.
- Meu filho, tira a sereia da armadilha; eu já não consigo aguentar nem mais um minuto nesta floresta de loucos! – Disse Néftis irritada. – Pega nela e vamos, podem atacar de novo.
Enquanto isso, Samiel certificou-se que as dríades fizessem pouco barulho.
- Só se moverão quando eu mandar! Quietas! – Ordenou ele.
Assim que o disse, toda a clareira permaneceu novamente em silêncio.
Olhou para todas as Fadas imóveis como estátuas, abraçadas umas às outras. A sua voz tinha algo de autoritário que as fazia parar, o que era é que ninguém saberá. Esboçou um sorriso triunfante, e, dirigindo-se para Néftis, este disse: não me foi possível chegar mais cedo, mas penso que ouvi o seu pedido de socorro.
A deusa corou um pouco ao ver que durante a batalha, tinha sido cobarde ao chamar por um homem.
- É...é possível que tenha gritado durante a luta. – Respondeu ela meio envergonhada. – Anúbis! Meu filho, estás ferido?
Lambendo a pata em que se tinha magoado, o jovem deus soltou uma valente risada, e sorriu para a sua mãe-galinha. Ele não era rapaz que chorasse por uns meros cortes.
A seguir, lambeu o rosto de Néftis como apreciação pelo seu enorme afecto.
- Não garanto que não me tenham feito em milhares de cachorrinhos. – Disse ao tentar levantar-se para mudar para a forma humana. – Wow! Aquilo é que foi uma grande batalha! Acho que te devemos a vida, Mestre Samiel.
O criminoso revirou os olhos em forma de desprezo. Ele odiava cenas comoventes. Limpou a capa negra com as mãos e embainhou a sua espada de novo friamente.
- Não interessa. Onde está a ondina?
Foi a vez da sereiazinha dos mares do Atlântico falar, muito chateada, por ninguém lhe prestar atenção.
- AQUI! Numa armadilha, não consigo soltar-me! – Gritou a sua voz dentro do casebre. – Mestre Samiel! O meu senhor à espera de quê? Senão transformo-me numa fantasma!
Ouviu-se também os zumbidos das vespas furiosas:
- Tirai essa intrometida daqui! Daqui a bocado, ainda esmaga a nossa rainha!
O feiticeiro pôs as mãos nos bolsos, ajeitou a capa e riu-se.
- Ah! – Disse Samiel. – Afinal tens amigos por toda a parte, minha menina! Afasta-te! Escondam-se, ò pequeno Povo Amarelo, vou derrubar a porta.
Com um pequeno, calculado e rápido golpe dos “Dentes de Víbora”, duas adagas letais longas e compridas na dobradiça, ele conseguiu reduzir a porta em pequenas partículas de pó.
A sereia saiu pela abertura e foi logo recebida de braços abertos por Néftis, que a encontrou muito fraca e com o cabelo despenteado e cinzento.
Logo a abraçou com delicadeza, e acarinhou a pobrezinha, como se fosse sua filha. Ficou atónita ao ver o estado em que ela estava, e de olhos arregalados, lançou um ar preocupado enquanto tentava pentear o longo cabelo preto da sereia.
- Céus, querida! – Exclamou ela. – Que te aconteceu, até parece que um vendaval passou por esse cabelo!
A sereia agradeceu tanta ternura, e conteve as lágrimas.
- Estou esfomeada, dorida, mas nem uma nódoa negra, Vossa Senhoria. Não precisa de se preocupar. – Dissa a rapariguinha. – Eu estou bem. Mas...Oh, Vossas Senhorias estão feridos!
Anúbis sorriu de contentamento, esfregando as mãos, e apontou para um grupo de cinquenta dríades mortas.
- Não somos os únicos. – Comentou a rir-se.
- Não faz mal, não tem importância! – Disse Néftis muito comovida, com as lágrimas a rolarem da cara. – Logo que cheguemos à Cidade dos Deuses eu preparo-te um bom chocolate quente com bolinhos de queijo fresquinhos.
O jovem deus separou as duas raparigas com a sua força divina e disse num tom seco:
- A mãe já se esqueceu porque é que viemos para cá? Viemos para entregar ao Mestre Samiel a sereia. Afinal, é ele ou não que lidera esta operação?
Um sorriso opurtinista passou no rosto viperino do vilão, e acenou para que a rapariga viesse com ele sem oferecer resistência.
- Estais absolutamente correcto, jovem senhor Anúbis. – Disse num tom muito gentil. – Agora, minha querida, vem cá para os braços do teu senhor...
A rapariga quase sem forças para resistir logo buscou refúgio no seio, cheia de medo, e gritou tão agudo quanto uma divindade dos mares sabe gritar, tentando não olhar para os olhos de Samiel. Começou a derramar lágrimas doces no regaço de Néftis
- PÁRA, PÁRA, monstro cruel! – Soluçou ela. – Chamo-me Claudinitiana! Meus senhores, protegei-me daquele demónio!
Claudinitiana parecia mesmo desesperada por não cair outra vez nas garras daquele diabo.
Desta vez, a deusa recusou o abraço da sereia e empurrou-a para os braços do antigo e negro mestre.
- Talvez seja melhor confessares, Claudinitiana. – Disse ela com sinceridade.
Tudo parecia acabar mal, quando Anúbis sentiu algo pela pequena fada dos mares. Algo que nessa altura, ele mal conseguia explicar, mas que, de certa forma, o incitava para que Samiel não ficasse impune. Chama-lhe dever, chama-lhe até mesmo misericórdia, mas talvez ele estivesse apaixonado pela linda menina.
Mal o malvado ia se encontrar com o corpo da rapariga, um pesado machado de fogo quase lhe cortava a mão e o separou da sereiazinha.
Ao ver que estava a ser interrompido, ele pôs as mãos nas ancas.
- Ora Anúbis, mas que atrevimento o teu! – Exclamou maldisposto. – Essa rapariga pertence-me por direito! Cometeste um erro muito grave, meu rapaz!
Com o machado flamejante a proteger a sereia, Anúbis olhou com desprezo para o seu adversário. No entanto, estava preocupado que o Assassino do Amor simplesmente desfizesse o machado em pó.
- Olha lá, Assassino do Amor! – Disse num tom valente. – Tu...Tu...Tu já não tens presas que cheguem para sete anos[2]? E que tal se ela ficasse connosco nesses anos, e, depois, prosseguirmos com um julgamento justo e sem magia negra à mistura! Não te importas?
O Assassino do Amor virou a capa negra em direcção do vento forte, e, fingindo não estar irritado, suspirou com espirito desportista.
- Claro que não. – Disse calmo. – Dez anos a mais ou a menos...Não me importa o tempo que tenha de esperar para apanhar essa rapariga. Ela vai ser minha, custe o que custar!
Dizendo isto, dirigiu-se para a rapariga, e acariciou ternamente o cabelo preto da sereiazinha com a espada segurada pela sua língua de réptil bifurcada.
- Tu não vais ter os teus amiguinhos deuses sempre por perto, e, quando um dia isso acontecer, vigia bem as tuas costas, porque eu vou estar a devorá-las com azeite em postas!
Soltou uma risada.
Anúbis apontou o seu reluzente machado contra Samiel, olhando-o com desprezo.
- Deixa a sereia em paz! – Avisou o deus. – Senão...
As mãos do feiticeiro enganador automaticamente levantaram-se num acto de falsa humildade.
- Juro pela minha saúde que nada de mal acontecerá à rapariga. – Disse ele defendendo-se. Mas quando se dirigiu para a sereia, falou num tom interesseiro. – Até daqui a sete anos...! Mas agora vai. Vai dormir, pois a lua está a pôr-se[3] e a minha harpa não está destinada a tocar para pessoas como tu.
[1] “Tenta apanhar-nos” é um tema duma canção popular atlante muito famosa que se canta muito nas vésperas do Dia da Magia Negra para espantar o espectro do Assassino do Amor.


[2] Segundo os relatos históricos, Samiel foi banido por sete anos para o Vale da Morte ao se saber que queria culpar a naíade inocente. [3] Quando a lua se põe, no seu círculo internminável como o Sol, diz-se que ainda se consegue ver a silhueta de Samiel na lua a tocar a sua harpa mágica. Maldito aquele que o seguir, pois desaparecerá para todo o sempre!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O Lobo Negro


Num ressalto, chegou um grande lobo castanho-escuro, uivando num tom de aviso. Anúbis também tinha o dom da transformação animal.
Ao ouvirem aquele ataque surpresa, as raparigas dispersaram-se, e riram-se às gargalhadas.
Aquilo não era nada para dríades corajosas como elas, e então, chamaram, como se estivessem a rezar, uma oração lugúbre.

Deuses ousados, a pisar a nossa floresta sagrada!
Que os fogos fáctuos vos persigam e que ardem nos Infernos!
Matar, guerra, guerra! Se é isso que querem!
Protegeremos a nossa irmã sereia do Diabo!
Se é isso que querem!
Se é a morte que querem,
faça-se a ira da floresta real!
Deuses insensatos, as vossas lanças não
resistem aos valentes ramos dos chorões!

Se é isso que querem,
Faça-se a ira da floresta real,
SE É A MORTE QUE QUEREM,
FAÇA-SE A IRA DA FLORESTA DE CRISTAL!

Ao acabarem de prenunciar os últimos versos, as dríades trnasformaram-se em terríveis monstros com chicotes como mãos e cascos de diamantes como pés.
Se aqueles dentes arremessados amarelos abocanhassem um único braço de Néftis ou do seu filho, eles estariam perdidos.
Os seus bonitos olhos verdes agora brilhavam de fúria vermelha de sangue.
Os corpos sensuais tinham-se deformado para serem enrugados e terríveis.
Nestas alturas, as dríades só lutam para se protegerem, a elas e aos mais oprimidos. Como se costuma dizer, para grandes males, grandes remédios.
Um tropel daqueles seres deformados em luta, mordendo, arranhando, rasgando e dando safanões. Cem contra dois era muito injusto.
Enquanto cinco ou seis guardavam a sereia, a arrastaram para uma velha caserna desabitada e a empurraram através do buraco do antigo ninho de vespas que costumava ali haver.

Fica aí, irmãzinha!

Lamuriaram as dríades, nas suas vozes desafinadas.

Até que tenhamos morto os teus mestres e depois,
Brincaremos eternamente contigo, se as vespas te deixarem viva.

A pequena rapariga de quinze anos não hesitou em dizer as palavras mágicas em atlante que permitem falar com qualquer animal:
- Irmãs, queridas irmãs, sou mágica, e vocês?
Ela conseguia ouvir um zumbido e um barulho de madeira a ser limpa e arranjada por entre a imundície que a cervava e disse as palavras outra vez, para jogar pelo seguro.
Dentro de nada, conseguiu ouvir várias vozinhas de falsete.
- É mesmo! Todas para o ninho! – Disseram cinquenta. – Fica sossegada e quieta, irmãzinha, pois os teus pés podem magoar-nos.
A sereia ficou tão quieta quanto conseguiu, prescrutando pela abertura e a ouvir o estrondo furioso. A luta continuava renhida, e Néftis lutava pela sua própria vida, suando até aos pés. Nunca tinha tido uma batalha tão difícil, aquelas dríades eram, certamente, adversários de respeito.
A sereia, apercebendo-se que aquela batalha e tumulto tinha sido provocada por sua culpa, gritou com toda a força:
- Aqui! Estou aqui, Vossa Senhoria! Mergulhai no tanque para que consiga recuperar as forças!
Ao ver que a sereia se mantinha fiel aos deuses, a deusa sentiu renovada coragem e lutou como nunca tinha lutado antes. A sua respiração de fogo quase queimava os corpos de madeira das dríades, fazendo-as espernear até à morte. No entanto, algumas naíades no lago, ao verem que as suas irmãs da superfície precisavam de ajuda, tentaram afogar Néftis.
Que mais iria suceder...?!
Anúbis, vendo a sua mãe em perigo, lançou sem piedade setas flamejantes para espantar as dríades que também ajudavam as suas colegas, as ninfas da água.
Foi nessa altura que Néftis levantou o queixo e, em desespero, lançou as palavras para chamar qualquer bruxo.
- Filho de Tsesustan, artifíce da magia negra, eu sou mágica, e tu? – Pois ela acreditava que aquilo não tinha passado duma artimanha do Assassino do Amor para fazer o Egipto perder dois dos seus deuses mais importantes.
Até Anúbis, cercado pelas dríades não pôde deixar de se arrepiar quando ouviu a grande guerreira da noite pedir por ajuda.
Samiel só tinha chegado naquele momento ao cimo da colina, e aterrando, torceu-se tão violentamente que deslocou uma pedra de remate para o lago. Ele não queria perder alguma vantagem, tanto no seu ataque, como no solo e enrolou-se e desenrolou-se várias vezes, para se assegurar que toda a extensão do seu longo corpo estava em boas condições.
Por esta altura, já toda a Floresta de Cristal sabia da batalha. Portanto, vieram ainda mais quinhentas sílfides e salamandras de todos os cantos da floresta, para ajudar as suas companheiras de brincadeiras.
Nessa altura, veio Samiel resoluto, rápido e ansioso para matar....!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Um Plano Sinistro...

Na verdade, apenas Jerininantus, Nimtauk e Dirlent eram os únicos feiticeiros que estavam ali. Nimtauk, um gigante moreno de três metros de altura com a capacidade de se tomar a forma dum lince negro e assanhado das montanhas, era geralmente o carrasco de Samiel. As missões mais arriscadas e que requeriam mais músculos que inteligência, eram essas as que Nimtauk entrava em acção. Instrumento acéfalo nas mãos dum artista exímio, o gigante tinha sido em tempos um rufia viking. Por sua vez, Dirlent e Jerininantus eram “bruxos de confiança” do Assassino do Amor, que estavam ao seu serviço desde os anos de adolescência. Também eles sabiam que o Assassino do Amor não se revelaria “à toa”. A sua aparição, teria, obviamente, de ser discreta, para que assim as dríades ou outra fada não dispersasse por entre os bosques.
Mesmo assim, elas não ligaram às suas consciências, e continuaram a brincar nas margens daquele lago.
Entretanto, com cuidado, Néftis com a sua rede aproximou-se da clareira.
- Acho que isto não é correcto. – Comentou ela, sempre nervosa. – E se as Fadas e as Ninfas não tiveram nada a ver com a morte de Eris?
Uma nuvem aproximava-se pela força do vento, que cobriria a lua e as estrelas. Um pensamento macabro surgiu na mente frágil da destemida deusa «Se aquela nuvem for grande o suficiente, em breve estará escuro como o bréu...! Será impossível de ver as dríades!»
A nuvem poderia trazer uma vantagem a ela. As dríades não lutam, mas chamam a natureza para combater por elas. Além disso, o musgo apenas iluminava um pouco as árvores, não a floresta inteira.
«Se ao menos o Mestre Samiel estivesse cá....ele consegue ver no escuro melhor do que qualquer outra criatura das redondezas.» Pensou enquanto tentava não fazer um único som.
Subitamente, uma vozinha sibilante disse:
- Estavais à minha procura, querida senhora?
Era Samiel, transformado numa enorme píton de dez metros de comprimento, rastejando silenciosamente por entre as ervas, escolhendo o sítio exacto por onde passar sem se fazer notar.
Por mais incrível que podesse parecer, o feiticeiro já tinha rondado aquela zona da floresta durante algum tempo em plena luz do dia. Queria certificar-se do terreno em que estaria a pisar, e com uma inigualável mente de estratega, mandou terceiros para averiguarem cada folha, o vento, a temperatura, cada acontecimento ou evento que se passaria num só galho seria essencial para o desenrolar da “batalha”. Aliás, atento sempre ao mais infímo pormenor, decidiu pôr vigias em todos os cantos da Floresta de Cristal. Por seu lado, estes avisariam os homens do Castelo Negro, e que por sua vez, iriam transmitir a notícia ou a Jerininantus ou a Dirlent. De qualquer das maneiras, nenhum destes ousaria mentir ao Assassino do Amor. Com as grandes riquezas e magias que Samiel Di Euncätzio possuía, o simples acto de contar uma anedota dava para ter uma espada apontada directamente ao nosso pescoço numa questão de duas horas. Fazia ele muito bem rodear-se de informadores, e era por isso que todos o temiam. «O Assassino do Amor tem um pergaminho de cada vida atlante na palma da mão...» Na altura, era uma piada muito popular entre todas as classes, mas não era mentira que todos os que colaboravam com as suas actividades ou que seriam ou eram suas vítimas decerto tinham um lugar na biblioteca de moradas; pontos fracos; a que classe pertenciam; data de nascimento; vida pessoal; doenças; género sexual; ect...
O símbolo da comprida serpente magra cor de terra era adoptada nos tempos antigos como sinónimo de poder e astúcia, por essa razão o Mestre Samiel gostava tanto deste animalzinho, muito comum nos rochedos dos altos picos dos Alpes das Sereias, localizados no Nordeste da Atlântida.
A sua grande cabeça de réptil apontou para um pequeno pinhal à direita.
- Vou contornar o lago através daqueles pinheiros. – Sussurrou ele na orelha da mulher. – E descerei aquela colina verde com o solo a meu favor. Elas não se lançarão a mim às centenas, mas...
- Sei disso! – Interrompeu a mulher. – Aquele Anúbis é sempre o mesmo atrasado! Mas temos que fazer o melhor que for possível para encontrar essa sereia de que tanto o senhor fala. Quando aquela nuvem cobrir a lua, irei para o lago, pois elas estão reunidas numa espécie conselho-por-causa-da-princesa. Além disso, aqueles seus homens não estão ali para enfeitar, não é?
- Boa caçada. – Disse Samiel sinistramente e deslizou na direcção do pinhal.
Este era o menos vigiado de todos os grupos de árvores pelas dríades e a grande cobra deixou-se atrasar até conseguir encontrar uma maneira de trepar até às pedras preciosas que rodeavam os ramos dos pinheiro.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

A calma antes da Tempestade...!


Em primeiro lugar, obrigado pela tua colaboração Arthurius, espero que mais pessoas venham a contribuir para o desenvolvimento do Grito da Verdade
Agora....A continuação da história do Assassino do Amor!
Para além de rico, ter uma alma artística ser maldoso, o Mestre Samiel tinha uma capacidade essencial para os seus planos.
A sua luxúria pelo poder e a sua vaidade dependiam desse dom natural seu. Ele já estava irritado por os deuses terem falado de Neptuno, mas quando mencionaram mais nomes indescrítiveis cujos as fadas customavam chamar ao bruxo, este decidiu encontrar a pequena sereia de uma vez por todas juntamente com os dois deuses.

Este longo episódio relatado pelas testesmunhas vivas - as sílfides da floresta e os trents, o equivalente masculino das dríades - talvez seja um dos mais assustadores e tenebrosos de toda a vida criminosa de Samiel. Ele preferia actuar nos bastidores a puxar os cordelinhos, mas por uma ocasional infelicidade, a sua ira tinha sido desperta. Talvez seja uma das mil razões porque as fadas e os seres mágicos da floresta temem os bruxos. Segundo os relatos da época, esta foi uma das grandes batalhas entre os seres de magia branca e os de magia negra, mas, para o triste grupo de trezentas dríades que habitavam e deram refúgio à ondina, aquela era uma noite calma...!

Ao caír da noite, na clareira da floresta, sentia-se um ambiente mágico no ar, o estranho musgo azul ténue em cada árvore brilhava cada vez mais à medida que a noite avançava. A Floresta da Cristal chama-se assim por este brilho azul pálido que se pode ver do céu e cobre quase dois terços da Atlântida. É uma das maravilhas naturais mais bonitas do nosso país.
O vento soprava sobre os juncos e ervas altas dos muitos lagos pálidos, cuja a água reflectiam o luar. As criaturas da floresta já se tinham retirado para dormir, excepto três vozinhas de lindas jovens que cantavam alegremente.
Até parecia que as árvores e as restantes plantas tinham ganhado vida, mas não era isso. Aos poucos, apareceram três dríades completamente nuas.
Uma escondida por detrás dos chorões com a mesma pele branca de cal e cabelos desgrenhados tão verdes quanto as folhas de um chorão.
Outra, surgiu nas ervas altas verdes-escuras, correndo mais depressa que um servo, com pezinhos finos e magros. A terceira saiu da sua mãe macieira, igualmente com cabelos finos louros como as folhas amarelas do Outono e corpo sensual castanho-escuro como o tronco da árvore. Todas tinham as orelhas muito pontiagudas e narizes aquilinos.
Assim eram e são as dríades, as ninfas protectoras da floresta,seres híbridos, metade planta, metade fada, metade mulher. Brincavam muito divertidas. Dançavam em conjunto, saltavam ao eixo e escondiam-se por entre as árvores e as plantas.
As canções, nesse tempo, estavam unicamente dirigidas a um só alvo, o temível Assassino do Amor. Elas sabiam que era muito perigoso fazerem isso, mas, tal como qualquer espírito livre, adoravam a sua vida sem preocupações.
E algumas vezes, esqueciam-se que habitava um feiticeiro poderoso naquelas imediações. Eram verdadeiras macaquinhas daquela floresta, aquelas malandras...! Mas não o faziam por mal, não. As Dríades não são malvadas, de facto, são muito bondosas e brincalhonas.
Porém, pararam de cantar, e aperceberam-se que seria bom ver as duas princesas de perto.
Toda a gente conhecía – e conhece – a sua ladainha preferida, e que é assim:

Aqui vamos nós alegres, a meio caminho da lua invejosa.
Não invejas os nossos livres passos saltitantes?
Estar com um homem...! Que desdita mulher és tu!
Não gostarias que a cor do teu corpo combinasse
com as cores do arco-íris?
Estás zangada mas isso não importa, irmã, não tens pezinhos delicados de ervas daninhas como nós!

Aqui estamos sentadas num ramo, a pensar sobre o que
Sabemos.
A sonhar com tudo o que vamos conquistar em poucos minutos.
Alguém nobre, inteligente e bom, desejoso que nós lhe partilhemos
Os nossos segredos.
Já nos íamos esquecendo desse rapaz, mas isso não importa, irmã,
Não tens cabelos a esvoaçar sobre o vento!
Mal elas sabiam que duas dezenas de homens as observavam, fascinados com a espantosa beleza do trio de raparigas. Escondidos na escuridão e nas rochas, rastejavam no silêncio daquela noite à procura do sinal do seu mestre. Eram os homens do Assasino do Amor. No seu flanco esquerdo, encontrava-se a deusa Néftis a ver a força das três inocentes meninas.
Elas não pareciam ser nada más, mas.... (continua no próximo post)

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O Grito da Verdade precisa de Ti...!







Olá! Aqui estou eu, a tifongirl (a vossa maravilhosa, linda Jessica Magnetite von Tifon, eu), a pedir que vocês – caros leitores que passam por este túnel de emoções e fantasias – me dêem uma pequena ajudinha.
Eu sei que pode parecer difícil de acreditar, mas a minha fonte inesgotável de criatividade tão famosa parece sofrer duma seca (a culpa foi da SPV, acabaram por descobrir o meu blog e fizeram-me umas quantas interrogações, comecei a ficar preocupada! Num governo totalitário, é sempre assim!)

Portanto, o que vos vou pedir é muito simples: basta darem-me uma pequena ideia qual/quais é/são a/as personagem/ns da Atlântida ou da Dimensão Mágica que mais vos cativa/m ou gostam para o mail c.catigirl@gmail.com, ou comentem um post no http://www.tifon-ogritodaverdade.blogspot.com/.


Como todas as coisas, também tem de haver uma lei, se me enviarem um e-mail, por favor, sigam à risca estas instruções:

· O e-mail não pode ter mais que três paragráfos (princípio, meio e fim)

· De preferência, gostava que me dessem uma imagem de como o – ou os, como quiserem – personagem se assemelha para vocês.

· Originalidade, claro.

· Se tiverem dúvidas, não hesitem em pô-las!

· Por fim, divirtam-se: quero demonstrar o quão estes camelos da polícia secreta não vão triunfar!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

31 De Outubro de 2005 - O Dia das Magias Negras...


Como hoje - daqui a umas horas - é a Noite do Dia das Bruxas (para os mortais) ou Dia das Magias Negras, para os Bruxos, decidi fazer um post ultimamente dedicado às Forças do Mal que actuam precisamente na terrífia noite do Dia das Magias Negras e que se divertem ao mesmo tempo: a Segura Polícia de Vigilância, ou SPV para abreviar.


Existem quatro grandes departamentos:



  • Departamento C;


  • Departamento Di5;


  • Departamento Judicial;


  • e o Departamento L;

Segundo o índice de contagem, existem ao máximo, 10.000 efectivos na SPV, o que é um absurdo, já que cada departamento geral conta com dois mil homens. Os restantes mil são os da liçações com SNI – encarregados das deportações.
O Departamento Di5 é o responsável pela economia e cofres do Estado.
Quanto ao Judicial (a verdadeira polícia), este está dividido em três sub-departamentos: vigilância fronteiriça e relações com o Palácio das Reuniões; Direitos Civis Atlantes, que determina as melhores leis para serem cumpridas caso haja ao que o Capitão Goldtheeth costuma dizer nos seus discursos na televisão como “objecções” e também se encarrega da propaganda ao reino da Serpente de Fogo; e o obscuro Departamento de Segurança, “comandado” pelo “Gineralo B” (ele está no Limbo dos Espelhos neste momento a cumprir pena, mesmo assim, consegue fazer o seu trabalho através dos seus suburdinados como “pombos-correio”), onde os assuntos mais negros e ancestrais da Magia Negra são tratados.


Esse nome do General B é apenas um nome de código, porque ele é só um primeiro tenente. Mas faz o trabalho tão bem como se fosse um general! Por fim, mas não menos importante, o departamento L é o que tem como menbros os carrascos implacáveis que matam, perseguem e torturam os Cyborgs. Também são eles os carcereiros do Limbo dos Espelhos. Considerando o facto que a Atlãntida tem como população treze milhões de habitantes, a SPV poderá parecer a sombra da mão negra que governa com tirania e hipocrisia a Atlântida, mas as pessoas pensam que ela é enorme, porqe a polícia pode contar com um incontável exército de espiões, colaboradores e informadores por todo o país. Assim sendo, ninguém pode estar seguro em lado nenhum. No entanto, o meu primo Coutinho puxou uns cordelinhos para que a SPV fosse mais branda. Como assim?
Bom, eles nunca ferem os Bruxos nem os Demónios. Que reconfortante, não achas?
Ele no fundo detesta a SPV, porque eles andam sempre a bajular a Serpente de Fogo, e isso lembra-lhe os tempos das SS e da Alemanha Nazi, e só de falarmos nisso ao primo, ele fica mais pálido do que um fantasma!O mais estranho é que, à excepção do Goldtheeth, o General B não responde a nenhuma ordem vinda dos Fuinhas, nem dos Oficiais Principais, e nas suas cartas que ele envia à Serpente de Fogo, que são vistas pelo Primo Coutinho, são seguidas por um seguinte padrão: “Como queirais, Vossa Majestade!”; “Assim o farei, se a Princesa o desejar”; “Irei tratar pessoalmente do assunto, Vossa Majestade”; “Sim, senhora minha”; “Sim senhora!”
O resto dos outros, têm um medo de pelar do general (já para não falar de Goldtheeth, mas a maior parte até o chama de “Mano Eddy”), e ele nunca é visto em público, ou a passear na sua limusina, não! Alguns oficiais normais dizem que ele passa a vida a trabalhar no Anel da Serpente.
Mas isso é impossível! Também não os invejo, aos homens da SPV, é claro.
As bruxas não são admitidas, e só os bruxos mais implacáveis e competentes de toda a Atlântida são escolhidos para «...servir e defender com a maior honra e bravura a Rainha de Fogo...».

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O Mestre do Disfarce e da Sedução

Após várias horas e horas de investigação, a falar com os criminosos, traficantes e deuses mais corruptos de toda a Atlântida, mal iam desistir daquela busca inútil, quando o encontraram.
O Assassino do Amor refastelado numa sombria esplanada mesmo escondida do sol da tarde, admirando o seu bonito casaco novo amarelo escuro, pois tinha estado a dormir até ao meio-dia nos últimos dias, preparando o seu disfarce para vir à rua sem ser notado ou caluniado pelas más-línguas. Estava agora verdadeiramente esplêndido e elegante, dez anos mais novo. Tirou com incomparável requinte as luvas sarapintadas de castanho e amarelo brilhante de pele da píton do Vale da Morte (hoje extinta) e começou a dar festas na cabeça fofa do seu gato malhado, lambendo os beiços muito satisfeito, enquanto pensava no seu próximo crime.
- Ele ainda não comeu! – Disse Anúbis aliviado. – Tenha cuidado, mãe!
Ele fica sempre um pouco cego depois de arranjar um novo disfarce e é muito rápido no ataque.
Samiel ao contrário dos que as pessoas comuns pensam, não era de se dar com bruxas ou com mulheres fáceis. Na verdade, quase desprezava as antigas feiticeiras praticantes da magia negra por achá-las covardes, mas a sua força residia no seu abraço. Mal ele lançasse sobre qualquer rapariga aquelas garras afiadas desumanas, nada mais havia a fazer.
Anúbis tentou um sorriso para o poderoso bruxo e tirou a cabeleira falsa típica dos egípcios, como forma de comprimento.
- Boa caçada, ò grande Mestre Samiel! – Saudou baixinho.
Como qualquer mago branco, o Mestre Samiel era um pouco surdo, e a princípio não ouviu nada. Através das gerações, essa surdez iria desaparecer, e, de facto, nós, Bruxos, temos uma audição perfeita.
Depois, levantou-se e ergueu o famoso florete para qualquer eventualidade, e baixou a cabeça confiante.
- Boa caçada para todos nós, - Respondeu ele – Oh, Anúbis! Meu rapaz, o que estás a fazer por aqui?
Suspirou fundo, como se não fosse o criminoso mais procurado de toda a Atlântida e sentou-se de novo, embainhando a espada cuja tantas vidas tinha ceifado.
Com um olhar presunçoso, disse:
- Pelo menos um de nós precisa de comer. Há por aí alguma notícia de caça à vista? Uma garça ou talvez mesmo uma corça? Estou tão vazio como um poço seco.
Samiel sabia quando deveria ser um assasino implacável sem coração e quando deveria ser um respeitado membro da sociedade. Quando se encontrava com deuses e estes lhe desejavam boa sorte para a caça, não hesitava em ficar bem visto pelas gentes e saudar os deuses e nobres da mesma forma bem educada. Nesses tempos remotos, até os deuses iam para caçar e celebrar os seus grandes festins. Rwebertan Samiel Di Euncätzio não era excepção, só que, para além de presas animais, ele caçava raparigas indefesas. Só as deusas ficavam imunes ao seu enorme poder.
- Eu estou a caçar. – Disse Anúbis negligentemente. Ele sabia que não devia apressar o Assassino do Amor. Tudo o que aqueles dois não queriam era um massacre.
Assim, a atenção de Samiel foi captada para o que os deuses lhe estavam a dizer. Levantou-se de rompante, pegou no florete, fingindo-se entusiasmado e esboçou um sorriso que não passou além do canto dos lábios secos.
- Dai-me a permissão para ir convosco. – Disse contente. – Um sopro a mais ou a menos para vós, grandes deuses, não é nada, mas eu, eu tenho de esperar dias e dias a fio, numa vereda do bosque escondido, e de noite disfarçar-me com o nevoeiro da meia-noite na expectativa de uma jovem corça perdida do resto da manada.
A bainha prateada bateu com uma força igual a um leve tremor de terra no solo, só para veres o quão forte era Samiel Di Euncätzio numa idade tão tenra, pois um bruxo comum de trinta anos é considerado como um adolescente humano de vinte.
Era certo e sabido que o feiticeiro estava um pouco mal-disposto porque a sua “corça” tinha fugido. Mas logo ia apanhá-la.
- Raios! A louvável Floresta de Cristal já não é quando no tempo da criação da nossa Atlântida. – Exclamou tristemente. – Quando era um rapaz de cinco anos, recordo-me perfeitamente de tremer só de vir para aqui.
- Talvez a tua fome tenha a ver com esse assunto. – Insinou Anúbis, contendo o riso. Ele sabia como o bruxo devastava a maior parte da floresta para encontrar algo que se comesse.
Samiel por seu lado, ripostou sarcasticamente, com um tom vaidoso:
- Ora que essa! Já agora também tenho culpa que Neptuno tenha a barba do comprimento dum carvalho...Eu sou belo e um fantástico caçador, não um destruidor de florestas lunático. A culpa é do nosso rei ignorante, que chama ao meu dom natural de culto do Diabo, uma coisa que não me atrevo a tocar. Para além desse velho senil, existem aquelas marotas das criadas de Eris, algumas fadas. Na última vez que me arpoximei dum bando delas e fiz um desajeitado som, dispersaram-se e chamaram-me os nomes mais horríveis que se pode imaginar.
- Como Deus da Morte e Diabo Pálido? – Interrompeu Anúbis à medida que entravam na limusina preta de Samiel.
Na Atlântida, no ano 20.0034 A.C, já existiam carros, tais como outras tecnologias indispensáveis. A maior parte dos grandes inventores mortais foram descendentes de atlantes. A nossa moderna ilha até teve a desgraça da Guerra Atómica em 30.000 A.C, e é por isso mesmo que o Vale da Morte se chama assim. Em tempos foi um sítio altamente radioactivo, agora em 2005, já não se ouve falar dessas coisas. Até havia aviões e metros sofisticados nessa altura, por isso não te espantes de eu te falar da limusina do Assassino do Amor.