
O vento soprava sobre os juncos e ervas altas dos muitos lagos pálidos, cuja a água reflectiam o luar. As criaturas da floresta já se tinham retirado para dormir, excepto três vozinhas de lindas jovens que cantavam alegremente.
Até parecia que as árvores e as restantes plantas tinham ganhado vida, mas não era isso. Aos poucos, apareceram três dríades completamente nuas.
Uma escondida por detrás dos chorões com a mesma pele branca de cal e cabelos desgrenhados tão verdes quanto as folhas de um chorão.
Outra, surgiu nas ervas altas verdes-escuras, correndo mais depressa que um servo, com pezinhos finos e magros. A terceira saiu da sua mãe macieira, igualmente com cabelos finos louros como as folhas amarelas do Outono e corpo sensual castanho-escuro como o tronco da árvore. Todas tinham as orelhas muito pontiagudas e narizes aquilinos.
Assim eram e são as dríades, as ninfas protectoras da floresta,seres híbridos, metade planta, metade fada, metade mulher. Brincavam muito divertidas. Dançavam em conjunto, saltavam ao eixo e escondiam-se por entre as árvores e as plantas.
As canções, nesse tempo, estavam unicamente dirigidas a um só alvo, o temível Assassino do Amor. Elas sabiam que era muito perigoso fazerem isso, mas, tal como qualquer espírito livre, adoravam a sua vida sem preocupações.
E algumas vezes, esqueciam-se que habitava um feiticeiro poderoso naquelas imediações. Eram verdadeiras macaquinhas daquela floresta, aquelas malandras...! Mas não o faziam por mal, não. As Dríades não são malvadas, de facto, são muito bondosas e brincalhonas.
Porém, pararam de cantar, e aperceberam-se que seria bom ver as duas princesas de perto.
Toda a gente conhecía – e conhece – a sua ladainha preferida, e que é assim:
Aqui vamos nós alegres, a meio caminho da lua invejosa.
Não invejas os nossos livres passos saltitantes?
Estar com um homem...! Que desdita mulher és tu!
Não gostarias que a cor do teu corpo combinasse
com as cores do arco-íris?
Estás zangada mas isso não importa, irmã, não tens pezinhos delicados de ervas daninhas como nós!
Aqui estamos sentadas num ramo, a pensar sobre o que
Sabemos.
A sonhar com tudo o que vamos conquistar em poucos minutos.
Alguém nobre, inteligente e bom, desejoso que nós lhe partilhemos
Os nossos segredos.
Já nos íamos esquecendo desse rapaz, mas isso não importa, irmã,
Não tens cabelos a esvoaçar sobre o vento!


